Eleições 2026: quase 1 milhão de votos ficam em jogo na disputa por Câmara e Assembleia no RS
Saída de 5 federais mais votados abre espaço e gera efeito cascata na corrida pelos 31 assentos em Brasília e 55 no Piratini.
Um espólio que totaliza quase um milhão de votos e a capacidade de seus detentores de passá-lo para herdeiros, em uma movimentação que acaba por impactar também outra das escolhas que será feita pelos eleitores neste domingo. Este é o cenário sobre o qual se desenvolve a eleição para as chapas proporcionais no RS neste ano. As chapas proporcionais são as que englobam as candidaturas para a Câmara dos Deputados (deputados federais), em Brasília, e para a Assembleia Legislativa (deputados estaduais), em Porto Alegre.
Das 513 cadeiras em disputa na Câmara dos Deputados, 31 são do RS. A representação de cada Estado é proporcional a sua população. Já na Assembleia Legislativa, são 55 assentos no total. O que marca as duas corridas neste ano é o fato de que, entre os 31 parlamentares gaúchos que conquistaram uma vaga como federais em 2022, os três com os melhores desempenhos não estão tentando renovar seus mandatos. Um pleiteia chegar ao Palácio Piratini. E dois entraram na briga pelas vagas do Senado.
Luciano Zucco (PL), Marcel van Hattem (Novo) e Paulo Pimenta (PT) são, nesta ordem, os três federais mais votados do RS nas últimas eleições gerais, e os únicos que ultrapassaram a barreira dos 200 mil eleitores. Zucco totalizou naquele ano 259.023 votos. Van Hattem veio logo atrás, com 256.913. Pimenta marcou 223.109. A soma dos escores dos três totaliza 739.045 votos.
Outros dois deputados federais que obtiveram vitória no último pleito também não disputarão a reeleição agora. Márcio Biolchi (MDB), que fez então 99.627 votos, conquistando a 19ª das 31 vagas, está deixando a vida pública. Ubiratan Sanderson (PL), que marcou 86.690, ficou com a 25ª e, na disputa atual, também tenta o Senado. Apesar dos desempenhos mais modestos, eles representam um universo de mais 186.317 votos. O que significa que, ao todo, os cinco parlamentares federais que estão saindo dos cargos também estão deixando para trás exatos 935.362 votos para a Câmara Federal.
A configuração desencadeou, ainda no final do ano passado, quando começaram a ocorrer as articulações para as eleições, uma corrida entre colegas de bancada, lideranças partidárias locais, deputados estaduais, correligionários e adversários, todos com o mesmo objetivo: ocupar o espaço deixado pelos cinco parlamentares.
A movimentação acabou por gerar desdobramentos na composição das nominatas de candidatos a deputado estadual. Porque, a partir do momento em que deputados estaduais se lançaram para federais de olho no espólio dos cinco que não vão tentar a reeleição, se abriram também espaços para que outros nomes, de líderes locais a familiares, tentassem substituir os que estão deixando a Assembleia Legislativa. É uma espécie de efeito cascata, que acabou por garantir, ainda antes do pleito, a renovação de parte do Parlamento gaúcho.
No Legislativo estadual, 10 entre os 55 eleitos em 2022 não tentarão a reeleição, sendo que sete partiram para a competição de deputado federal. Juntos, no pleito passado, os 10 somaram 602.488 votos. Agora deixados em aberto, assim como acontece com os federais.
Os deputados Silvana Covatti (PP) e Ernani Polo (PSD) competem agora pelo cargo de vice-governador, em chapas encabeçadas, respectivamente, pelo PL e o MDB. Frederico Antunes (PSD) concorre ao Senado. Já Gustavo Victorino (Republicanos), Valdeci Oliveira (PT), Juvir Costella (MDB), Patrícia Alba (MDB), Vilmar Zanchin (MDB), Felipe Camozzato (Novo) e Laura Sito (PT) vão tentar uma vaga na Câmara Federal.
Cinco dos que não concorrem à reeleição ficaram entre os 10 mais votados da última corrida para a Assembleia. Victorino, que obteve o maior escore, foi a escolha de 112.920 eleitores. Silvana ficou em quarto lugar, Valdeci em sétimo, Polo em nono e Costella em décimo.
Ao todo, pelo RS, 459 se inscreveram para disputar a preferência dos eleitores gaúchos na competição para a Câmara dos Deputados neste domingo. Sendo, conforme as atualizações na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 435 com registros deferidos. Para a Assembleia, se inscreveram 542 concorrentes, sendo que 528 constam com os registros deferidos na base atualizada do TSE.
Como para deputados existem sempre centenas de competidores e não são realizadas sondagens públicas de intenções de voto, a concorrência é forte, muitos concentram as campanhas em bases geográficas específicas e os resultados, não raro, trazem algumas surpresas. Além disto, apesar da pouca visibilidade na comparação com as eleições majoritárias, os integrantes do Legislativo, no RS ou em Brasília, definem, em grande medida, e cada vez mais, as agendas do Estado e do país.

Comentários
Postar um comentário