Brasil adere ao azul?
Há uma virada generalizada à direita na América do Sul. A questão agora é que, internamente, já vimos nosso país seguir essa onda
Jurandir Soares
Os resultados das eleições deste domingo no Brasil mostraram uma virada generalizada à direita. Em especial, com os resultados para governos estaduais e Senado Federal. Destacando-se, no entanto, a colocação de Flávio Bolsonaro à frente de Lula, já no primeiro turno, o que não era muito esperado. Um resultado que dá à direita uma esperança muito maior de vitória no segundo turno, acompanhando a tendência que se verificou no âmbito dos estados.
E, a confirmar-se, teríamos o Brasil incluído na onda azul que predomina na América Latina. Ou seja, a virada para governos de direita na região, onda que começa na Argentina, passa pelo Chile e segue por Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e entra pela América Central, com destaque para El Salvador de Nagib Bukele que está servindo de referencial de combate à violência e ao narcotráfico.
COMPONENTES
Estes são dois dos aspectos. O outro, que ganha relevância a cada dia, é a corrupção. Não é sem razão que pesquisa do Instituto Akatu apontou que a preocupação maior para 87% dos brasileiros é a corrupção. E não é para menos. Afinal, este fator que se via muito em meios parlamentares, chegou à mais alta corte do país. Ministros implicados em atividades obscuras e, em vez de serem investigados, são protegidos por seus parceiros de Corte.
Tudo isto dentro de um conluio com o governo federal, cujo chefe passou a gozar em sua campanha eleitoral de manobras políticas, usadas por membros da Corte, num acinte à inteligência do cidadão brasileiro. Poderíamos acrescentar ainda um outro componente que se vislumbra no cenário brasileiro: a impunidade. E isto, se já desgosta o brasileiro por sua ocorrência em áreas governamental, legislativa, jurídica, etc, chama mais a atenção quando se tem acusações sobre da Suprema Corte sem que haja investigação.
INTERFERÊNCIA
Tem-se levantado muito durante a campanha eleitoral aqui no Brasil, assim como já ocorreu em outros países da região, a questão da interferência externa. Leia-se interferência de Donald Trump.
É lógico que ele está de olho em tudo que ocorre aqui, especialmente, por se tratar do maior país da América Latina. Até porque ele sabe da crescente influência da China no governo brasileiro.
Aliás, a influência da China na região é cada mais ampla. A ponto de terem construído no Peru o maior porto da região.
O detalhe é que o discurso que Trump reforça aquilo que vem ao encontro dos anseios da população latina, que é o combate à corrupção e ao narcotráfico.
FATORES
Aqui no Brasil a interferência de Trump não tem passado de manifestações de apoio à família Bolsonaro e ao reconhecimento dos descaminhos do nosso Superior Tribunal Federal, com suas interferências eleitorais e censura à liberdade de expressão. O que, diga-se de passagem, não condiz com uma democracia.
Na realidade, pode-se arrolar alguns pontos básicos que alicerçam o descontentamento da população brasileira. Além dos já mencionados, corrupção, narcotráfico e Supremo, temos o custo de vida. Tornou-se evidente a perda de poder aquisitivo da população nos últimos anos. Inflação, juros altos e salários sem reajustes ou com índices abaixo da inflação.
EXEMPLOS
Cumpre indagar sobre o que foi feito até agora com relação aos escândalos do Banco Master e do desconto dos aposentados do INSS?
Dentro deste conluio que hoje envolve governo, legislativo e judiciário, o que tem-se visto é só empurrar com a barriga. Tudo muito parecido com o que vinha ocorrendo nos demais países da América Latina, cuja população, cansada dos desmandos dos governos de esquerda, resolveu virar à direita, aderindo ao que se chamou de onda azul, em contraposição ao vermelho dos governos de esquerda.
A questão agora é que, internamente, já vimos o Brasil aderir a essa onda.
Porém, para acompanhar com o que ocorre hoje na maior parte dos países da região, terá que ser referendada a vitória de Flávio Bolsonaro em 25 de outubro. Se passar para o azul ou continuar no vermelho, a decisão será da população brasileira, sem interferência de Trump.
Correio do Povo
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