Laëtitia Eïdo: a camaleoa que transformou suas raízes em arte

 


Nascida em 25 de outubro de 1985, de pai francês e mãe libanesa, Laëtitia Eïdo cresceu entre mundos. Natural de Saint-Bonnet-le-Courreau, nos Montes do Forez, ela vem de uma família multiconfessional — uma bagagem que se tornaria sua maior ferramenta como atriz.

Antes de brilhar nas telas, Laëtitia estudou arquitetura e fez mestrado e doutorado em cenografia e novas escritas teatrais na Sorbonne Nouvelle, em Paris. Chegou a trabalhar como cenógrafa no teatro e decoradora no cinema. Paralelamente, se formou nas técnicas clássicas de interpretação em Paris, fez estágios com companhias de Peter Brook e Jacques Lecoq e mergulhou na técnica de Sanford Meisner em Londres e Nova York.

Poliglota — fala fluentemente francês, inglês, árabe e hebraico — ela faz de sua origem um passaporte. Interpreta diferentes nacionalidades em mais de dez línguas.

Os momentos que marcaram sua carreira

1. O início como Cleópatra e a heroína indiana
Um dos primeiros papéis de destaque na TV foi justamente um ícone: Cleópatra, no docu-ficção Le Destin de Rome (2011), para a ARTE. Pouco depois, viveu Eshana na série cult francesa Hero Corp, de Simon Astier.

2. A consagração internacional com Fauda
O mundo conheceu Laëtitia em 2015 como Dra. Shirin El Abed, um dos papéis principais da série israelense Fauda, sucesso mundial da Netflix. Médica palestina presa no meio do conflito israelo-palestino, sua personagem complexa e humana rendeu a ela o prêmio Colonna d'Oro de Melhor Atriz no Magna Graecia Film Festival, na Itália, em 2020, e a colocou no radar de Hollywood.

Nos EUA, ela já era conhecida por Strike Back (2010), da HBO/Cinemax.

3. A guerreira berbere de Fadhma N'Soumer
Em 2014, protagonizou o filme franco-argelino Fadhma N'Soumer, rodado nas montanhas berberes da Argélia, em língua cabila. Interpretar a resistente argelina do século XIX lhe rendeu três prêmios de Melhor Atriz: no FESPACO (o maior festival de cinema africano), no Festival Vues du Monde de Montreal e no Festival de Agadir.

4. O reconhecimento em festivais com Holy Air
Em 2017, foi a protagonista feminina de Holy Air, de Shady Srour, como uma árabe cristã de Nazaré. O filme competiu no Festival de Tribeca e ganhou o prêmio FIPRESCI no Festival de Jerusalém. No mesmo ano rodou Tel Aviv on Fire, de Sameh Zoabi.

Desde então, ela transita entre cinema de autor e grandes produções: Les Choses Humaines de Yvan Attal, Chief of Station e Dirty Angels (2024) de Martin Campbell, Elyas de Florent-Emilio Siri, além das séries Liaison (Apple TV+), Citadel (Prime Video) e Pax Massilia 2 (2025) de Olivier Marchal na Netflix.

Ela também é uma das atrizes do aguardado The Way of the Wind, o novo filme de Terrence Malick, onde interpreta Anna.

5. O teatro e a música
Laëtitia nunca abandonou o palco. Estreou com papéis clássicos como Andromaque, de Racine, e Eglé em La Dispute, de Marivaux, e voltou em 2017 com a adaptação de Le 4e Mur de Sorj Chalandon.

E em 2019, nasceu EÏDÖ, seu projeto musical. Apaixonada por música desde criança, estreou com Atlantida, em parceria com os DJs Bart & Baker, faixa selecionada para a coletânea Buddha Bar. Em 2026, cantou L'abondance no EP Les Mots de Isild Le Besco.

Laëtitia Eïdo é o que a imprensa francesa chama de “mulher-camaleão”. Entre Paris, Hollywood, Tel Aviv e Argel, ela construiu uma carreira sem fronteiras, onde falar árabe, hebraico ou francês não é só uma habilidade, mas um ato político e artístico: dar voz a mulheres que vivem exatamente nessa intersecção de culturas.

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