Alcolumbre diz que Senado votará PEC do fim da escala 6x1 na próxima semana

 


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta sexta-feira (9) que deve colocar em votação na próxima semana a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6x1.

Segundo ele, a proposta será levada ao plenário entre terça (13) e quinta-feira (15).

A declaração foi feita em vídeo gravado ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais. Na gravação, Alcolumbre destacou o apoio de Cleitinho à redução da jornada, mesmo ele não fazendo parte da base do governo Lula.

"Estará na pauta de terça, quarta e quinta para deliberação do plenário do Senado Federal, como você sempre quis", disse Alcolumbre no vídeo.



Leite diz que temas estruturantes de longo prazo serão pactuados com novo governo




O governador Eduardo Leite (PSD) afirmou nesta sexta-feira (9) que todas as decisões que geram impacto além da sua gestão serão negociadas com a equipe do governador eleito, Luciano Zucco (PL). A declaração foi dada após a primeira reunião oficial de transição entre os dois, realizada no Palácio Piratini, com cerca de duas horas de duração.


Segundo Leite, a orientação vale para obras, concessões rodoviárias e renegociação da dívida. Sobre obras pendentes, Zucco disse que vai "seguir o calendário", enquanto Leite ressaltou que segue no comando até 5 de janeiro.


"Até lá, continuaremos tomando decisões e encaminhando projetos. Naturalmente vou ter a sensibilidade de temas que, se gerarem impacto para o próximo governo, discutir com o governador eleito", afirmou.


Estrutura do governo e orçamento


Questionado sobre a reforma administrativa anunciada por Zucco, que pretende reduzir o número de secretarias para entre 15 e 20, Leite disse que o assunto ainda será tratado. A mudança depende de projeto a ser enviado pela atual gestão à Assembleia Legislativa para que a nova estrutura esteja pronta na posse, em 6 de janeiro.


"Tivemos um primeiro encontro protocolar, uma conversa amistosa, de organização. Os próximos passos vão acontecer no transcorrer do processo. Além da estrutura, depois vêm os ajustes orçamentários. Por isso que, inclusive, em acordo, abrimos mão de indicar o relator do orçamento. Ele é da base do governo futuro", disse.


Concessões rodoviárias paradas


Leite confirmou que as concessões de rodovias ficam suspensas por enquanto. O Bloco 1 não terá edital lançado por falta de maturidade do projeto. Sobre o Bloco 2, que teve leilão frustrado, ele afirmou que tem uma nova proposta para apresentar na transição, mas que não haverá encaminhamento sem debate com o novo governo.


"Se lançasse hoje, o edital seria realizado até o final do ano, mas o contrato só seria assinado no governo seguinte. Não somos inconsequentes e irresponsáveis de fazer um movimento que ultrapassa o limite do nosso governo sem interagir com o que já foi escolhido pela população", declarou.


Como será a transição


O escritório da comissão de transição deve ser inaugurado entre terça e quarta-feira da próxima semana, no Centro Empresarial Guaíba, no bairro Praia de Belas, onde o Executivo mantém um andar locado. Zucco manterá ainda o espaço chamado de 'Casa do Diálogo', no Instituto Caldeira, no 4º Distrito.


As reuniões temáticas semanais começam no dia 19. O governo atual também vai lançar o portal portaldatransicao.rs.gov.br com informações sobre o processo.




PT mira classe C para tentar ampliar votação de Lula no RS no segundo turno



O PT definiu que a estratégia para tentar reduzir a diferença de quase meio milhão de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro no Rio Grande do Sul passa pela classe C. A avaliação é que foi justamente nesse estrato que o presidente mais perdeu eleitores no primeiro turno.

O segmento, hoje formado por MEIs, trabalhadores de aplicativo, profissionais de nível técnico e pessoas que tentam empreender, tem se aproximado da direita nos últimos pleitos. Em Porto Alegre, foi decisivo para a reeleição do prefeito Sebastião Melo (MDB) há dois anos.

Para esse público, o discurso da campanha petista no segundo turno deve focar em temas como o fim da escala 6x1, endurecimento na segurança pública, tarifa zero no transporte público, aumento dos limites do MEI e do Simples e imposto zero para itens da cesta básica. A avaliação interna é que promessas ligadas a carteira assinada têm pouco apelo para quem já deixou esse modelo.

Meta de 100 mil votos na Capital

A estratégia foi traçada após uma semana de reuniões internas, enquanto grupos de estudantes já faziam atos espontâneos pró-Lula nas ruas. O partido identificou que há um eleitor em Porto Alegre que votou em Lula no primeiro turno e em Zucco para o governo do Estado.

Junto com o PSol, o PT calcula que pode buscar ao menos 100 mil votos extras na Capital. A conta considera os 35 mil votos a menos que Lula fez em Porto Alegre na comparação com 2022, mesmo vencendo na cidade, e a abstenção de 23,99% - 255.333 eleitores.

Para a linha de frente das ações na Capital foram escaladas Manuela D'Ávila, que disputou o Senado, e a deputada federal reeleita Fernanda Melchionna (PSol), que teve quase 40% dos seus 280 mil votos em Porto Alegre.

Em reunião fechada na quinta-feira na sede do PT, Manuela defendeu manter um grupo só para organizar agendas de rua: "Vamos ficar com o adesivo no peito. Vamos continuar com os mutirões com todas as nossas deputadas eleitas em Porto Alegre. E vamos manter, todos os dias, carros de som, com a gente em cima, nas comunidades".

O deputado federal Paulo Pimenta, também derrotado na disputa ao Senado, reforçou a mudança de método: "Não é para ir na cidade fazer plenária. É para ir para a rua. Precisamos garantir um ambiente de ofensiva".

Interior e maratona de agendas

A Região Metropolitana, onde a esquerda já foi dominante e hoje perdeu espaço para centro e direita, é vista como o maior desafio. A orientação para a militância é conversar com pelo menos cinco conhecidos - amigos, familiares ou vizinhos - sobre o voto.

Aos deputados, a ordem é ficar o máximo possível nas bases e fazer agendas nas periferias. O coordenador da campanha de Lula no RS, Edegar Pretto, por exemplo, vai percorrer sete cidades do Litoral e do Planalto Médio só neste fim de semana.

Nos bastidores, petistas admitem que o desafio é grande e o tempo é curto, mas tratam como "questão de honra" ampliar a votação de Lula no Estado. O RS foi um dos onde o presidente mais perdeu votos, e o meio milhão a menos pesou nos 2,2 milhões de diferença que separaram Lula e Flávio Bolsonaro no resultado nacional do primeiro turno.

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