Trump afirma que EUA “vão queimar como a França” se democratas vencerem as midterms

 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou os protestos violentos na França como exemplo para alertar que o país “queimará” caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

A declaração foi feita na noite de segunda-feira (19), durante um comício no Kansas em apoio à reeleição do senador republicano Roger Marshall. A cadeira, tradicionalmente ocupada por republicanos, enfrenta risco de mudança de mãos.

“Quando vocês virem campanários em chamas e incêndios violentos na França, lembrem-se de que é isso que os democratas radicais querem fazer com os EUA. Eles pretendem fazer isso. Não vão nem chegar perto”, afirmou Trump.

O presidente não apresentou evidências para a acusação, mas garantiu que isso não ocorrerá se os republicanos saírem vitoriosos. Ele relacionou os protestos franceses — motivados por pautas educacionais e pelo alto custo de vida — à imigração na Europa e afirmou que o continente “foi fraco” no controle de fronteiras e, por isso, “fracassou”.

“O que está acontecendo na França é o que eles (os democratas) querem que aconteça em nosso país. Isso nunca vai acontecer aqui. A Europa fechou suas fronteiras, mas fracassou porque foi fraca, permitiu que suas fronteiras fossem reabertas imediatamente. Nós fechamos nossas fronteiras, que são as mais fortes da história do nosso país”, completou.

Nas últimas semanas, Trump tem percorrido vários estados para apoiar candidatos do seu partido nas midterms, nas quais o governo busca manter o controle do Congresso. As projeções, no entanto, indicam que os democratas podem conquistar maioria em pelo menos uma das casas legislativas, em meio à baixa popularidade do presidente relacionada ao aumento do custo de vida.

A França viveu recentemente alguns dos piores distúrbios dos últimos anos, com grandes protestos contra o custo de vida e serviços públicos subfinanciados que degeneraram em tumultos e saques. O próprio Trump enfrenta dificuldades para tornar bens e serviços mais acessíveis nos Estados Unidos.

Defensores de direitos humanos criticam há anos a retórica de Trump, que frequentemente ataca imigrantes e grupos étnicos minoritários, muitas vezes com tom antimuçulmano e xenofóbico. Grupos de direitos civis afirmam que esse tipo de discurso normaliza atitudes discriminatórias.

O Kansas, estado conservador do Meio-Oeste onde Trump venceu por 16 pontos em 2024, não elege um democrata para o Senado há 94 anos. Marshall, em seu primeiro mandato, disputa uma eleição apertada com o democrata Adam Hamilton, pastor metodista que se opõe à agenda tarifária do presidente e ao que chama de “liderança errática”.

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