Dia de euforia na Bolsa: Ibovespa dispara 7,7% e passa dos 200 mil pontos pela primeira vez na história
Foi um dia para entrar para a história da Bolsa brasileira. Na segunda-feira, 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno, o Ibovespa viveu uma euforia que não se via há mais de seis anos.
O índice fechou em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos — um salto de 14.797 pontos em um único pregão. Ao longo do dia, bateu 209.605,70 pontos na máxima. Foi a primeira vez que o Ibovespa rompeu não só os 200 mil, mas também os 201, 202, 203, 204, 205 e 206 mil pontos, tudo de uma vez. A maior alta diária desde março de 2020, no auge da pandemia, quando subiu 9,69%.
O motivo? O mercado reagiu com otimismo ao resultado das urnas, que deu maioria à oposição na Câmara e no Senado e colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula — com 47,03% contra 45,16%. No mercado, a leitura foi de que a eleição do segundo turno ficou muito difícil para o incumbente, já que nunca um segundo colocado no primeiro turno virou no segundo.
A festa não ficou só na Bolsa. O dólar comercial despencou 4,12%, a R$ 5,001, chegando a R$ 4,95 na mínima do dia. Os juros futuros caíram forte e voltaram para a casa dos 12% em toda a curva. O “índice do medo” brasileiro, o VXBR, chegou a cair 30%. O volume também foi recorde: mais de 5 milhões de negócios, contra uma média de 1,2 milhão.
Lá fora, Wall Street ajudou, com alta das bolsas americanas puxada por tecnologia e queda do petróleo.
No Ibovespa, quase tudo subiu. Petrobras (PETR4) avançou 8,19% e bateu máxima histórica. Itaú (ITUB4) subiu 10,37% e passou dos R$ 50 pela primeira vez. Bradesco (BBDC4) disparou 13,57%, Banco do Brasil (BBAS3) 11% e B3 (B3SA3) 22,63%. No varejo, Magazine Luiza (MGLU3) saltou 24,18%, Lojas Renner 15,39% e C&A 19,71%.
Poucas ficaram de fora da festa: Vale (VALE3) caiu 0,97%, pressionada pelo minério na mínima de dois anos, Suzano (SUZB3) recuou 5,39% e Embraer (EMBJ3) perdeu 3,31%.
Com o rali, já tem banco projetando mais: Morgan Stanley mira 250 mil pontos e o BTG vê potencial de até 45% de alta em cenário otimista. O JPMorgan elevou o Brasil para compra. Os gráficos agora apontam 215 mil, 221 mil e 230 mil como próximas barreiras.
Mas nem todo mundo embarcou sem ressalvas. Para André Matos, CEO da MA7 Capital, é preciso calma:
“É um pregão que o dólar saiu de R$ 5,22 para menos de R$ 5,00 e a Bolsa saltou de 192 mil para a casa dos 200 mil pontos, mas nada na economia real mudou entre sexta e segunda. A dívida bruta segue em 82,9% do PIB, o resultado primário segue negativo, o crescimento projetado para 2027 segue em 1,40% e caindo há quatro semanas. O que mudou foi o prêmio que o investidor cobrava”, alertou.
A pergunta agora é quanto tempo dura a euforia — e se haverá ressaca até o segundo turno, em 20 dias.

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