Frente fria com vendavais e risco de falta de luz pode causar transtornos nas eleições no RS


 MetSul alerta para temporais com rajadas de até 100 km/h entre a tarde de sábado e a madrugada de domingo; tempo deve melhorar ao longo do domingo.

A MetSul Meteorologia alerta para um cenário de risco de tempo severo no Rio Grande do Sul nas próximas horas com possibilidade de temporais com chuva localmente forte a intensa, descargas elétricas, queda de granizo e vendavais.

Uma frente fria vai avançar pelo estado entre a tarde e noite deste sábado e a madrugada do domingo, mudando o tempo com chuva e alto risco de tempestades localmente fortes a severas. Preocupa o indicativo por modelos de alta resolução da MetSul de formação de uma linha de tempestades de rápido deslocamento junto à dianteira da frente fria. Linhas de instabilidade de rápido deslocamento com tempestades alinhadas agravam e muito o risco de vendavais e que, em alguns pontos, podem ser fortes a intensos com danos e transtornos.

Assim, não podem ser descartados vendavais, em alguns pontos com rajadas perto e ao redor de 100 km/h, no final da tarde e noite deste sábado e na madrugada do domingo, mas enfatizamos que o cenário é menos grave e perigoso que nas grandes ondas de tempestades dos dias 21 de setembro e 6 de agosto.

Os temporais podem causar estragos em algumas cidades. Uma preocupação ante a possibilidade de vendavais é o risco de falta de luz em diferentes municípios do Rio Grande do Sul, horas antes dos locais de votação serem abertos para o primeiro turno da eleição. Embora a chuva no começo do domingo ainda ocorra em parte do estado, sobretudo em municípios do Norte e do Nordeste gaúcho, a tendência é que o tempo melhore no decorrer do dia amanhã com a presença do sol.

O sol aparece já cedo amanhã na Metade Oeste gaúcha e depois se alternará com algumas nuvens em quase todo o território gaúcho. O tempo, no entanto, não deve firmar. Isso porque ao longo da segunda-feira a nebulosidade deve voltar a aumentar com o retorno da chuva na Metade Norte do estado enquanto no Sul gaúcho o tempo deve ficar estável e sem chuva no começo da semana.

A MetSul Meteorologia alerta também que a frente fria, ao avançar para Norte, poderá provocar temporais isolados com vendavais também em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A frente fria já pode provocar chuva e temporais no final deste sábado em setores do Oeste catarinense e ao longo do domingo avança com precipitação e risco de tempo severo localizado pelas demais regiões de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.



Eleições 2026: disputa por duas vagas ao Senado foi a mais acirrada no RS


Com 13 candidatos e 5 nomes embolados, formato de dois votos e poder ampliado do Senado aumentaram tensão na reta final.


É extensa a lista de fatores que tornaram a corrida ao Senado em 2026 no RS a mais agressiva de todo o conjunto da competição. O contexto local dá suas próprias cores à eleição, mas é a combinação com uma série de elementos em disputa no cenário nacional o que explica tanto acirramento.


Há, no Estado, nestas eleições, 13 candidatos, e duas vagas em jogo. Dos 13, oito ganharam maior visibilidade, sendo seis deles detentores de trajetórias ou votações expressivas na política local: um ex-governador, três deputados federais, entre os quais um ex-ministro, o atual líder do governo na Assembleia Legislativa e uma ex-deputada que já integrou chapa presidencial. São eles, pela ordem, Germano Rigotto (MDB), Marcel van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT), Frederico Antunes (PSD) e Manuela d’Ávila (PSol).


Diferentes sondagens eleitorais apontam que, entre os seis, cinco estão ‘embolados’ na disputa pelas duas vagas. E ninguém, dentro das campanhas, arrisca uma aposta fechada. Porque o histórico dos pleitos mostra que, além de o voto para o Senado ser quase sempre o último que o eleitor define, em corridas com duas vagas, ele fica muito suscetível tanto a mudar de opinião como a fazer as combinações mais improváveis.


Além dos seis mais conhecidos, a lista completa de concorrentes inclui Milton Cardoso (Cidadania), Renato Jaguarão (PSDB), Daniela Maidana da Silva e Regis Ethur (ambos do PSTU), Luciano Schafer e Tânia Perez (os dois da UP) e Ric Jones (PCO).


A densidade eleitoral de uma parcela dos nomes, o fato de integrarem coligações com chapas majoritárias competitivas, e de Manuela e Van Hattem apresentarem antagonismo visceral, sendo ambos detentores de forte presença digital, por si só, já garantiria emoção suficiente ao pleito. Mas somou-se a esta configuração o estilo ‘bateu, levou’, de Pimenta, e dois competidores (Jaguarão e Cardoso) com agendas e campanha de rua que ninguém enxerga. Mas que, sempre que podem, atuam como franco-atiradores, à esquerda e à direita.


