Eleições 2026: veja o que pode e o que não pode fazer na hora de votar neste domingo
Primeiro turno será neste dia 4 e 158,7 milhões de eleitores vão às urnas; colinha no papel é liberada e celular na cabine é proibido.
Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às urnas para escolher deputados federais, estaduais (ou distritais), senadores, governadores e o presidente da República. Para garantir um processo eleitoral tranquilo e dentro das regras, confira abaixo as principais orientações sobre o que é permitido e o que é proibido na hora de votar.
Posso levar uma "colinha" em papel para a cabine de votação?
Sim. O eleitor pode levar um papel com os nomes e números de seus candidatos de preferência para consultar no momento do voto, evitando esquecimentos e o uso do celular.
É permitido entrar com o celular na cabine de votação?
Não. O uso de celular, máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer tipo de equipamento que permita registrar o voto é estritamente proibido dentro da cabine. Caso esteja portando algum desses aparelhos, o eleitor deve deixá-lo com os mesários antes de votar. A regra visa proteger o sigilo do voto e evitar coações ou a compra de votos por meio de comprovação em foto ou vídeo.
Posso usar camisetas, adesivos ou bandeiras de candidatos no dia da eleição?
Sim, desde que seja uma manifestação individual e silenciosa. O uso de broches, adesivos, camisetas e bandeiras políticas é permitido. O que não pode é haver aglomerações, manifestações coletivas ruidosas, abordagem a outros eleitores ou qualquer tentativa de aliciamento (boca de urna).
Qual é a ordem de votação na urna eletrônica?
No primeiro turno, o eleitor fará seis escolhas na urna eletrônica, na seguinte sequência:
- Deputado federal (4 dígitos)
- Deputado estadual ou distrital (5 dígitos)
- Senador — primeira vaga (3 dígitos)
- Senador — segunda vaga (3 dígitos)
- Governador (2 dígitos)
- Presidente da República (2 dígitos)
Trabalho no dia da eleição. Tenho direito de sair para votar?
Sim. A legislação garante a todo cidadão o direito de se ausentar do trabalho pelo tempo estritamente necessário para exercer o voto, sem sofrer nenhum desconto no salário.
Quem tem prioridade e direito a acompanhante na seção eleitoral?
Pessoas com mais de 80 anos têm preferência sobre todos os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada. Já pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida têm o direito de entrar na cabine acompanhadas por uma pessoa de sua livre escolha para auxiliá-las no momento de votar.
Qual documento posso apresentar para votar?
É necessário apresentar à mesa receptora um documento oficial com foto. São aceitos, inclusive em formato digital:
- e-Título
- carteira de identidade
- identidade social
- passaporte
- carteira de categoria profissional reconhecida por lei
- certificado de reservista
- carteira de trabalho física
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor.
Como baixar o e-Título para votar nas Eleições 2026: app precisa ter foto
Documento digital é gratuito e vale como identificação na hora de votar no dia 4 de outubro.
Os eleitores poderão utilizar o e-Título, a via digital do título de eleitor, para se identificar perante os mesários e votar nas eleições de 2026 – o primeiro turno ocorrerá no próximo dia 4 de outubro. No entanto, para votar apresentando somente o e-Título, disponível nas plataformas iOS ou Android, é preciso que o aplicativo contenha a foto do eleitor.
Para baixar o e-Título, é necessário acessar a AppStore ou Google Play Store e fazer o download gratuito. É importante verificar se o app aparece como "e-Título - Justiça Eleitoral Brasileira".
Com o aplicativo aberto é preciso preencher os dados: nome completo, data de nascimento, CPF ou Título de Eleitor, e nome dos pais. Após isso, o eleitor deverá responder às perguntas de segurança exibidas na tela e criar uma senha.
Os dados informados devem ser exatamente iguais aos do último atendimento na Justiça Eleitoral. Se houver divergência, o aplicativo não validará o documento. O e-Título poderá ainda solicitar o reconhecimento facial, feito por meio da câmera do aparelho celular.
Além do e-Título (com foto), o eleitor poderá se identificar perante os mesários com documentos oficiais com foto, como carteira de identidade, identidade social (para pessoas trans e travestis), passaporte ou outro documento de valor legal equivalente, carteira de categoria profissional reconhecida por lei, certificado de reservista, carteira de trabalho e carteira nacional de habilitação.
Os documentos oficiais são válidos para votar mesmo fora da validade.
