Dólar recua quase 1% nesta terça em correção após disparada com reeleição de Lula


 O dólar caiu quase 1% frente ao real nesta terça-feira, em um movimento de correção e ajuste de posições após a valorização de 8,21% registrada na segunda-feira - a maior alta percentual diária desde janeiro de 1999 - com a surpresa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora haja aumento da percepção de risco com dúvidas sobre a política fiscal no novo mandato, operadores atribuem boa parte da arrancada da moeda americana na segunda a questões técnicas. Investidores haviam se posicionado de forma maciça para uma vitória de Flávio Bolsonaro.

Para o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição de Lula no pregão de segunda, quando houve desmonte de apostas "muito otimistas" na oposição.

"Voltamos agora ao 'status quo' de antes da eleição, mas com o governo enfrentando uma forte oposição no Senado. O mercado busca agora uma acomodação e já sinalizou a Lula que espera uma mudança na política fiscal", afirma Perottoni, destacando que houve forte internalização de recursos por parte de exportadores na segunda.

Como foi o pregão
Após rondar os R$ 5,34 ao longo da tarde, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,97%, a R$ 5,3506, na contramão da moeda americana no exterior. Chegou a flertar com o piso de R$ 5,30 pela manhã, quando registrou mínima de R$ 5,3078.

Apesar da valorização de 3,39% em outubro, no ano o dólar ainda recua 2,52% frente ao real. Entre as divisas latino-americanas, apenas o real e o peso colombiano, com ganhos de mais de 15%, têm desempenho positivo em 2026.

O que dizem os especialistas
O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, vê possibilidade de continuidade da correção nos próximos dias, à medida que investidores digerem o resultado.

"No médio prazo, no entanto, a questão-chave será a capacidade de Lula implementar ajustes críveis na política fiscal e realizar reformas. A história recente nos deixa em dúvida em relação a isso. Mantemos nossa projeção de dólar em R$ 5,20 até o fim do ano", afirma.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou nesta terça que o governo trabalha com a ideia de propor um projeto de lei complementar (PLP) para definir juridicamente que buscará o centro da meta de resultado primário, em sinal de compromisso fiscal.

Estrategistas de câmbio do banco americano BBH ressaltam que Lula, diante de um Congresso mais conservador, vai precisar de apoio do centro para aprovar projetos, o que tende a limitar espaço para expansão fiscal.

"É importante ressaltar que o 'carry' atraente e a exposição estratégica do Brasil a commodities ligadas à energia, à IA e à defesa seguem como fatores estruturais relevantes para o real", afirmam.

No exterior, o índice DXY - que mede o comportamento do dólar frente a seis moedas fortes - operava em alta de 0,35% por volta das 17h, aos 102,311 pontos. A expectativa majoritária é que o Federal Reserve anuncie na quarta (28) a manutenção dos juros, mas sinalize possível aperto em dezembro.



FPA defende subsídio ao diesel, mas alerta para endividamento do governo



A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defendeu a renovação, por um mês, da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel anunciada nesta terça-feira (27) pelo governo federal, mas fez um alerta sobre as contas públicas.

"É necessária. Sem a subvenção do diesel, estamos falando de diesel próximo de R$ 10, o que inviabiliza qualquer produção, qualquer cadeia produtiva. Mas estamos muito preocupados com o tamanho do endividamento do governo", afirmou o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Em nota, o Ministério do Planejamento e Orçamento afirmou que o impacto fiscal continuará sendo coberto pelas receitas extraordinárias provenientes da exploração de petróleo. A estimativa da equipe econômica é de que a medida custe cerca de R$ 10,5 bilhões por mês.

Lupion destacou os números fiscais atuais: déficit primário acumulado da União de R$ 94,87 bilhões e dívida bruta do governo geral (DBGG) de R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Há um comprometimento enorme. E as promessas que foram feitas pelo governo neste segundo turno de campanha acabaram custando R$ 400 bilhões por ano. Essa conta o brasileiro vai ter que pagar", disse.

"Não sabemos como isso será feito. A manutenção da nossa competitividade na produção agropecuária depende do custo do frete e do combustível. O governo vai ter que cuidar disso prontamente", completou Lupion.



No RS, apenas 16 eleitores votaram por causa da prorrogação no domingo, diz TRE-RS



A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul divulgou nesta terça-feira um levantamento sobre o impacto da prorrogação da votação no segundo turno de domingo (25) e avaliou que o efeito foi reduzido no Estado.

Ao todo, 709 eleitores foram habilitados para votar após as 17h, distribuídos em 632 seções eleitorais. A grande maioria, no entanto, já estava nas filas antes das 17h, horário regular de encerramento.

Para medir o efeito prático da prorrogação, o TRE-RS fez uma análise específica das ocorrências registradas após períodos de inatividade superiores a três minutos nas seções - situação que indica ausência de fila ou de fluxo contínuo.

Nessas circunstâncias, foram identificados apenas 16 eleitores habilitados após as 17h, distribuídos em 14 seções de todo o Estado.

Em 12 dessas seções, foi registrado apenas um eleitor habilitado após o período de inatividade, e o encerramento ocorreu antes das 17h10. Os dados sugerem que já não havia demanda significativa naquele momento.

Nas duas demais seções, foram habilitados dois eleitores em cada uma. Uma encerrou às 17h21 e a outra às 18h30.

O levantamento mostra ainda que apenas duas seções permaneceram em funcionamento após as 19h: a seção 119 da 135ª Zona Eleitoral, em Santa Maria, e a seção 127 da 97ª Zona Eleitoral, em Esteio.

Para o TRE-RS, o fluxo de eleitores no encerramento ocorreu de forma regular no Estado, com reduzido número de habilitações após períodos sem movimentação. Embora a decisão judicial tenha garantido a possibilidade de votar além das 17h, a repercussão prática foi bastante limitada no Rio Grande do Sul.


