Trump volta a criticar eleições no Brasil e diz que não tomou partido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar as eleições no Brasil e reiterou que não apoiou nenhum dos candidatos na disputa presidencial.
Ao comentar o processo eleitoral americano, que novamente alegou ser fraudulento, Trump comparou a votação nos EUA à brasileira.
"Eles democratas trapaceiam tão bem, achei que não precisavam fazer isso nas eleições. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho, não é? Isso não foi legal. Quero dizer, eu não tomei partido, mas não gostei, não pareceu muito bom", afirmou o presidente americano durante um comício no Texas.
Zucco anuncia primeiros cinco secretários e confirma redução de duas secretarias no governo
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), anunciou nesta terça-feira os cinco primeiros secretários que integrarão seu governo a partir de janeiro de 2027. As indicações misturam nomes técnicos e políticos - dos cinco, quatro já atuaram em algum momento no serviço público.
Os nomes anunciados foram:
- Leandro Sonne - Casa Civil
- Paulo Herrmann - Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural
- Roni Miranda Vieira - Secretaria de Educação
- Liliana Cardoso - Secretaria de Cultura
- Mauro Sinott Lopes - Secretaria de Segurança Pública
Desta lista, apenas Paulo Herrmann não tem experiência prévia em cargos públicos. Zucco também destacou a gestão de Mário Ikeda na SSP e anunciou que o manterá na pasta, como secretário adjunto de Sinott.
Antes dos anúncios, Zucco comentou a linha de escolha: "Não se governa direito com personalismo e centralização. Técnica e política, nenhum governo bem sucedido se sustenta sem esses dois pilares", disse, reforçando que todos os indicados até aqui têm experiência em gestão.
Redução de pastas
Zucco reforçou o desejo de enxugar a máquina. "Acreditamos que deve ficar entre 15 ou 20 secretarias, que é o que temos comentado. Quero enaltecer que os presidentes do PP, Podemos, Republicanos, PL e Novo, que não estão me pressionando em nenhum momento", afirmou, indicando que os aliados não o têm pressionado por cargos.
Já neste primeiro anúncio, duas fusões foram confirmadas:
- A Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural volta a ser uma única pasta, desfazendo a separação feita no governo Tarso Genro (PT), em 2010.
- A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo volta a ser unificada com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), revogando alteração feita por Eduardo Leite (PSDB) em 2018.
Coordenador político da campanha e articulador da transição, Leonardo Pascoal (PL) ainda não foi indicado oficialmente para nenhuma pasta. Ao lado de Zucco durante toda a apresentação, o atual secretário de educação de Porto Alegre deve seguir na transição, e Zucco sinalizou que quer Pascoal no secretariado.
O governador eleito informou que novos nomes devem ser anunciados ainda nesta semana, na quinta-feira (29). Os secretários assumem a partir de 6 de janeiro de 2027.
Relação com o governo federal
Sobre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Zucco disse respeitar o resultado legitimado pelo Tribunal Superior Eleitoral. "O TSE reconheceu institucionalmente a vitória do presidente Lula e é com ele que nós vamos tratar a partir do dia 5 de janeiro. O RS precisa de um governador que saiba dialogar e eu sei", comentou.
Apesar disso, criticou a prorrogação do horário de votação em 2 horas, ordenada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, próximo ao fim da votação. "Tudo isso traz indagações que sendo de direita, centro e até de esquerda tem que ser questionadas", disse.
Quem são os anunciados:
Leandro Sonne: Ingressou na Casa Civil em 2003 como estagiário e foi assumindo responsabilidades até chegar em 2017 ao cargo de subchefe legislativo. A relação de confiança com Zucco começou em 2019, como assessor legislativo do então deputado estadual. Em 2021, assumiu a chefia de gabinete do parlamentar. Em 2023, foi nomeado coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia.
Paulo Herrmann: Com trajetória ligada à modernização do agronegócio, presidiu as operações da John Deere no Brasil entre 2012 e 2022. Em 2024, assumiu como CEO da Fiergs. Atualmente é CEO da PH Advisory Group, de consultoria estratégica, e desenvolve atividades sociais ligadas à ampliação do acesso à saúde em comunidades rurais.
