Dólar sobe a R$ 5,02 com inflação acima do esperado nos EUA
Após tocar R$ 5,05 pela manhã, o dólar perdeu fôlego ao longo da tarde, acompanhando a desaceleração dos ganhos da moeda americana no exterior e a virada dos Treasuries longos para o campo negativo, e fechou em leve alta, na casa de R$ 5,02.
Apesar da proximidade da corrida presidencial, a dinâmica do câmbio foi ditada pelo cenário externo. A leitura da inflação ao consumidor americano acima das expectativas reforçou a expectativa de mais aperto monetário nos EUA, o que deu força ao dólar.
Cenário externo e impacto
O real apresentou perdas bem inferiores às dos pares. Operadores avaliam que parte do crescimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto já teria sido refletida no câmbio, embora haja expectativa pela divulgação de levantamento da Quaest, às 18h. Amanhã, sai pesquisa do Datafolha.
O operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, observa que a pesquisa BTG/Nexus, divulgada na terça-feira, já mostrou o estreitamento da vantagem de Flávio Bolsonaro, o que tirou fôlego do real e levou o câmbio de volta a R$ 5,00. "Se as próximas pesquisas não trouxerem novidade, o dólar pode cair um pouco. Se a diferença diminuir, podemos ver aumento das tensões", afirma.
Após rondar R$ 5,03 nas últimas horas do pregão, o dólar à vista terminou o dia em alta de 0,17%, a R$ 5,0289. Apesar da alta nos dois últimos pregões, quando voltou a superar os R$ 5,00, a moeda ainda recua 2,82% em outubro, o que leva a desvalorização acumulada em 2026 a 8,38%. O real tem o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas no ano, atrás apenas do peso colombiano.
Fluxo e projeções
Dados divulgados à tarde pelo Banco Central mostram entrada expressiva de dólares na semana passada, após o primeiro turno da eleição presidencial. O fluxo cambial entre 5 e 9 de outubro foi positivo em US$ 2,416 bilhões, com entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro, que abrange, entre outros, investimentos em carteira. Em outubro, até o dia 9, o fluxo total é positivo em US$ 3,214 bilhões.
O economista e sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, destaca que o real teve "com folga, o melhor desempenho entre as moedas emergentes" na semana passada. "O movimento refletiu a queda do prêmio de risco, os ingressos líquidos no mercado à vista e as movimentações em derivativos cambiais na B3", afirma, destacando que investidores não residentes reduziram no período a posição comprada em dólar em US$ 3,1 bilhões.
No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar ante cesta de seis moedas fortes — subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,534 pontos, após atingir máxima de 102,945 pontos pela manhã, maior nível em 18 meses. Os preços do petróleo fecharam em leve alta, com o barril do Brent a US$ 106, em meio à continuidade dos ataques no Oriente Médio.
Inflação nos EUA
O gatilho para a escalada do DXY foi a leitura do índice de preços ao consumidor (CPI) em setembro. O índice cheio acelerou em linha com o esperado, mas o núcleo — que exclui itens mais voláteis — superou as estimativas. A ferramenta FedWatch, do CME Group, chegou a mostrar, pontualmente pela manhã, chances de mais de 50% de nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro.
Para o economista-chefe internacional do banco ING, James Knightley, o CPI provavelmente não será suficiente para levar a uma alta de juros em outubro, tendo em vista que vários dirigentes do Fed disseram recentemente que não há pressa em apertar a política monetária.
"Em termos de perspectiva para a inflação, muito depende do que acontecer no Estreito de Ormuz. Os preços dos combustíveis continuam a subir e correm o risco de se refletir em uma gama mais ampla de categorias de preços", afirma Knightley, em nota.
Milhares protestam na Colômbia no primeiro ato contra governo de Abelardo de la Espriella
Milhares de pessoas marcharam nesta quarta-feira nas principais cidades da Colômbia contra as políticas do presidente de direita Abelardo de la Espriella, na primeira jornada de protestos contra seu governo. Convocados pela oposição liderada pelo ex-presidente de esquerda Gustavo Petro (2022-2026), sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas se manifestaram com cânticos e palavras de ordem como "vai cair!".
"Me sinto em perigo, nossos direitos estão em risco (...) Tudo pelo que lutamos durante tanto tempo hoje está em risco", disse à AFP Unzo Vargas, funcionário público de 44 anos, que protestava em Bogotá com a bandeira do arco-íris.
Críticas às políticas
Apenas dois meses após assumir, De la Espriella enfrenta críticas: a oposição vê direitos humanos ameaçados por políticas de linha-dura e teme retrocessos nas reformas sociais promovidas por Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, que ampliou o acesso gratuito às universidades públicas, promoveu aumentos recordes do salário mínimo e concedeu benefícios aos trabalhadores, como pagamento adicional pelo trabalho noturno.
"O pouco que conquistamos (...) estamos prestes a perder", disse Ester Guerra, professora de 32 anos, em Bogotá. O trânsito na capital estava tranquilo diante da recomendação de empresas para trabalho remoto e da suspensão de aulas em algumas escolas. Nas principais cidades, os protestos ocorriam de forma pacífica.
Relações internacionais
Entre as preocupações, manifestantes rejeitam o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel — rompidas durante o mandato de Petro — e a aproximação com o governo de Donald Trump, vista como risco à soberania. "Estou com raiva, me sinto ofendida, não merecemos isso, ele só quer entregar o País aos Estados Unidos, a Israel. Sinto que tempos sombrios estão por vir", relatou Jimena Rodríguez, estudante de 20 anos.
Manifestantes agitaram bandeiras palestinas e queimaram uma grande bandeira dos Estados Unidos em Bogotá. O senador de esquerda Iván Cepeda, que perdeu as eleições presidenciais por menos de um ponto percentual, participou dos atos na capital.
Repressão e direitos
Manifestantes temem repressão, depois que De la Espriella decretou na terça-feira a flexibilização do uso da força pelas autoridades em caso de danos ou bloqueios de vias. Segundo o presidente, a medida permite "atacar o terrorismo urbano disfarçado de protesto".
"Tentam amedrontar a população para que não saia às ruas para protestar, mas isso está na Constituição" como um direito, opinou Óscar Pérez, professor de 40 anos.
Protesto indígena e outras críticas
Nesta quarta-feira, comunidades indígenas também protestaram contra projeto de regulamentação da guarda indígena, organização civil de defesa dos territórios ancestrais que atua nas regiões mais afetadas pelo conflito armado. "Praticamente não governa para os povos indígenas (...) não nos representa", afirmou José Joy Martenorio, coordenador do Conselho Regional Indígena de Cauca.
O presidente também é questionado por suposta falta de transparência na gestão de recursos por parte de sua esposa, responsável por doações privadas para vítimas do terremoto que atingiu o oeste do país em 10 de agosto. Além disso, a oposição denuncia violação da laicidade do Estado, devido às frequentes referências religiosas do presidente, à presença de imagens da Virgem Maria em atos públicos e à expressão "viva Cristo Rei!", com a qual encerra cada discurso.
"Há muita frustração, os ânimos estão se exaltando e esta é uma das demonstrações de que a oposição representa uma grande parte do País", disse Samuel Molina, estudante de 20 anos, em Bogotá.

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