Irã dividido: apoio a Israel, críticas ao regime e medo marcam rotina da população

 


O conflito entre Estados Unidos e Irã, marcado por tréguas, acusações, ameaças e trocas de mísseis e drones, está abrindo uma brecha dentro da sociedade iraniana. Moradores de Teerã, Bandar Abbas ou de vilas rurais longe das hostilidades começam a optar por um lado.

A guerra pareceria unir a sociedade em torno de um inimigo comum, mas não é o que ocorre. Parte quer o fim do regime teocrático que perdura desde 1979, eleições livres e que o cargo máximo seja exercido por um presidente ou pelo retorno do filho do Xá em uma transição. Outros preferem monarquia ou presidencialismo. O que não toleram é viver sob o regime dos aiatolás.

Nas ruas, as discussões não existem, pois quem fala abertamente sobre o sistema pode ser preso. Por isso, as redes sociais, mesmo controladas pelo governo, se tornam terreno fértil para manifestações, ainda que com VPNs, forma de mascarar a origem das mensagens. Assim, falam sobre apoio a Israel ou aos EUA e sobre a crença de que ajuda externa pode mudar a situação e reduzir a inflação, um dos pontos que mais gera atrito.

Projeto contra a infiltração

Neste contexto, um projeto de lei iraniano criminaliza entrevistas, discussões ou qualquer comunicação com veículos de imprensa "sediados ou financiados pelos Estados Unidos, por Israel ou por outros países considerados hostis pelo Irã". As penas vão de seis meses a dois anos de prisão. Também passa a ser exigida notificação prévia e obrigatória ao Ministério da Inteligência para contato com quaisquer outros órgãos de imprensa estrangeiros.

Repórteres internacionais já são credenciados no Ministério da Orientação Islâmica, mas, se aprovado, a fiscalização passará a ser compartilhada com o Ministério da Inteligência e com a Guarda Revolucionária (IRGC), o que restringirá reportagens investigativas.

O parlamento ainda analisa o texto, que pretende coibir a "infiltração" de estrangeiros. Em meados de agosto, a estrutura geral foi aprovada por 183 a 4. Desde então, os artigos são debatidos na Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, passando de 19 para 33 artigos. Quando a avaliação terminar, o texto vai ao Conselho dos Guardiões.

O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, tenta manter equilíbrio. Alertou que a lei não pode paralisar a vida cidadã e as relações internacionais. "Certamente devemos combater a infiltração inimiga com total firmeza, mas não podemos redigir uma lei de tal maneira que a vida cotidiana do povo, o comércio, a atividade acadêmica e os contatos do país com o mundo exterior fiquem completamente paralisados. Vamos decretar um lockdown no país", disse, em texto reproduzido pela agência Irna no início de setembro. "A aprovação de regras desmedidas cria um ambiente de insegurança jurídica para cidadãos comuns, acadêmicos e empresários que nada têm a ver com espionagem."

Já o presidente Massoud Pezeshkian afirmou: "Sim, a infiltração existe. Ela existe em todos os lugares. Mas as ferramentas e a tecnologia que existem hoje são mais perigosas do que a própria infiltração". Ele tem enfatizado que a estabilidade depende da preservação do capital humano e que criar um ambiente de suspeição generalizada destrói a confiança nacional.

O advogado Sayyed Anwar, 58 anos, de Bandar Abbas, diz que, se aprovada, será um retrocesso e contrariará a Constituição de 1979. "Não é exequível que devamos pedir permissão a dois, três órgãos do governo para podermos nos comunicar com amigos, parentes ou até mesmo professores ou cientistas de universidades do exterior."

O Brasil

O projeto não cita nominalmente veículos do Brasil como "hostis". A classificação aplica-se a veículos sediados nos EUA e em Israel, financiados por esses governos ou operados pela oposição iraniana no exterior.

