Baptista valoriza entrega do Inter na vitória sobre o Botafogo, mas alerta: “Ainda não resolvemos o nosso problema”


 A goleada por 3 a 0 sobre o Botafogo, neste sábado (24), no Beira-Rio, trouxe alívio ao Internacional e reforçou a confiança do grupo na luta contra o rebaixamento. O técnico Eduardo Baptista destacou a intensidade, a dedicação e a eficiência da equipe, elogiou a participação da torcida e reforçou que a situação no Campeonato Brasileiro ainda exige atenção.

“Vamos saborear a vitória hoje, mas sabendo que temos um jogo difícil contra o Fluminense já na quarta-feira”, afirmou o treinador, projetando o próximo compromisso colorado, no Maracanã.

Evolução e intensidade

Desde que chegou ao Inter, Baptista tem insistido na necessidade de recuperar a confiança dos jogadores e elevar a intensidade do time. Contra o Botafogo, viu uma resposta positiva ao trabalho dos últimos dias: um time que disputou cada bola, criou oportunidades e transformou o volume de jogo em gols.

“Olhei para o grupo quando cheguei. Busquei resgatar confiança e aumentar a intensidade do time. Sou um admirador do futebol gaúcho. E essa é a nossa característica. Hoje brigamos e jogamos. Criamos chances e o mais importante: fizemos três gols”, avaliou.

O treinador também ressaltou a postura competitiva necessária para a reação. “O Inter precisa ser intenso, viril e incomodar sempre o time adversário. Estamos alcançando um equilíbrio, mas ainda precisamos seguir melhorando”, ponderou.

Altruísmo de Alerrandro como símbolo

Baptista destacou especialmente o lance do terceiro gol, em que Alerrandro, em velocidade e em condições de finalizar, preferiu servir Bernabei, que completou para as redes. O centroavante atravessa um período sem marcar, mas optou por deixar o ego de lado.

“O Alerrandro está sem fazer gol há um tempo. Mas ele ficou na cara do goleiro e fez o passe. Ele pensou primeiro no Inter, na equipe, deixando o ego de lado. Essa situação é o grande símbolo desse nosso momento”, afirmou.

Para o técnico, o gesto mostra que os jogadores começam a acreditar na força coletiva. Ainda assim, ele evitou euforia. “O grupo está acreditando. E não é em mim. É em si. Mas a gente ainda não resolveu o nosso problema. Temos que seguir lutando”, concluiu.

Com o triunfo, o Inter deixou provisoriamente a zona de rebaixamento e ganhou fôlego para a sequência do Brasileirão.



Inter goleia Botafogo por 3 a 0 e renova esperanças na luta contra o rebaixamento


O Internacional venceu o Botafogo por 3 a 0 neste sábado (24), no Beira-Rio, em uma partida marcada pelo volume ofensivo e pela atuação impecável do jovem goleiro Kauan Jesus. Com o resultado, o Colorado pode dormir fora da zona de rebaixamento caso o Corinthians não derrote o Vasco, no São Januário.

Pela segunda vez em 32 rodadas, o Inter marcou três gols em um mesmo jogo — a anterior havia sido o 4 a 1 sobre o Vasco. No papel, a equipe entrou com esquema defensivo. Na prática, apresentou um futebol ofensivo e intenso.

Os gols

Matheus Bahia abriu o placar aos 31 minutos do primeiro tempo. O Colorado já merecia a vantagem e, aos 41, Juninho ampliou para 2 a 0. No segundo tempo, aos 20 minutos, Alerrandro serviu Bernabei, que finalizou livre para decretar o 3 a 0.

Quando o Botafogo pressionou, Kauan Jesus se destacou com defesas importantes. Ao final da partida, o jovem goleiro foi abraçado pelos companheiros e chorou de emoção. Sua atuação elevou as expectativas de que o Inter possa ter encontrado um novo nome para a meta na reta final do Brasileirão.

Esquema e volume de jogo

A equipe iniciou com três zagueiros (Bruno Gomes, Maripán e Juninho), dois laterais (Aguirre e Matheus Bahia), dois volantes (Ronaldo e Thiago Maia), o armador Alan Patrick e os atacantes Bernabei (improvisado) e Alerrandro. Apesar da formação defensiva no papel, o time mostrou grande volume ofensivo, finalizando 16 vezes (oito no gol) até os 40 minutos finais.

A vitória, conquistada diante de 33.406 torcedores mesmo sob chuva, deixa o Inter esperançoso na disputa pela permanência na Série A.



Fachin dá prazo de três horas ao TSE para explicar restrições ao transporte de indígenas


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou neste sábado (24) que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) preste informações, em até três horas, sobre a exigência de autorização prévia para o transporte de eleitores indígenas no segundo turno das eleições, neste domingo (25).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a suspensão de parte da decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que exige aprovação do juiz eleitoral responsável para cada operação de transporte realizada por órgãos federais.

“Em razão do iminente risco de perda de objeto intimem-se, imediatamente, o Tribunal Superior Eleitoral, para que preste informações em 3 (três) horas”, determinou Fachin em despacho.

Após a resposta do TSE, o processo retornará ao ministro, que ainda não decidiu sobre o pedido de suspensão.

Argumentos da PGR e da União

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumenta que a exigência, estabelecida na sexta-feira (23), pode inviabilizar o deslocamento de eleitores que precisam viajar por horas ou dias até os locais de votação.

A PGR solicita que voltem a produzir efeito as decisões da Justiça Federal no Pará que determinaram à União garantir o transporte e aprovaram o plano apresentado pelo governo federal. As medidas também foram estendidas a quilombolas e outras comunidades tradicionais contempladas no plano.

