Rio Guaíba dá trégua na Ilha da Pintada, mas água ainda prende moradores em casa

 


O rio Guaíba finalmente começou a dar uma trégua para quem vive na Ilha da Pintada, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Na medição das 9h25 desta segunda-feira, o nível estava em 1,92 metro — 10 centímetros a menos que na medição anterior.

É uma queda lenta, mas constante. O rio vem baixando desde sexta-feira. O maior alívio foi no sábado, quando recuou 25 centímetros em apenas 12 horas.

Para quem mora na rua Nossa Senhora da Boa Viagem, qualquer centímetro a menos já faz diferença.

"Desde as últimas duas noites, já baixou bastante", conta Daniel Portilla, de 64 anos, morador da rua há 22 anos. Mesmo assim, ainda tem trecho que só passa de galocha. Carro arrisca atravessar, mas muita gente prefere não arriscar.

Daniel, por exemplo, quando precisa sair, dá a volta pelos fundos da casa, que saem na rua de trás. Ficar é uma escolha — a dele e a dos vizinhos. Ele não quis deixar a casa.

Com mais de duas décadas de Ilha, ele já se acostumou com a água batendo na porta, mas diz que a situação piorou.

"De 2023 pra cá, esses alagamentos pioraram muito. Qualquer chuva, vem água na rua", lamenta. A parte onde ele mora é mais baixa, o que complica ainda mais.

Se a água subir de novo, ele tem um plano B que já virou casa: um barco.

"Ali tem quarto, cama, água e placa solar", garante.

A Defesa Civil diz que segue monitorando o Guaíba e as áreas próximas e pede atenção. Mesmo com a baixa, ainda há ruas alagadas. A orientação é seguir acompanhando os canais oficiais.

Na vizinha Ilha Grande dos Marinheiros, a boa notícia já chegou completa: a água recuou totalmente das ruas.

Já na zona sul, na Praia de Ipanema, o nível está normal, mas a cheia deixou marcas. A orla ficou coberta de galhos e troncos arrastados pela força do rio nos últimos dias.




Depois de 50 anos de estrada, Queen decide parar de fazer turnês, diz Brian May



Depois de meio século fazendo o mundo cantar junto, o Queen vai pendurar a estrada.

Quem contou foi o guitarrista Brian May, em entrevista ao jornal The Times. Ele disse que, ao lado do baterista Roger Taylor, tomou a decisão há cerca de 18 meses: não fazer mais turnês.

O gatilho foi pessoal. Durante uma turnê nos Estados Unidos, um amigo muito próximo da família morreu. May quis voltar para casa por alguns dias.

“Eu disse à minha empresária de turnê: ‘Vou dar uma passadinha em casa por alguns dias e já volto’. Ela olhou nos meus olhos e disse: ‘Você sabe que não pode fazer isso’”, relembrou.

Foi ali que a ficha caiu. A vida na estrada tem um preço.

“Adoro tocar, adoro viajar, mas o preço a pagar é sacrificar a liberdade”, disse.

Aos 79 anos, com mais de cinco décadas de shows, estúdios e estádios lotados — incluindo aquele histórico “Don’t Stop Them Now - Queen + Adam Lambert: Supersonic Men” em Porto Alegre, em 2015 — May diz que agora quer outra coisa: tempo.

“Tenho uma esposa, netos e muita astrofísica que quero fazer, então acho que talvez 50 anos sejam suficientes.”

Não é um adeus à música, mas um adeus à correria das turnês. A vontade agora é ficar perto de quem ama e olhar mais para as estrelas — no caso dele, literalmente.


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