Flávio Bolsonaro muda estratégia e diz que vai pedir cassação da chapa de Lula em vez de anulação da eleição
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mudou a forma de contestar o resultado do segundo turno. Depois de anunciar no domingo que pediria a anulação das eleições, agora afirma que vai entrar na Justiça Eleitoral com uma ação para pedir a cassação da chapa do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação é do Portal R7. Segundo a apuração, a troca de estratégia ocorreu após aliados e advogados apontarem dificuldades jurídicas para anular diretamente o resultado das urnas. A nova ação seria por abuso de poder político e econômico durante a campanha.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira, Flávio criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h no domingo, após relatos de dificuldades de transporte em cidades da Bahia e de São Paulo.
"Pela primeira vez na história do Brasil, o ministro do STF, no caso, ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até às sete horas da noite. O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido", disse.
Ele questionou o impacto da medida e afirmou: "Imagina se fosse o contrário. Um ministro indicado pelo Bolsonaro, tomando uma decisão que mudou a regra do jogo, já com o jogo encerrado. Qual seria a reação do PT?"
O senador também acusou o adversário de ter ampliado gastos públicos às vésperas da eleição. "Injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história", afirmou. "A disputa não deveria ser um vale-tudo. O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedentes."
"Isso tudo sem falar no complexo industrial de fake news que eles criaram, com a difusão ilegal e em massa de mentiras para aterrorizar a população", completou, ao anunciar que pedirá a cassação da chapa.
O pedido de prorrogação do horário de votação havia sido solicitado tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha do próprio Flávio Bolsonaro, para atender eleitores que enfrentavam dificuldades para chegar aos locais de votação, inclusive em razão das chuvas.
O TSE afirma que a medida foi cumprida nos termos decididos e que há segurança sobre o processo eleitoral.
Oposição questiona PF após intimação para Flávio Bolsonaro entregar passaporte
A intimação da Polícia Federal para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) entregue o passaporte gerou reação imediata da oposição na Câmara.
O líder da bancada, deputado Cabo Gilberto (PL), divulgou nota nesta segunda-feira protestando contra a medida e pedindo explicações públicas.
Flávio foi intimado na manhã desta segunda, quando saía da casa onde o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena em prisão domiciliar. Segundo o próprio senador, a determinação partiu do ministro do STF Alexandre de Moraes, com base em uma fala de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em um podcast nos Estados Unidos na sexta-feira anterior à eleição, em que Eduardo teria defendido que Flávio deixasse o país em caso de derrota.
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo: um relacionado a um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, e outro que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz.
Na nota, Cabo Gilberto insinua relação entre a medida e o resultado da eleição presidencial, em que Flávio perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após virada no segundo turno, e diz que o caso representa uma "perda de direitos fundamentais" pelo exercício da oposição.
O deputado classifica a medida como grave e afirma que são necessárias instituições "que transmitam segurança jurídica, não que alimentem a percepção de que adversários políticos podem ser submetidos a restrições excepcionais após uma disputa eleitoral".
Ele cobra esclarecimentos sobre as razões da decisão e provas concretas de que Flávio pretendia deixar o país, e afirma que a bancada de oposição vai acompanhar os desdobramentos e adotar as medidas cabíveis.
Como reagiram os políticos do RS à reeleição de Lula: de cumprimento à contestação
Confirmada a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo TSE no domingo, com a reeleição para o quarto mandato a partir de 2027, lideranças do Rio Grande do Sul se manifestaram nas redes sociais. As reações foram de cumprimento, apelo por diálogo e também de contestação ao resultado.
Eduardo Leite (PSDB)
Adotou neutralidade formal no segundo turno e cumprimentou o presidente reeleito, desejando êxito nos próximos quatro anos. Pediu equilíbrio nas reações: "Aos que comemoram, que a alegria não se transforme em provocação ou humilhação. Aos que estão frustrados com o resultado, que possam compreendê-lo com serenidade e respeito à vontade expressa nas urnas."
Luciano Zucco (PL) - governador eleito do RS
Coordenou a campanha de oposição no Estado e afirmou que a eleição presidencial registrou "interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos que precisam ser devidamente esclarecidos". Disse que acompanhará os desdobramentos.
Sebastião Melo (MDB) - prefeito de Porto Alegre
Manteve alinhamento com Flávio Bolsonaro no segundo turno e também cumprimentou Lula, destacando a soberania das urnas: "Diante da soberania das urnas, cumprimento o reeleito presidente LulaOficial. O mesmo povo que elege o prefeito e o governador também elege o líder da nação."