Ao final, a corrida, já ‘carregada’, ganhou um último ingrediente. Após o capital político de Rigotto lhe proporcionar uma arrancada que gerou temor na dobradinha Sanderson/Van Hattem, exércitos digitais desencadearam nas redes uma ofensiva para tentar ‘liquidar’ com as chances do emedebista. Tão intensa que, entre equipes das campanhas, ganhou o apelido de ‘ataque cibernético’.


Não bastasse o cenário conturbado, a eleição para o Senado tem um formato diferente de todos os demais. E que inclui, neste ano, em todos os estados e no Distrito Federal, a disposição de duas cadeiras em jogo, que resultará em uma renovação parcial, de dois terços, da Casa Legislativa. O terço restante disputará as próximas eleições gerais, em 2030, quando, ao invés de dois, será escolhido um senador em cada estado. Em resumo, o Senado não troca todos os seus integrantes ao mesmo tempo e seus 81 membros, ao contrário de todos os demais detentores de mandatos eletivos, permanecem na cadeira por oito anos ao invés de quatro.


O modelo acaba mesmo por confundir parte do eleitorado, mas tem motivos nobres, como a garantia da manutenção da estabilidade democrática. A renovação alternada foi pensada para, entre outros pontos, assegurar direitos de minorias políticas, minimizar a formação de conchavos, evitar que debates que tratam de questões complexas acabem contaminados por disputas pontuais e impedir que grupos radicais consigam dominar a Casa em função do clima político de um processo eleitoral específico.


A ordem de votação na urna também não facilita para o eleitor. As duas escolhas para o Senado estão no meio de uma lista na qual, para todos os outros cargos, só existe uma opção. Se, ao votar para senador, o eleitor escolher o mesmo nome nas duas opções, vai anular o segundo voto. E, se não tiver atenção, ficar em dúvida, ou com pressa, pode acabar deixando o segundo voto em branco.


Para além do formato único, a composição do Senado, até então uma casa legislativa com a qual a população tinha pouca familiaridade, apesar de sua importância, adquiriu, desde 2015, cada vez mais peso na definição dos rumos do país. Foi a partir daquele ano que o Congresso passou a controlar fatias cada vez maiores do orçamento. Inicialmente, através da instituição das chamadas emendas impositivas, mecanismo que tornou obrigatória, por parte do Executivo, a execução de emendas parlamentares individuais.


O processo se consolidou em 2019 e 2022, com novas obrigatoriedades dando ainda mais poder aos congressistas. E que, em função da falta de transparência e de sucessivas denúncias sobre ilegalidades e desvios, geraram questionamentos e investigações que foram parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Ato contínuo, uma parcela de políticos e partidos passou a hostilizar a Corte, investindo na banalização da possibilidade de impeachment de seus ministros, um processo que só pode ser aberto justamente pelo presidente do Senado.


A disputa por valores bilionários, contudo, não foi o único fator a acirrar as corridas para a Câmara Alta. Incomodado com os sucessivos freios que lhe foram impostos pelo STF, o bolsonarismo encampou com força a bandeira do impeachment de ministros da Corte, e trabalha desde a eleição passada para fazer maioria no Senado, definir seu presidente e, assim, levar a cabo as alterações que pretende na Corte.


Turbinado financeiramente, e por isso bem menos dependente do poder Executivo, e ciente das possibilidades de ter seu poder aumentado também frente ao Judiciário, o Senado passou a fazer valer com empenho crescente algumas das competências exclusivas que lhe são conferidas pela Constituição de 1988. Cabe aos senadores, e só a eles, processar e julgar nos crimes de responsabilidade não apenas ministros do STF, mas, também, o presidente e o vice-presidente da República, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, membros dos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público, o procurador-geral da República (PGR) e o advogado-geral da União (AGU).


São os senadores, ainda, que aprovam ou não a escolha de uma série de ocupantes de cargos-chave do Executivo e do Judiciário, como, de novo, os integrantes do STF, do Tribunal de Contas da União (TCU), o PGR, o presidente do Banco Central e embaixadores. Eles também fixam os montantes globais da dívida pública e autorizam empréstimos externos para a União, estados, municípios e o Distrito Federal.



 Eleições 2026: disputa pelo governo do RS se encaminha para o segundo turno


Juliana Brizola e Luciano Zucco lideram com folga; Gabriel Souza tenta furar polarização em corrida considerada morna no Estado.


No Rio Grande do Sul, que neste ano tem sete postulantes ao Palácio Piratini, a definição do próximo governador caminha para o segundo turno. Estão na disputa, nesta primeira etapa, Cesar Pontes (PCO), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL), Marcelo Maranata (PSDB), Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU).