Porém, como a notificação prévia é obrigatória, mídias do Brasil e de outros países neutros entram como estrangeiras gerais. O iraniano que pretenda dar entrevista, enviar dados, vídeos ou fotos para jornalistas brasileiros precisará de autorização ou notificar previamente o Ministério da Inteligência. Sem aviso, responderá criminalmente por envio não autorizado.

Divisão

Uns culpam as sanções ocidentais, que asfixiam a economia baseada em hidrocarbonetos. Outros culpam o governo, que gasta para manter Hamas e Hezbollah. Alguns iranianos que conversaram com o Correio do Povo, sob anonimato, afirmaram que um guerrilheiro do Hamas recebia, antes dos bombardeios em Gaza, no mínimo 2 mil dólares para permanecer nas fileiras, dinheiro enviado pelo Irã. Por isso, muitos consideram que o Líbano não firmou paz com Israel por culpa do país persa.

Um exemplo da cisão é Cyro Azadi (nome fictício), empresário de 56 anos. "O próprio povo iraniano não apoiou o time de futebol do governo da República Islâmica este ano", disse, apoiando medidas norte-americanas e criticando o "estilo de vida luxuoso das autoridades do clero em contraste com a situação desesperadora e marcada pela inflação". Ele também afirma que o IRGC é composto por fanáticos que querem exportar o Islã à força.

"Há quatro meses, mataram a tiros 60 mil iranianos — homens, meninos e meninas — simplesmente por protestarem e continuam executando três ou quatro pessoas todos os dias", relatou, ainda que o número não tenha confirmação oficial.

Depois, em nova mensagem, Cyro disse não apoiar o colonialismo: "Sei que, se eles atacassem o Irã para derrubar o regime islâmico, certamente não estariam pensando no povo iraniano, mas sim em seus próprios interesses. Israel, no entanto, é diferente. O país apoia o povo iraniano e alinha-se aos nossos desejos". Para ele, o apoio ao Hezbollah impediu a paz entre Líbano e Israel.

Ele diz ter herdado o Islã do pai, mas passou a detestar a religião por causa do regime. Defende que o futuro governo seja uma república de verdade, com presidente eleito a cada quatro anos, sem líder supremo, embora veja o filho de Reza Pahlavi, no exílio, como alternativa de transição.

Críticas e esperanças sobre a economia

Xerxes (nome fictício), 40 anos, vive no interior, perto de Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz. Diz que alguns lutam para sobreviver, outros vivem confortavelmente por terem conexões com o governo. "Em geral, os benefícios não são distribuídos igualmente. Muitos estão perdendo os seus direitos. Ninguém está na posição que deveria ocupar. É um caso de analfabetos tomando o lugar de alfabetizados."

Dario, comerciante de 50 anos, sustenta esposa e quatro filhos vendendo "baghali" (favas cozidas com vinagre e especiaria local). Mesmo com dificuldades, mantém confiança no novo Líder Supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei: "Mesmo com as dificuldades, tenho conseguido sustentar a minha família e tenho fé em Deus de que o nosso Líder Supremo há de fazer a coisa certa".



Simone Mendes abre 37ª Oktoberfest de Igrejinha com show de sucessos sertanejos




A 37ª Oktoberfest de Igrejinha começou na sexta-feira com muita música e uma das maiores vozes do sertanejo brasileiro. Simone Mendes foi a grande atração da primeira noite da festa, levando ao Palco de Shows (Konzertbühne) um repertório de sucessos que marcaram sua carreira solo, como "Erro Gostoso", "Dois Tristes" e "P do Pecado". A apresentação, realizada à meia-noite, abriu a programação de shows nacionais da edição, que segue até 18 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings, em Igrejinha.


Ao relembrar suas origens em uma pequena cidade da Bahia, Simone destacou o orgulho pela trajetória na música e pela consolidação da carreira solo. A artista também antecipou novidades: "Gravei um novo projeto com vários sertanejos, como Daniel, Leonardo, Bruno e Marrone e Chitãozinho e Xororó, que vai sair em breve".


