Sábado terá sol, calor e pancadas de chuva isoladas em parte do RS

 


O sol entre nuvens permanece no Rio Grande do Sul neste sábado. Momentos de maior nebulosidade devem cobrir grande parte do Estado, com possibilidade de chuvas isoladas, especialmente na segunda metade do dia, na faixa Leste, o que inclui a Grande Porto Alegre e o Litoral Norte.

Segundo a MetSul Meteorologia, o começo do dia terá temperatura amena e agradável, mas aquece rapidamente durante a manhã. A tarde será quente no Noroeste, Oeste, Centro e parte da Campanha. Em locais perto da Argentina, as máximas passam de 30°C. Já em pontos mais próximos da costa, a temperatura se eleva menos.

Próxima semana com risco de tempestades
Dados preliminares apontam alto risco de tempo severo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na próxima semana. A MetSul antecipa que uma onda de tempestades pode atingir o Sul do Brasil depois do feriadão.

Os números indicam que um centro de baixa pressão atuaria entre os dias 4 e 6 de novembro, criando condições propícias à formação de nuvens de tempestades. As simulações apontam que haveria alto risco de chuva forte a intensa em alguns pontos, com prováveis ocorrências de temporais localizados de granizo com variado tamanho e vendavais. A baixa pressão deve interagir com ar mais quente de origem tropical, gerando movimentos convectivos na atmosfera que devem levar à organização de tempestades, que podem provocar danos em algumas localidades. No Rio Grande do Sul, conforme projeções dos modelos numéricos analisados pela MetSul, o risco maior de chuva forte e temporais seria na quarta-feira.

Temporais de novembro
Novembro é um mês de alta frequência de temporais no Sul do Brasil porque reúne condições atmosféricas favoráveis à formação de nuvens de tempestade. A primavera avança, as temperaturas aumentam gradualmente e uma maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera favorecem movimentos ascendentes do ar, essenciais para o desenvolvimento de nuvens de temporal, principalmente à tarde e à noite. Com o fenômeno El Niño, que traz mais umidade para os estados do Sul, o risco de tempestades aumenta ainda mais nesta época do ano.



Moda descartável ou memória que dura? O que seu guarda-roupa vai contar daqui a 30 anos



Se você abrisse seu guarda-roupa hoje, quantas peças acha que ainda estariam ali daqui a 30 anos? Quantas ainda estariam contando a história da nossa década?

A pergunta parece exagerada. Quem pensa em três décadas quando compra uma blusa para o fim de semana? Mas talvez seja aí que more o problema: nos acostumamos tanto a consumir moda com prazo de validade que quase não perguntamos o que realmente vale a pena ter.

Houve um tempo em que uma roupa acompanhava a vida. O casaco herdado da mãe, o vestido de uma ocasião especial, a jaqueta que atravessou fases diferentes. Eram peças com história, que passavam de uma geração para outra. Hoje, com a velocidade das tendências e a facilidade de um clique, muitas roupas chegam com a mesma rapidez com que perdem a graça. A necessidade de novidade acabou substituindo a ideia de que roupa também conta quem somos.

A moda sempre teve ciclos. O que mudou foi a escala, a velocidade e o volume. Tendências viralizam e somem em semanas. O que ontem era indispensável hoje parece datado. E o armário corre o risco de virar um estoque de novidades, em vez de um espaço de escolhas pessoais.

Tem também o lado econômico. Nem todo mundo pode investir em peças caras, e preço alto não é garantia de qualidade. O que importa é olhar para material, acabamento, construção e possibilidade de conserto. Mais do que o valor na etiqueta, o que pesa é a lógica que transformou comprar em um hábito automático, alimentado pela sensação de que nunca temos o suficiente.

Mas a reflexão mais interessante é sobre memória. A moda conta a história da humanidade. Basta olhar as roupas de cada década para entender mudanças nos costumes, no trabalho, na posição das mulheres, nos padrões de beleza, na forma de ocupar a rua. O comprimento de uma saia, a popularização do jeans, a liberdade de movimento que certas peças trouxeram — nada disso é isolado. São reflexos de transformações sociais e culturais.

Roupa é um documento do seu tempo. Registra comportamentos, revela valores e ajuda a entender quem fomos. O que hoje parece só uma escolha estética pode ser, amanhã, uma pista importante sobre a sociedade em que vivemos.

Essa história acontece também dentro de casa. O vestido do casamento, o casaco que foi da avó, a jaqueta da juventude. O valor não está na grife, mas no afeto, na lembrança, na identidade que carregam.

Em uma época em que tantas peças são produzidas, compradas e esquecidas em intervalos cada vez menores, vale se perguntar: o que estamos deixando para o futuro? Que histórias nossas roupas vão contar? O que as próximas gerações vão entender sobre nossos hábitos, nossos desejos e sobre o tempo em que vivemos?

