Lobista Roberta Luchsinger diz que relação com Lula era só institucional e critica o presidente
A oito dias do segundo turno, a empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca foi profissional nem comercial, e sim institucional.
Investigada por corrupção e tráfico de influência junto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, Luchsinger criticou o presidente várias vezes durante a conversa. “Um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele ou é mentiroso, ou senil”, disse ela, após relatar que Lulinha se encontrou com diversos ministros e chegou a viajar para a casa do ex-ministro da Educação Camilo Santana, no Ceará.
Quem já se descreveu como “melhor amiga” de Lulinha encerrou a entrevista afirmando que, a partir do momento em que o filho de Lula se cala e não a defende do próprio pai, ela se considera a vítima da situação e eles, cúmplices.
Luchsinger também se referiu às vezes em que Lula a chamou de “pilantra” no Podcast Flow e em entrevista à TV Globo. Segundo ela, as declarações geraram ameaças de morte contra ela e suas filhas.
Sobre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a lobista contou que o conheceu para prestar um serviço de revisão de Resoluções da Diretoria Colegiada (RDCs) da Anvisa, com foco em melhorias na área de saúde, e o apresentou a Lulinha. Depois disso, disse só ter ficado sabendo pela mídia que os dois teriam se tornado amigos e viajado juntos.
Em relação às fraudes bilionárias no INSS, Luchsinger afirmou que rompeu o contrato com Antônio Camilo assim que soube do esquema. Acrescentou que seu inquérito na Polícia Federal é público e que, nele, fica claro que ela não tinha relação com o escândalo.
Reitor da PUC-PR, Rogério Mateucci, morre em acidente nos Estados Unidos
O reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Rogério Renato Mateucci, de 55 anos, morreu na sexta-feira (16) após ser atingido na cabeça por um pedaço de telhado de acrílico arrancado pelo vento em Scottsdale, no Arizona, Estados Unidos.
O acidente aconteceu por volta das 18h, durante uma visita guiada ao complexo histórico de Taliesin West, antiga casa de inverno do arquiteto Frank Lloyd Wright. Mateucci viajava a trabalho, acompanhado de outros educadores. Ninguém mais do grupo se feriu.
Equipes de socorro prestaram os primeiros atendimentos no local, mas ele não resistiu. A polícia de Scottsdale investiga o caso, inicialmente atribuído às fortes ventanias.
Quem foi Rogério Mateucci
Nascido em 1971, em Americana (SP), Mateucci ingressou no Instituto Marista em 1992 e se tornou Irmão Marista em 1997. Formado em Pedagogia, era mestre e doutor em liderança educacional pela Fordham University, nos EUA.
Ao longo da carreira, dirigiu o Colégio Marista de Londrina e ocupou diversos cargos de liderança na PUCPR, incluindo a Pró-Reitoria de Missão, Identidade e Extensão. Era reitor desde 2022 e havia sido reconduzido, em dezembro de 2025, para o mandato de 2026 a 2029.
Na universidade, priorizou a identidade institucional, a inovação, a inclusão e a responsabilidade social. Também integrava o Conselho Provincial da PMBCS e o Conselho Superior da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC).
Manifestações de pesar
A morte do reitor gerou profunda consternação nos meios acadêmicos e na Igreja Católica.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou mensagem de condolências, destacando que a vida do irmão Rogério “foi marcada pelo serviço, pela generosidade e pela fidelidade à missão educativa e evangelizadora”.
A Arquidiocese de Londrina, o Semesp, o governo do Paraná e o governador Ratinho Junior também lamentaram a perda. “Recebi com profundo pesar a notícia do falecimento do reitor da PUCPR, Irmão Rogério Renato Mateucci. Meus sentimentos aos familiares, amigos e a toda a comunidade da PUCPR”, afirmou o governador.
Aulas suspensas
A PUCPR e a Congregação dos Irmãos Maristas suspenderam as aulas nos campi de Curitiba, Londrina e Toledo neste sábado (17) e na segunda-feira (19). O expediente também estará suspenso na segunda.
Haverá uma missa em memória do reitor na Capela Universitária Jesus Mestre, às 17h30 de segunda-feira, com transmissão pelo YouTube da universidade. Os detalhes das exéquias serão divulgados assim que o corpo chegar ao Brasil.
Protestos contra o custo de vida voltam às ruas da França e terminam em confrontos
Neste sábado, a França voltou a registrar protestos intensos contra o aumento do custo de vida. A convocação chamada “Amarelos e Jovens” reuniu o movimento dos coletes amarelos, a geração Z, agricultores, professores, ativistas climáticos, aposentados e outros grupos em manifestações pelo país, enquanto o presidente Emmanuel Macron vive os últimos meses de seu mandato.
Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em Paris e em várias cidades. Gritos como “Abaixo o sistema”, “Tomamos a Bastilha” e “Macron renuncia” ecoaram entre os participantes. Muitos criticaram também a atuação policial nos recentes protestos estudantis.
“Hoje há um ponto de convergência de muitas revoltas, todas legítimas e todas mais ou menos conectadas”, disse à AFP Florine Pigny, tatuadora de 36 anos, que mora nos arredores de Paris e se preocupa com o futuro da filha e com os serviços públicos.
A alta dos preços — especialmente dos combustíveis, impulsionada pela guerra no Oriente Médio — está no centro das reclamações. “No fim do mês não sobra nada; os preços sobem, mas os salários, não. Não aguentamos mais, estamos sufocando”, desabafou Franck, funcionário público que participou de um ato em Guéret, no centro da França, ao lado de cerca de 300 pessoas, incluindo muitos estudantes.
Cenas de tensão
Nas grandes cidades, os protestos ganharam tom de caos. Em Marselha e em Lille, manifestantes invadiram prefeituras. Em Marselha, um busto de Marianne, símbolo da República, foi derrubado.
Em Paris, a Praça da República foi palco de confrontos. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água contra objetos lançados por grupos mascarados. As autoridades proibiram manifestações em locais estratégicos, como a Champs-Élysées e as imediações do Palácio do Eliseu. Até as 15h (horário local), 272 pessoas haviam sido detidas no país, segundo o Ministério do Interior.
O retorno dos coletes amarelos
A mobilização marca o retorno do movimento que, em 2018 e 2019, sacudiu a França com protestos contra o aumento de impostos sobre combustíveis. Na época, as cenas de violência e a resposta policial chocaram o país.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou que as forças de segurança poderão usar granadas de efeito moral em caso de distúrbios. Macron, por sua vez, pediu “calma” na sexta-feira e lembrou que o direito de se manifestar deve vir acompanhado de “respeito”, sem insultos nem destruição.
A seis meses da eleição presidencial, a França vive um momento de tensão social e política.
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