Eleições 2026: disputa presidencial chega ao 1º turno marcada por tensão, cisão e crise no STF
Escândalo do Banco Master, desinformação e ausência de debates diretos marcaram campanha com 12 candidatos.
O Brasil que chega às urnas neste domingo, 4 de outubro, para eleger, além do presidente da República, governadores em 26 estados e no Distrito Federal, 54 senadores, 513 deputados federais e 1.059 deputados nos legislativos estaduais (24 deles distritais) parece ainda distante de superar a cisão que o divide há vários pleitos.
Na corrida principal, para a presidência da República, estão 12 concorrentes, sendo metade deles praticamente ‘invisíveis’. Disputam o cargo o presidente Lula (PT), que tenta o quarto mandato, o senador Flávio Bolsonaro (PL), os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o escritor Augusto Cury (Avante), o empresário Renan Santos (Missão), e também Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata).
Apesar do curto espaço de tempo oficial para a competição, de sua baixa visibilidade nas ruas, ou da sensação de pouco engajamento dos eleitores, a campanha nacional do primeiro turno foi mais uma vez pontuada de tensão. Seu pano de fundo, do início ao fim, foi um escândalo do mercado financeiro, o do Banco Master, precificado como a maior fraude da história nacional. Por suas características peculiares, ele se transformou em um espetáculo que atingiu as instituições da República e atiçou o imaginário nacional sobre promiscuidade, corrupção, traições, festas e ostentação entre ricos e poderosos, mantendo em aberto consequências ainda difíceis de mensurar.
O escândalo do Master gerou uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela invadiu a campanha eleitoral e escancarou a politização do sistema de justiça, colocando em xeque sua credibilidade e dando munição para políticos que usam o pretexto da moralização para tentar erodir as instituições.
Apesar da lista de iniciativas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em coibir notícias falsas e desinformação, os eleitores foram bombardeados pelo uso massivo de acusações e denúncias verdadeiras e falsas dentro e fora das redes. A elas, somaram-se ainda: a sombra de uma fileira de tentativas do governo de Donald Trump de influenciar o pleito nacional. E a inexistência de debates diretos, presenciais, e sérios, entre todos os principais concorrentes ao posto máximo do Executivo, que permitissem comparações justas entre propostas.
Como se nada disto fosse suficiente para confundir a população, na reta final deste primeiro turno chegou à corrida presidencial o ingrediente da ameaça às liberdades religiosa e de expressão, tema que historicamente já se mostrou capaz de fraturar qualquer nação, independente da época.
É neste contexto que 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a votar neste domingo. O cenário, apontam especialistas em marketing político e pesquisadores, ajuda a explicar a cristalização do voto em dois grandes grupos na corrida presidencial, o número de indecisos em diferentes disputas pelos estados e a expectativa sobre quais serão os índices de abstenção seja na contenda nacional ou nas regionais.
“O eleitor está desinteressado e desiludido. Mas não é só porque a radicalização desestimula e desvia o debate do que de fato interessa. É porque enfrentamos já há vários anos um processo muito forte para desacreditar a política, a imprensa, os governos e o Judiciário”, elenca o especialista em análise política José Fuscaldo. Conforme ele, o ataque constante aos pilares da democracia e o surgimento de discursos embasados às vezes abertamente no conceito de necropolítica já estão fartamente documentados como parte de estratégias que, pelo mundo, gestaram regimes autoritários próprios ou alinhados com pares externos.
A grande marca deste pleito de 2026, na avaliação do doutor em Ciência Política Juliano Corbellini, é a do eleitorado ‘anestesiado’. “É uma campanha com baixíssimo engajamento, ânimo e atenção dos eleitores. Entre outros pontos, porque nenhum dos competidores conseguiu desvelar um sonho de futuro muito claro, atrativo. No plano nacional, que se reflete um pouco no estadual, é uma eleição com uma mobilidade muito baixa, disputada em uma margem muito estreita dos votos. Ela é uma eleição de detalhes. Tão apertada que uma pequena oscilação pode mudar o resultado final”, projeta.
Segundo ele, para além de todas as polêmicas e ações da reta final, estrategistas políticos da campanha nacional focam suas energias em três variáveis, devido ao seu potencial de impacto direto sobre o resultado final: são elas o índice de abstenção, o quanto o antipetismo de chegada pode de fato favorecer Flávio Bolsonaro e o quanto Lula consegue aproximar suas intenções de voto dos índices de aprovação do governo, que são superiores. “As condições nas quais terminar o primeiro vão impactar demais o segundo, se houver segundo”, completa.

Comentários
Postar um comentário