Claro que nem tudo precisa durar 30 anos. Não se trata de transformar o guarda-roupa em museu, nem de criar regras para quem ama moda. É só questionar por que trocamos tanta roupa não porque ela deixou de servir ou estragou, mas porque perdeu o apelo do novo.

Talvez a pergunta mais interessante não seja quantas peças vamos conservar por três décadas, mas quantas realmente merecem ocupar espaço na nossa vida.

A moda pode viver de novidades, mas estilo, memória e história não deveriam ter prazo de validade. E você, quando compra uma roupa, está pensando só no próximo look ou escolhendo algo que ainda vai fazer sentido daqui a 30 anos?



O carro mutante: entre a herança das gigantes e o futuro acelerado dos chineses



O automóvel já teve vida fácil. Houve um tempo de pioneiros movidos por ambição, destemor e genialidade, que queriam simplesmente dispensar as próprias pernas — e as quatro patas do cavalo — para ir do ponto A ao ponto B.

Aí veio Henry Ford. Em 1º de outubro de 1908, o engenheiro começou a vender o lendário Modelo T, o primeiro carro feito em linha de montagem, por 850 dólares. Com o dinheiro acumulado de anos de trabalho, operários contratados e uma fábrica em Detroit, Ford criou do zero sua obra-prima.

O Modelo T era produto puro da inteligência humana. Ford vislumbrou, já em 1908, um mundo sobre rodas e um personagem novo: o motorista. No começo, esse motorista dividia a rua com bezerros, cabras, gatos e cachorros que ainda habitavam as cidades acanhadas e as estradas primitivas dos Estados Unidos.

Ford morreu em 7 de abril de 1947, aos 83 anos, mas deixou a poderosa Ford Motor Company. Na época já havia uma família inteira de modelos — De Luxe, Tudor Sedan, Business Coupe, Super Deluxe — um portfólio que mostrava que sua ousadia tinha valido a pena.

De lá para cá, tudo mudou.

Hoje Ford e outras gigantes ainda dependem da criatividade humana, mas dividem as decisões com supercomputadores e superchips capazes de competir com a gente e até de corrigir nossas ações. Algoritmo virou palavra banal. É ele que faz o carro falar, frear sozinho e assumir o volante quando percebe que o motorista não está em condições de dirigir.

Se os carros hoje enxergam muito além do olhar humano, isso é bom. Amplia a segurança. Os pacotes ADAS — sistemas avançados de assistência ao motorista — já não são coisa só de milionários. Estão em carros populares, monitorando faixa, ponto cego, frenagem, e se popularizaram porque o consumidor quer dirigir com mais segurança.

É nesse transe que o hoje já contém o amanhã. Um circuito fechado onde precisamos entender ao menos parte dessa tecnologia para seguir embarcando nessa nova aventura com segurança.

Heritage x futuro

O jornalista Sergio Quintanilha, autor de livros como A Máquina do Desejo e Automóvel e seus Sentidos Mutantes, lembra que convém olhar para o passado para respeitar a genialidade de quem abriu caminho. E inclui as mulheres nessa história — afinal, foi Bertha Benz, esposa de Karl Benz, quem fez a primeira viagem longa da história do automóvel, 106 km entre Mannheim e Pforzheim a bordo do Benz Patent-Motorwagen, levando os dois filhos adolescentes Eugen e Richard para provar que aquele motor a combustão era seguro.

Para Quintanilha, o conceito de heritage — voltar ao passado para dar sentido ao futuro da marca — ainda é a narrativa das grandes montadoras europeias e americanas. Elas disputam o coração do consumidor com história, com Mustang, com tradição.

Só que há uma ruptura acontecendo: a chegada dos chineses, que faz tudo parecer futuro.

Analisar a indústria hoje é extremamente complexo, diz ele. O consumidor global se pergunta: confio em marcas que têm poucos anos de mercado e quase já dominam o mundo?

Nos anos 1990 vivemos a era do carro global. O mantra era lucro acima de tudo. Executivos ganhavam salários milionários para espremer fornecedores, cortar custos de autopeças. Centenas de fornecedores faliram — alguns chegaram a tirar a própria vida após perder contratos. As montadoras passaram a produzir muito mais com muito menos, mas a qualidade despencou. O capitalismo mostrou sua face mais selvagem.

O símbolo dessa economia excessiva foi o Logan, o projeto do carro de 5 mil euros celebrado pelo então CEO da Renault, Carlos Ghosn. Ficou claro que qualidade percebida tem preço. Carros despojados de tudo não teriam vez num mercado que, a partir dos anos 2000, passou a valorizar cada vez mais acabamento, silêncio e tecnologia. A sofisticada Renault levou anos para se livrar da imagem de fabricante de carros pobres.

E aí entraram os chineses.

Hoje eles dominam com veículos de qualidade superior e com um preço que parece sempre justo. A competitividade vem do mercado interno gigante e dos fartos subsídios de um regime que vê o automóvel como peça essencial para transformar a China, de potência regional, em potência global.