Roni Miranda: À frente da Secretaria da Educação do Paraná desde janeiro de 2023, comanda a terceira maior rede estadual do Brasil, com cerca de 1 milhão de estudantes e mais de 2 mil escolas. Iniciou carreira como professor da rede pública em 2005 e efetivou-se por concurso em 2007. Entre 2012 e 2015, foi diretor do Colégio Estadual Djalma Marinho, em Curitiba. Em 2020, assumiu a Diretoria de Educação da Secretaria Estadual.
Liliana Cardoso: Foi a primeira mulher negra a assumir a Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Começou na gestão municipal em 2024 como interina e depois foi efetivada. Esteve à frente da coordenação do Comitê de Carnaval de Porto Alegre, na organização dos desfiles no Complexo Cultural Porto Seco. Tem carreira dedicada à valorização da poesia, da música e das tradições.
Mauro Sinott Lopes: Foi comandante da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, e esteve à frente do Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo durante os Jogos Olímpicos de 2016. Participou de operações de segurança no Rio antes de assumir, em 2018, a chefia do Gabinete de Intervenção Federal. Em junho de 2018, deixou a função para assumir o comando da 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria, onde ficou até 2020.
Quatro anos pela frente: por que o mercado reagiu à reeleição de Lula e o que esperar
Lula não é novidade para o brasileiro, mas no dia seguinte à reeleição o mercado reagiu de forma dura. A Bolsa caiu forte minutos após a abertura e o dólar disparou de abaixo de R$ 5 para R$ 6. Os juros das aplicações subiram para 15,25% ao ano. O Tesouro teve que recomprar quase R$ 15 bilhões em papéis. Tudo isso na primeira manhã depois da confirmação de que Lula continuará por mais quatro anos.
Ora, não foi uma troca de um governo com Paulo Guedes para Lula. Foi de Lula para Lula. Apenas continua. Então por que o susto? Que dificuldades macro assustam quem opera com o capital das empresas abertas e com o mercado exterior? Que mudanças esperam aqueles que já operam as oscilações de capitais e câmbio desde 2023, quando começou o terceiro mandato de Lula?
Talvez seja justamente isso: não esperam mudanças. E se não houver mudanças, o cenário é de piora no endividamento público e acúmulo de déficits nas contas do governo.
Nesses dias, Lula tem dito que "nós vamos mudar o jeito de governar este país". Soa genérico e abre espaço para interpretações diferentes. Não é crível que esteja fazendo uma autocrítica. Não é crível que vá cortar ministérios, despesas, rever área social, combater endividamento. Ou seria uma ameaça? Fala em maior participação do povo, o que acontece na democracia direta da Suíça, mas pode soar como ignorar o Congresso dos representantes do povo e dos estados, onde ficou com minoria de deputados e senadores com a última eleição. Jânio Quadros, Collor e Dilma deram as costas para o Congresso e não acabaram bem. Seria essa incerteza que fez a Bolsa acionar o circuit breaker e aumentar a busca por proteção no dólar e no ouro?
Há também as incertezas deixadas nos dois últimos debates. Lula na Band dando as costas para a câmera e cometendo o ato falho de "o Brasil acabou". Depois, na Globo, confuso com o temário do painel, sem ouvir respostas de Flávio, lento no raciocínio e, de novo, um ato falho: o de acabar com a polícia. Lula já não é o jovem ágil; é o presidente mais idoso da história do Brasil, repetindo as ideias de gastança e de que o consumo gera crescimento, sem se preocupar com o endividamento. Seriam mais quatro anos de agravamento das consequências do desequilíbrio fiscal e da dívida pública.
A tudo isso se soma a insegurança jurídica e institucional criada pelo Supremo, acrescida da insegurança eleitoral agravada por Zanin. O primeiro turno fez a Câmara e boa parte do Senado sob medida para Flávio, mas um Congresso oponente a Lula. Juntam-se, então, dificuldades econômicas, jurídicas e políticas para o próximo quadriênio. Mas não se pode dizer, como no ato falho de Lula, que acabou o Brasil. Só não vai ser fácil.
Flávio se livrou desse legado. Lula vai ter quatro anos sem a justificativa da "herança maldita".

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