Entre todos, a ex-deputada estadual Juliana Brizola e o deputado federal Luciano Zucco apresentam, desde o início da corrida, em diferentes sondagens eleitorais, uma distância confortável dos demais. O vice-governador Gabriel Souza é o único que, além de ambos, também ostenta dois dígitos em parte dos levantamentos.


Esta configuração, associada à quantidade expressiva de eleitores que seguem se dizendo indecisos nas pesquisas estimuladas, e mais ainda nas espontâneas (quando não são apresentados os nomes dos concorrentes), faz com que lideranças do MDB sigam projetando a possibilidade de uma virada, apesar de os adversários a terem como improvável.


Em função do entendimento de que estão com posições consolidadas, os comandos das coligações de Juliana e Zucco, além da dedicação a ações para tentar expandir suas vantagens, seja nas redes ou no tradicional corpo a corpo, já começaram a projetar seus desafios para o segundo turno. A ideia, entre todos, contudo, foi reforçar, na reta final, as linhas que nortearam suas campanhas até este domingo, sem mudanças bruscas de estratégia.


Juliana, que se coloca como de centro-esquerda, adotou como balizadoras as palavras diálogo e confiança, para traduzir sua capacidade de negociar com diferentes forças e ideologias. Investiu em sua condição de mulher na política, e na palavra cuidado, para buscar o voto feminino e suas demandas reais, como o combate à violência de gênero e a educação dos filhos. E apostou no imaginário de força e coragem dos gaúchos, principalmente por meio da vinculação com o trabalhismo e o legado de seu avô, o ex-governador Leonel Brizola. Além do PDT, sua coalizão é formada pelas federações PT/ PCdoB/PV e PSol/Rede, pelo PSB e pelo Avante.


Zucco, à frente de uma coligação que tem também PP, Republicanos, Novo, Podemos, DC e Democrata, deixou claro desde sempre sua posição como candidato representante da direita. Sua campanha usou dois conceitos como motes principais: a palavra mudança e a ideia de melhora nas condições gerais do RS, da autoestima dos gaúchos aos indicadores comparativos com os estados vizinhos da região Sul. Ele também investiu no ideário do gaúcho aguerrido, nos valores familiares e na postura de simplicidade, conseguindo desvincular em grande medida sua imagem da radicalização associada ao bolsonarismo e aos setores da extrema direita.


Para tentar furar o bloqueio do voto cristalizado entre direita e esquerda, Gabriel apontou as vinculações nacionais dos dois maiores adversários, tornando-se o mais crítico dos competidores. Investiu na imagem de liderança do centro político mais preparada para o cargo. E usou a estratégia tradicional de quem é governo, defendendo a administração ao mesmo tempo em que prometeu avanços. Na reta final, contou com o incremento das aparições de Eduardo Leite (PSD), aplacando em parte os questionamentos internos sobre o real empenho do governador em fazer o sucessor. Na chapa do MDB estão, além do PSD, a federação Solidariedade/PRD e o Agir.


Entre os concorrentes de partidos com representação na Câmara dos Deputados, alcançou visibilidade também o ex-prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata (PSDB). Apesar do tempo exíguo na propaganda no rádio e na TV e dos recursos escassos, a condição da sigla garantiu sua participação em eventos e debates. Que ele aproveitou com uma campanha que teve como foco a defesa do empreendedorismo, dos valores conservadores e da importância do municipalismo.


Já as candidatas do PSTU e UP e o candidato do PCO, por integrarem siglas que não atingem as metas previstas na legislação, e o espaço que elas assegurariam, mais uma vez se dedicaram a campanhas calcadas em agendas de rua e nas redes sociais.


Ao fim desta etapa, contudo, seja nas equipes dos candidatos que pontuam bem nas sondagens ou entre os de siglas sem mandatos no Estado, o entendimento foi de uma corrida considerada ‘morna’ até aqui. Além de solapado pela sucessão de escândalos e troca de acusações da contenda nacional, e pela virulência que tomou conta da disputada corrida pelo Senado no Estado, o primeiro tempo da competição pelo Piratini teve certa dissonância entre o apresentado pelos postulantes e as expectativas do eleitor. Os primeiros dedicaram boa parte do tempo a debates sobre a dívida do Estado, a prorrogação de financiamentos que dependem do governo federal, e variações da defesa de modelos de negócios entre poder público e entes privados. Os temas, apesar de determinantes, despertam pouca atenção do conjunto do eleitorado. Este deixou registradas em diferentes pesquisas outras prioridades neste 2026: principalmente, as demandas na área da saúde e o medo de novas tragédias climáticas.


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