Esse carro chinês — mitificado, criticado e desejado — também é fruto de uma geopolítica do risco, onde as peças se movem como num xadrez.

Depois do vexame envolvendo o candidato à presidência da Anfavea, a entidade correu para visitar o vice-presidente da República, velho amigo do setor, com bom trânsito entre os chineses que se expandem no Brasil. A Anfavea quer que as marcas chinesas reduzam as exportações que, segundo as instaladas aqui há décadas, prejudicam a indústria local.

Mas os chineses aceleram a produção local. E em pouco tempo o peso das críticas deve diminuir. O que deve crescer são as associações — como a da Renault com a Geely, que já rende modelos de grande qualidade como o EX2 e o EX5.

Para Quintanilha, o futuro do automóvel estará cada vez mais sujeito a mudanças estruturais, políticas, sociológicas e ideológicas. Não é um jogo para amadores.

Ao consumidor brasileiro de classe média, resta aproveitar o que o carro chinês, em geral, já entrega muito bem: silêncio absoluto, ótima ergonomia interna, aceleração de resposta amistosa, telões enormes e inteligência artificial embarcada.

Quer mais?




Doces ou travessuras: 90 crianças fantasiadas tomam o Centro Histórico de Porto Alegre na 3ª edição do Halloween do La Salle Dores



Dezenas de crianças fantasiadas transformaram a noite desta sexta-feira em um desfile assustadoramente divertido no Centro Histórico de Porto Alegre. A regra é clara: fantasia obrigatória e a escolha clássica — gostosuras ou travessuras. Com baldinhos na mão, elas percorreram as ruas em busca de doces.

O que começou como um movimento autônomo de pais, depois que o Halloween do Colégio La Salle Dores foi cancelado, cresceu e, em 2026, chega à 3ª edição com recorde de público. Segundo a organizadora Bruna Gollin, a evolução é visível:

"No primeiro ano foram 30 pessoas. No segundo foram 50 e esse ano fechamos em 90 crianças, além das famílias. Nessa edição expandimos os locais de coleta de doces e depois seguimos para uma festa um pouco maior, em um lugar aberto onde contratamos empreendedores que vão atender o pessoal com bebida, comida, algodão doce e outros", conta.

Estreante na festa, Lurian Ambrosini foi com o filho Oliver, de 5 anos, e a namorada. "Ele começou a estudar no La Salle Dores, aqui no Centro, esse ano. Foi aí que descobrimos essa festa e estamos gostando muito". Fantasiado de vampiro, Oliver já tinha arrecadado cerca de 10 guloseimas logo no início do percurso e espera encher o balde até o fim da noite.

Com uma tiara de faca na cabeça, Marcelo Storch, de 54 anos, acompanhava o neto Ernesto, de apenas três anos e meio. "A família está toda reunida aqui, nós viemos outros anos para andar pela rua, mas essa é a primeira vez que eu vejo esse movimento todo organizado", comenta.

Para ele, a iniciativa vai além da diversão. "Em 2013 eu estive no Halloween dos Estados Unidos, em Nova Iorque. A cidade toda se movimenta e as pessoas saem fantasiadas, e aqui ele tem oportunidade de se divertir com a turma dele e os coleguinhas".

O grupo se encontrou em um estabelecimento da Rua Duque de Caxias e seguiu pela Bento Martins até a Riachuelo, onde foi dividido em dois subgrupos com percursos diferentes.

As crianças de até sete anos, com seus familiares, percorreram a Riachuelo até a João Manuel e voltaram ao ponto inicial. Já o grupo com mais de oito anos fez um trajeto mais longo, com passagem pela Rua dos Andradas. Depois, todos se reencontraram e seguiram juntos até a pracinha da Fernando Machado para fechar a noite com festa.



SUS já detecta quase 10 mil casos de HPV de alto risco com novo exame mais preciso



Desde que começou a ser oferecido pelo SUS no início do ano, o exame molecular DNA-HPV já identificou 9.904 testes positivos para HPV de alto risco — o subtipo do vírus diretamente associado ao câncer do colo do útero.

O DNA-HPV é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2013 e passou a substituir o tradicional Papanicolau no Sistema Único de Saúde. A grande vantagem é que ele consegue detectar a presença do vírus antes mesmo que ele evolua para uma lesão pré-cancerígena, o que aumenta a prevenção e permite um diagnóstico muito mais precoce.

Um estudo do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp, com mulheres de Indaiatuba (SP), mostrou o impacto disso na prática: o uso do DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção. Enquanto a média de idade de rastreamento com o Papanicolau era de 49,3 anos, com o teste molecular caiu para 39,6 anos.

Até agora, 26 estados já utilizam o novo protocolo. O Espírito Santo, único que ainda não fez a transição, deve receber os testes ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde.

A mudança é estratégica. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil pode registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. É o terceiro tumor mais comum entre as mulheres no país, mas quando descoberto cedo, as chances de cura ultrapassam 95%.


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