A União apoiou o pedido e alegou insegurança jurídica para cumprir as determinações judiciais. Também solicitou que sejam reconhecidas como legítimas as ações realizadas em cumprimento às decisões da Justiça Federal e ao plano aprovado, até que seja informada da decisão do Supremo.



Nunes Marques afirma que Justiça Eleitoral está mobilizada para garantir livre votação no 2º turno


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, destacou em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, neste sábado (24), que a Justiça Eleitoral está mobilizada para assegurar a livre e espontânea manifestação do eleitorado neste domingo (25).

“Amanhã, a Justiça Eleitoral estará novamente mobilizada em todo o território nacional para assegurar a livre e espontânea manifestação da vontade do eleitorado, garantindo o mesmo clima de tranquilidade e respeito registrado no primeiro turno”, afirmou.

Orientações aos eleitores

Nunes Marques lembrou que os eleitores que não votaram no primeiro turno podem votar no segundo. Ele também pediu atenção redobrada às informações recebidas e compartilhadas, especialmente nesta reta final.

“Vamos elevar nosso senso crítico com mensagens eletrônicas recebidas nesta reta final. Principalmente, aquelas que tenham caráter sensacionalista e acusatório contra quaisquer dos candidatos, ou mesmo contra a Justiça Eleitoral”, declarou.

O presidente do TSE orientou ainda que os eleitores verifiquem o local de votação antes de sair de casa. Segundo ele, houve “um número muito pequeno de alterações”, mas é importante confirmar a informação.

A consulta deve ser feita em canais oficiais, como os sites dos tribunais eleitorais (incluindo o do TSE), o ChatVote (assistente virtual da Corte) e o aplicativo e-Título.




Quais desafios o próximo presidente enfrentará após as urnas?


Ganhar a eleição presidencial deste domingo (25) será apenas o primeiro passo de uma gestão complexa, independentemente do vencedor — Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O desafio começa no dia seguinte, com a necessidade de construir estabilidade política, negociar com o Congresso e atender a uma sociedade polarizada. A capacidade de articulação será decisiva para a governabilidade.

Especialistas ouvidos pelo Correio do Povo apontam os principais gargalos que o novo mandatário terá de enfrentar.

Polarização e comunicação

Desde 2018, a polarização política e social se aprofundou, substituindo o antigo ciclo PT-PSDB. Segundo o cientista político Fábio Hoffmann, as campanhas ainda se adaptam ao ambiente digital, lidando com um eleitor mais volátil.

Para o pesquisador, a comunicação governamental será essencial: é preciso combinar meios tradicionais (TV, rádio, jornais) com as novas plataformas, falando para toda a população e não apenas para um público específico. “Às vezes você tem uma boa política, mas ela não é bem comunicada”, observa.

Reforma tributária

A reforma tributária (PEC 45/2019), promulgada em 2023, entra em sua primeira grande fase de transição a partir de 1º de janeiro de 2027. PIS e Cofins serão extintos, surgirão o IBS e a CBS, e o Imposto Seletivo incidirá sobre produtos nocivos. A transição completa vai até 2033.

Rodrigo Perla Martins destaca que a mudança, por enquanto, é pouco percebida pela população, por se tratar de uma reorganização do sistema. Hoffmann reforça que o próximo presidente precisará acompanhar os impactos reais, especialmente sobre microempresários, e dialogar com o Congresso para eventuais ajustes.

Fim da escala 6x1 e novos regimes de trabalho

A Emenda Constitucional nº 141/2026 encerra a escala 6x1 a partir de 16 de dezembro de 2026, garantindo dois dias de repouso semanal e reduzindo a jornada máxima de 44 para 42 horas (e para 40 horas em dezembro de 2027), sem corte salarial.

Hoffmann alerta que será necessário criar regras de transição para evitar penalizar empresas. Já a proposta de pagamento por hora efetivamente trabalhada, defendida por Flávio Bolsonaro, exige cautela, segundo Martins, pois a CLT ainda é o modelo preferido pelos trabalhadores. Importar modelos de outros países sem considerar a realidade brasileira pode gerar precarização.

Segurança pública, facções e crimes digitais

Pesquisa Datafolha/FBSP aponta que 41% dos brasileiros sentem a presença de facções ou milícias no bairro onde moram. Especialistas defendem inteligência estratégica e cooperação entre União e estados.

A professora Letícia Schabbach destaca a necessidade de atacar as matrizes financeiras dos grupos e realizar ações integradas entre Polícia Civil, Federal e Judiciário. O criminólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo reforça a importância de investigação patrimonial e operações para desmontar o domínio territorial das organizações.

No campo digital, os especialistas pedem maior responsabilização de bancos e plataformas, qualificação das polícias e cooperação internacional para alcançar os organizadores dos crimes.

Financiamento da saúde e envelhecimento da população

A inversão da pirâmide etária, mais acentuada no Rio Grande do Sul, deve se consolidar na década de 2030. Com mais idosos, cresce a pressão sobre o SUS. Hoffmann alerta para dificuldades de financiamento e de distribuição de recursos, além das disparidades regionais que ainda limitam a universalização do sistema.

Transição energética e meio ambiente

O Brasil precisa avançar nas metas do Acordo de Paris e nas propostas do CNPE até 2035. Hoffmann ressalta a importância de parcerias internacionais (como o Fundo Amazônia) e de boa relação com países desenvolvidos. Martins, no entanto, observa que conflitos geopolíticos e a crise energética global podem atrasar a transição.

Independentemente do eleito, o próximo presidente herdará uma agenda densa, que exigirá articulação política, comunicação eficiente e capacidade de negociar reformas em um ambiente ainda polarizado.

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