Gabriel Souza (MDB) - vice-governador
Seguiu orientação de neutralidade do partido no plano nacional, cumprimentou o reeleito e afirmou que o país terá grandes desafios que exigirão diálogo e responsabilidade: "Que o próximo mandato seja marcado pela pacificação do país, pelo respeito à democracia."
Marcel van Hattem (NOVO) - deputado federal e senador eleito
Participou ativamente da oposição ao PT e classificou a eleição como ilegítima, recusando o resultado. Acusou ministros do TSE e do STF de interferências, citando a prorrogação do horário de votação e o afastamento temporário de fiscais partidários. Manifestou apoio à contestação apresentada por Flávio Bolsonaro e convocou militância para mobilização.
Sanderson (PL) - deputado federal e senador eleito
Integrou atos da oposição no interior gaúcho e classificou o resultado como retrocesso: "Inacreditável, o Brasil continuará em caos por mais 4 anos. Mais 4 anos de destruição. Mais 4 ministros no STF. Mais aparelhamento nas instituições."
Luis Carlos Heinze (PP) - senador
Coordenou a oposição no Estado com foco no agro e declarou que o país registra "um capítulo vergonhoso" com a reeleição: "Lula se reelegeu para um inacreditável quarto mandato aterrorizando a população com mentiras e destruindo as contas públicas com bondades eleitorais sem previsão no orçamento."
As manifestações mostram a divisão do cenário gaúcho: parte aposta no diálogo institucional com o governo federal, outra parte mantém a postura de oposição firme e questiona o pleito.
Sem Flávio no Planalto, Zucco recalcula rota para governar o RS
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno mudou os planos do governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL).
Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, Zucco vinha adotando manifestações contidas sobre a transição. A prioridade, segundo ele, era a campanha presidencial de Flávio e a entrega do Livro de Transição preparado pela gestão de Eduardo Leite (PSDB). O documento, que inicialmente seria entregue nesta segunda-feira (26), foi reagendado a pedido do governo para quarta-feira (28).
Com o livro em mãos, a expectativa é que Zucco retome as articulações para montar o governo. A base inicial inclui Novo, PP, Republicanos, Podemos e União Brasil, além de conversas para ampliar governabilidade com MDB e PSD. A nova bancada eleita do PSD já sinalizou abertura para dialogar.
Zucco acompanhou a apuração em Brasília ao lado de Flávio e de outros governadores aliados e retornou ao RS sem agendas públicas nesta segunda.
Três travas econômicas na mesa
Aliado do governador eleito e cotado para Fazenda ou Planejamento, o deputado estadual Cláudio Branchieri (Republicanos) admitiu o impacto da derrota. "Nos chocou, já que todos indícios, pesquisas davam a vitória para o Flávio. Tínhamos um projeto diferente de governo daquele que as urnas decidiram", disse.
Para o parlamentar, que é economista, Flávio facilitaria três negociações centrais para o RS:
Funrigs - A renovação do Fundo do Plano Rio Grande. O compromisso com a União prevê execução até outubro de 2027. O governo gaúcho pediu à Casa Civil prorrogação até dezembro de 2028, ainda sem resposta.
Propag - Ajustes nas condições do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados.
Fundo Constitucional da Região Sul - Considerado o ponto mais difícil. "Acho pouco provável neste momento. Não vai ter espaço fiscal para isso", avaliou Branchieri.
A bandeira foi defendida na campanha por Zucco, Jorginho Mello (PL-SC) e Sérgio Moro (PL-PR) e está ligada à PEC 231/2019, que aumenta em um ponto percentual o repasse da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e ainda não foi debatida em plenário. Segundo Branchieri, há tentativa de buscar apoio de estados do Centro-Oeste - Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul -, mas a negociação será complexa.
Silêncio e posicionamento
A única manifestação pública de Zucco após o resultado foi em nota à imprensa, na qual disse que a eleição passou por "interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos" que devem ser esclarecidos, mas afirmou estar preparado para governar independentemente do presidente eleito.
O deputado estadual Miguel Rossetto (PT) criticou em nota o fato de Zucco não ter reconhecido diretamente a reeleição de Lula e de colocar em dúvida o resultado. Questionada, a equipe de comunicação de Zucco informou que, por ora, não vai comentar as declarações de Rossetto.
Mesmo sem a saudação tradicional do governador eleito, o PL Nacional reconheceu a vitória de Lula na noite de segunda-feira.

Comentários
Postar um comentário