Assembleia gaúcha terá a maior bancada feminina da história, mas com guinada à direita
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul vai tomar posse no ano que vem com uma cara diferente — e histórica.
Das 55 cadeiras, 16 serão ocupadas por mulheres. É o maior número já registrado. Em 2022, eram 11. O avanço é real e importante.
Só que junto com o crescimento numérico veio uma mudança de perfil.
Se hoje a bancada feminina era quase equilibrada — 5 deputadas à esquerda e 6 à direita — a próxima legislatura será bem mais conservadora: serão 12 mulheres do campo da direita e apenas 4 da esquerda.
Esse movimento reflete o cenário geral da Casa, que também ficou mais à direita e mais renovada, com 25 estreantes. O PL foi o grande vencedor: saltou de 5 para 12 deputados e se tornou a maior bancada do parlamento gaúcho.
Quem são as 16 deputadas eleitas:
Campo conservador - 12 nomes:
Adri Cherini (PL), Adriana Lara (PL), Ali Klemt (PL), Bruna Molz (Podemos), Comandante Nádia (PL), Delegada Ana Tarouco (PSD), Delegada Nadine (PSD), Kelly Moraes (PL), Nicole Weber Covatti (PP), Ronize Damassini (PP), Vanice de Matos (PL) e Daiane Mello (PL).
Campo da esquerda - 4 nomes:
Luciana Genro (PSOL), Karen Santos (PSOL), Natasha Ferreira (PT) e Sofia Cavedon (PT).
Mais mulheres no plenário, sim — um marco para a política gaúcha. Mas com uma correlação de forças completamente nova.
Governo mira Nordeste e combate à abstenção para virar jogo no 2º turno
O recado da reunião estratégica convocada pelo presidente Lula nesta segunda-feira foi direto: é no Nordeste e na redução da abstenção que o governo vai apostar para virar o segundo turno.
Quem resumiu a estratégia foi o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo ele, dois objetivos foram definidos: ampliar a votação de Lula no Nordeste e trazer de volta quem não foi votar.
“A orientação geral é ampliar a nossa votação no Nordeste e diminuir a abstenção. Os governadores eleitos em primeiro turno, todos reafirmaram o seu propósito”, disse Guimarães, citando os aliados da região que já garantiram a reeleição neste domingo.
Os números explicam a preocupação. No Nordeste, Lula fez 21.494.584 votos no primeiro turno — 63,77% dos válidos — mas perdeu quase 300 mil votos em relação a 2022. Flávio Bolsonaro marcou 10.398.973 votos na região.
E a abstenção cresceu no país inteiro. Foram 33.469.244 eleitores que não compareceram, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Em 2022, foram 32.770.982 — cerca de 700 mil a menos.
No quadro geral, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na frente, com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos), contra 53.879.538 de Lula (45,16%). O petista teve 3.379.966 votos a menos do que no primeiro turno de 2022.
Guimarães também adiantou que Lula deve ir ao debate da Band no próximo domingo, dia 11, e que ainda nesta segunda ligaria para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar da PEC do fim da escala 6x1 — vista pelo Planalto como trunfo crucial para tentar a virada sobre Flávio.
Questionado sobre a disputa no Ceará, onde o PT enfrentou Ciro Gomes (PSDB) para o governo, Guimarães não escondeu o gosto da vitória:
“Foi difícil, mas vencer o Ciro foi muito gostoso”.

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