O propósito social da festa chamou a atenção da cantora, que valorizou a mobilização da comunidade. "É bonito ver vocês se unirem e fazerem um evento tão especial e alcançar tantos corações que precisam dessa mão. Me sinto honrada em participar de um evento tão lindo e que faz tanto sucesso no nosso Brasil", destacou.


Bandas de baile e música típica alemã


Além do show nacional, a sexta-feira teve programação diversificada pelos espaços do parque. Bandas de baile, apresentações típicas e artistas de diferentes estilos receberam os visitantes.


No Pavilhão da Festa (Festhalle), a programação contou com Nicky Morais e Banda Terceira Dimensão. Já na Lona da Oktober (Oktoberzelt), o público acompanhou as bandas Baila Baila e Exemplo, enquanto o Pavilhão do Kerb recebeu a Banda Típica Imigrante e a Banda 10.


Outros ambientes também tiveram atrações. No PUB (Oktober Kneipe), passaram pelo palco Leandro Almeida, Casal das Domingueiras e All The Rocks. Na Lona de Encontro (Treffzelt), a programação reuniu a Banda Típica Amigos do Caneco, Banda TPM e Banda Cava.


A música germânica esteve presente com as bandinhas itinerantes Macega Show e Amigos do Caneco, que circularam pelo parque. A noite ainda contou com atividades tradicionais, como o chopp em metro, no Pavilhão da Festa, e os jogos germânicos, no espaço Kerb e na Lona da Oktober.


Programação segue no fim de semana


A programação segue neste fim de semana com grandes atrações. No sábado, Di Ferrero assumiu o Palco de Shows, enquanto neste domingo haverá apresentações da Turma do Pagode e Traia Véia.


Ao longo de nove dias, a edição reunirá mais de 80 atrações distribuídas em nove palcos, totalizando 150 apresentações. Entre os destaques do segundo fim de semana estão Guilherme & Benuto, Acústicos & Valvulados, a banda alemã voXXclub e Alok.


Com o tema "Um Brinde ao que nos Move", a festa une música, gastronomia, cultura germânica e trabalho voluntário. Organizada pela Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), a Oktoberfest tem seus resultados financeiros revertidos em benefício de entidades da região, reforçando o compromisso comunitário que acompanha o evento desde sua criação, em 1988.



Meia Maratona do Mercado Público reúne mais de 5 mil corredores em Porto Alegre



A 2ª Meia Maratona do Mercado Público foi realizada em clima festivo e temperaturas agradáveis na manhã deste domingo nublado, em Porto Alegre. Conhecida por seu trajeto plano e por percorrer pontos icônicos da área central da Capital, entre eles o interior do Mercado Público, a prova, com percursos de 5, 10 e 21 quilômetros, já tem data marcada para 2027: 3 de outubro, dia do aniversário do ponto turístico, que completará 158 anos.


Neste domingo, mais de cinco mil corredores participaram do evento, organizado pela prefeitura e pelo Clube de Corredores de Porto Alegre (Corpa). O vencedor na categoria principal foi Kauã Vargas Magalhães, que concluiu os 21 quilômetros em 1h06min34s. No feminino, a vencedora foi Fabricia Ester Stedille, com 1h18min51s.


"Porto Alegre tem se consolidado cada vez mais como a capital dos eventos, e acredito que este tem uma capacidade de inclusão social imensa. As corridas mexem com vários setores da economia, vale para gastronomia, infraestrutura, e isso é muito bom. Quem corre, geralmente se alimenta melhor, dorme mais cedo. Inclusive, está havendo uma descentralização das corridas por diferentes bairros, o que é importante", disse o prefeito Sebastião Melo, que também participou de uma das provas.


Melo também anunciou a Meia Maratona da Usina do Gasômetro, cuja primeira edição deve ocorrer em 25 de abril de 2027. O secretário municipal de Esporte e Lazer (Smel), Lucas Elefante, salientou que a prefeitura deve promover um circuito próprio de corridas a partir do ano que vem, com recursos já previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA).