Fora do país, futuro político de Flávio Bolsonaro passa por investigações no STF e no TSE



Fora do Brasil após perder a eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta uma nova situação jurídica que pode comprometer seu futuro político. Alvo de investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) e de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador está sujeito a desdobramentos que podem resultar em condenação penal ou inelegibilidade. O cenário ganha novo contorno com o fim do mandato em janeiro de 2027, quando Flávio ficará sem cargo eletivo pela primeira vez em 24 anos e perderá prerrogativas parlamentares.

Uma das investigações já levou a medidas cautelares. Nesta segunda-feira (26), um dia após a derrota nas urnas, Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que também proibiu sua saída do país e o contato com o advogado Willer Tomaz. Flávio negou irregularidades e classificou a medida como intimidação. Nesta terça (27), a PF cancelou os passaportes após a viagem do parlamentar aos Estados Unidos.

A decisão foi tomada no âmbito de investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, revelada pelo Estadão em 18 de outubro. O caso teve origem em apuração da PF sobre plataformas de apostas e pagamentos digitais. Ao analisar dados extraídos da nuvem do advogado, os investigadores identificaram registros de encontros e viagens envolvendo Flávio, além de documentos que mencionavam o senador como "usuário master" de conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding. O material foi encaminhado ao STF em 8 de outubro, em razão do foro, e distribuído a Moraes.

Outra investigação no Supremo, relatada pelo ministro André Mendonça, apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Os recursos foram negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O inquérito apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Em outubro, a PF pediu mais 90 dias para concluir, incluindo perícias contábeis e diligências nos EUA.

Uma nova frente foi determinada nesta terça (27) pelo ministro Flávio Dino, que requisitou à PF a abertura de inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro em benefício da campanha presidencial de Flávio. A investigação deve esclarecer se houve repasses ou prestação de serviços à candidatura, além de financiamento de publicações favoráveis por perfis no exterior e possíveis manipulações de algoritmos por plataformas.

O que muda com o fim do mandato
Mesmo após o fim do mandato, as investigações poderão continuar no Supremo. Em 2025, o STF mudou entendimento e decidiu que o foro por prerrogativa de função pode ser mantido mesmo após o fim do cargo, desde que os crimes tenham ocorrido durante o mandato e estejam relacionados às funções.

Para o criminalista e coordenador de Direito da ESPM-SP, Marcelo Crespo, será preciso avaliar se as suspeitas "possuem ligação com sua atuação parlamentar". Disso dependerá a permanência no Supremo ou o envio para outra instância.

Flávio também perderá proteções como restrições à prisão de congressistas e possibilidade de o Senado suspender ações penais. Para Crespo, sem cadeira no Senado, Flávio perde peso institucional, o que tende a reduzir custos políticos de eventuais medidas judiciais.

Frente eleitoral
Na Justiça Eleitoral, Flávio enfrenta ações que podem torná-lo inelegível. Uma delas investiga abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, a partir de alegação da coligação de Lula de que plataformas digitais teriam favorecido sua candidatura.

Outra apura atuação do deputado Nikolas Ferreira e do influenciador Pablo Marçal nas redes, sob suspeita de disseminação coordenada de desinformação em seu benefício.

Para o advogado eleitoral Alberto Rollo, Flávio poderá ficar inelegível por oito anos caso a Justiça Eleitoral comprove responsabilidade. As ações ainda dependem de julgamento. Rollo lembra que investigações criminais no STF também podem gerar efeitos pela Lei da Ficha Limpa, que impede candidatura de condenados por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro quando há decisão definitiva ou de órgão colegiado.

Enquanto enfrenta as ações, Flávio anunciou ofensiva contra a vitória de Lula. Derrotado por 51,79% a 48,21% - diferença de cerca de 4,4 milhões de votos -, disse inicialmente que não reconheceria o resultado e pediria anulação, questionando a prorrogação do horário de votação determinada por Cristiano Zanin. Segundo o Estadão, apenas 34,7 mil votos foram registrados após as 17h.

Nesta segunda (26), Flávio mudou o foco e anunciou que pretende pedir a cassação da chapa Lula- Alckmin, sob acusação de abuso de poder político e econômico, sem apresentar até então provas.

Para Rollo, a própria reação à derrota poderá abrir nova frente contra ele. Se ultrapassar limites da contestação legítima e cometer irregularidades previstas na legislação eleitoral, poderá ser alvo de novas ações no TSE, inclusive com risco de inelegibilidade.




Aliado de Trump diz que Flávio Bolsonaro chegou aos EUA em operação articulada por Marco Rubio



O investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, publicou nesta terça-feira (27) nas redes sociais que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A informação sobre a saída do senador, menos de 48 horas após perder a eleição presidencial, também foi confirmada pela agência Reuters.

Nenhuma autoridade oficial do Brasil ou dos EUA confirmou até o momento a saída do país.

"Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos. O cérebro por trás dessa operação é o Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio. Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula", escreveu Levy, em inglês, por volta das 15h30.

Em outra postagem, Levy informou que a saída do senador do Brasil teria recebido o nome de Operação Alba.

Simón Levy é empresário e advogado e se autodescreve publicamente como aliado próximo de Donald Trump e do movimento MAGA - Make America Great Again.

A Agência Brasil procurou a assessoria de Flávio, mas não obteve retorno. O senador não chegou a entregar os passaportes à Polícia Federal após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão está em segredo de justiça e foi tornada pública pelo próprio senador nas redes sociais.

A ordem faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF por lavagem de dinheiro. Por causa do descumprimento, os passaportes do parlamentar foram cancelados diretamente pela PF.


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