Dólar sobe forte a R$ 5,08 com medidas de Lula e expectativa por pesquisa eleitoral
Em alta firme desde o início dos negócios, na contramão do comportamento da moeda americana no exterior, o dólar renovou máximas na reta final do pregão e encerrou o dia perto do nível de R$ 5,10, no maior valor de fechamento desde a última sessão antes do primeiro turno da eleição presidencial.
Operadores e analistas atribuíram a arrancada da moeda americana a uma postura defensiva dos investidores diante da expectativa pela divulgação da pesquisa Datafolha, que pode trazer crescimento das intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vitória da oposição é vista como fundamental para uma mudança na política fiscal a partir de 2027.
Houve também menção à notícia de que Lula pode prometer "tarifa zero" para o transporte público aos fins de semana e feriados em eventual quarto mandato. Avalia-se que a campanha do petista ganhou fôlego após as manifestações no fim de semana e a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
Após tocar a máxima a R$ 5,0983, o dólar à vista terminou em alta de 1,15%, a R$ 5,0868 - maior valor de fechamento desde 2 de outubro (R$ 5,2165). Embora tenha avançado nos últimos três pregões, a moeda americana ainda recua 1,70% frente ao real no mês. No ano, as perdas são de 7,33%.
"O movimento do câmbio nesta quinta é majoritariamente doméstico e eleitoral, com as pesquisas tirando parte do conforto que o mercado vinha precificando", afirma o especialista de câmbio Guilherme Casa Grande, da Manchester Investimentos.
Levantamento da Quaest sobre intenções de voto para o segundo turno, divulgado na noite de quarta, mostrou Flávio Bolsonaro com 46% contra 44% de Lula - quadro de empate técnico. Pesquisa Indexa/Broadcast trouxe resultado similar.
Alcolumbre retira PEC da Segurança da pauta após impasse sobre maioridade penal
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tirou a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública da pauta momentos antes da votação na sessão desta quinta-feira.
A proposta, iniciativa do governo Lula, prevê endurecimento penal contra integrantes e líderes de organizações criminosas, facções, milícias privadas e grupos paramilitares, ampliação da competência da Polícia Federal e autorização para a Polícia Rodoviária Federal (PRF) atuar em rodovias, ferrovias e hidrovias federais, entre outros itens.
"Eu vou tirar de pauta a PEC da Segurança Pública, porque agora vamos aguardar um entendimento dos senadores e das senadoras sobre o tema. Agora estou sendo o culpado por emendas que foram apresentadas (que vão) alterar o texto, que vai voltar para a Câmara, que não pode ser uma discussão açodada", afirmou Alcolumbre.
O líder da oposição, o senador Rogério Marinho (PL-RN), questionou a razão da retirada de pauta e se havia sido devido a um pedido do governo federal. Alcolumbre respondeu que se deveu a uma decisão particular.
As emendas mencionadas por Alcolumbre são de autoria de Marinho e de Camilo Santana (PT-CE), que reduzem a maioridade penal.
O Palácio do Planalto articulou a proposta para tentar anular a iniciativa dos bolsonaristas de reduzir a idade de imputabilidade penal a até 14 anos, para crimes hediondos - mas não chegou a um entendimento sobre a estratégia para reduzir danos.

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