"Vamos também levar provas para dentro dos bairros populosos, e assim fazer com que as pessoas conheçam as coisas boas que há dentro deles. Porto Alegre tem a segunda melhor altimetria do mundo, e as temperaturas ajudam muito também, o que incentiva as pessoas a virem aqui e bater seus recordes", comentou o secretário. Paulo Silva, presidente do Corpa, afirmou que, apesar da busca constante de melhorias, desta vez não houve apontamentos por parte dos corredores. "Essa foi uma boa prova, sem modéstia nenhuma. Estamos muito felizes, mas pensando em fazer ainda melhor no próximo ano", apontou.


Como foi a prova


Com largada no Largo Glênio Peres, os participantes percorreram vias do Centro Histórico e da orla do Guaíba, em trajetos que conectaram esporte, paisagem urbana e história. A meia maratona largou às 5h40, seguida pelas provas de 10 km e 5 km, às 6h30. A competição atraiu participantes de sete estados brasileiros e contou, pela primeira vez, com uma equipe formada por mercadeiros.


Nos 10 km, os primeiros colocados foram Dionathan Freitas Hermes, com 32min19s, e Paola Horst Alves, com 38min57s. Já nos 5 km, os vencedores foram Alex Douglas Pires da Silva, com 16min12s, e Diandra Dorigon, com 20min42s.



Líder do movimento das "baratas" diz que premiê envergonha a Índia após ser detido



O primeiro-ministro Narendra Modi "envergonha" a Índia, declarou neste domingo o líder do movimento das "baratas", Abhijeet Dipke, após ser libertado 24 horas depois de sua detenção, que ocorreu antes de uma manifestação contra a Comissão Eleitoral.


Dipke e dois companheiros do "Partido do Povo das Baratas" (CJP) foram detidos no sábado. "Modi, como primeiro-ministro, é uma vergonha para a Índia", afirmou Dipke em publicação nas redes sociais. "Este país nunca viu um covarde e bully maior", acrescentou o fundador do CJP.


Milhares de manifestantes foram detidos antes do protesto previsto para sábado em Nova Délhi, segundo o CJP, que pediu a seus simpatizantes que prossigam com os protestos nas ruas, apesar das medidas de segurança severas.


A manifestação de sábado estava programada como o ponto máximo de semanas de mobilização da oposição, após denúncias de fraude durante uma revisão nacional do registro eleitoral. O movimento das "baratas" exige a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral da Índia.


Dipke e outros dois dirigentes foram detidos antes que pudessem desembarcar do voo entre Mumbai e Nova Délhi.


Horas depois, um tribunal da capital ordenou a libertação de Dipke, Saurav Das e Ashutosh Ranka, anunciou nas redes sociais Ratna Singh, diretora jurídica do CJP. A liberdade foi concedida sob a condição de "não perturbar a paz durante um ano".


Dipke deixou o tribunal em um veículo preto, observaram jornalistas da AFP. As autoridades estabeleceram ampla operação de segurança no sábado em Nova Délhi, onde milhares de pessoas foram detidas para impedir que se reunissem em Jantar Mantar, informaram o CJP e a imprensa local.


O protesto pede a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral devido a uma revisão nacional dos registros que resultou na remoção de mais de 130 milhões de nomes do cadastro. As autoridades eleitorais afirmam que a revisão tem o objetivo de eliminar nomes duplicados, fraudulentos ou de pessoas falecidas.


Mas observadores apontam que o processo afetou de maneira desproporcional minorias, sobretudo os muçulmanos, o que beneficiaria o movimento nacionalista hindu Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi.


As detenções de sábado provocaram críticas da oposição, que acusa o governo Modi de repressão. Em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu a libertação imediata e incondicional de todos os "detidos arbitrariamente" em Nova Délhi. O CJP e o líder opositor Rahul Gandhi prometeram prosseguir com os protestos, apesar da repressão.

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