Como evitar a angústia elétrica em viagens com carro elétrico
Autonomia, velocidade e planejamento de recarga são pontos-chave para um trajeto tranquilo.
O primeiro carro elétrico testado na editoria de Carros e Motos do Correio do Povo foi o hatchback Bolt, em 2019. O teste para a imprensa foi realizado num circuito improvisado em uma ampla área da Unidade Industrial da GM, em Gravataí.
Com design agradável e trajetória exitosa no mercado norte-americano, o modelo surpreendia pela dirigibilidade, autonomia de 380 quilômetros, motor elétrico com 203 cavalos e torque de 36,7 kgfm.
Depois, a GM emprestou o Bolt para um teste de rodagem mais longo. O teste foi limitado pela falta de infraestrutura para recarga no Brasil, mas foi uma experiência válida que abria uma janela para o futuro.
Em um plano global, a GM foi pioneira na eletrificação com o EV1, lançado em 1996. A produção durou até 1999 e, inexplicavelmente, a GM recomprou e destruiu todos os EV1, nunca explicando as razões. Talvez o medo de que segredos tecnológicos passassem para a concorrência tenha motivado a decisão.
Estamos em 2026, em um mundo com o onipresente carro elétrico, feito na China, Polônia, França, Alemanha e Brasil, entre outros países. A demanda crescente é resultado da oferta global de centenas de modelos.
Eles são suaves no design e oferecem prática e deliciosa dirigibilidade. Ainda assim, habitantes de países em desenvolvimento, como o Brasil, olham o carro elétrico com desconfiança.
As perguntas são sempre as mesmas: qual a autonomia? É durável? A bateria dura por muito tempo? Há risco de incêndio em colisão? Já existe assistência técnica? A desvalorização é acelerada?
São dúvidas razoáveis, por se tratar de um novo produto. Mas uma questão já pode ser respondida: sim, vale a pena. O carro elétrico se associa à possibilidade de um mundo livre da poluição gerada pelos combustíveis fósseis.
A parte prática
Mais de 30 modelos já passaram pela editoria de Carros e Motos. Número suficiente para oferecer dicas práticas. Esqueça água, óleo, corrente dentada e outras preocupações dos carros a combustão.
Mas você terá que esquecer aquele velho posto à beira da estrada onde para para abastecer e comer a empada. Este é um problema a ser solucionado, porque 90% dos postos não têm estrutura para recarga de carro elétrico. Os que têm, em geral, disponibilizam dois ou três pontos no máximo. Mesmo nas cidades, os pontos são escassos. Até o momento, o Poder Público continua mais interessado em prospectar novas fontes de petróleo do que em viabilizar uma rede de recarga.
Mas nem tudo está perdido, pois há grandes empresas interessadas em montar redes. Por enquanto, o proprietário do carro elétrico deve ficar atento à carga para cumprir determinado roteiro.
Dicas para evitar a "angústia elétrica"
O uso rodoviário indica que a viagem segura se encontra em uma distância de até 400 quilômetros. Você ficará mais tranquilo em até 350 quilômetros. Mas terá de usar esta regrinha que evitará a chamada "angústia elétrica" - o momento em que a carga de lítio já se mostra incompatível com a quilometragem até o ponto de chegada.
Deve-se evitar o uso da alta velocidade. Em um País onde o máximo de uma BR-101 de 110 km/h em geral é de 130 ou 140 km/h, o uso da alta velocidade pode reduzir a autonomia em 50%. A regra mais segura é o "devagar e sempre".
O uso de velocidade em torno dos 100 km/h vai bonificar o motorista com maior autonomia. Os carros elétricos, mesmo os mais potentes, têm velocidade máxima em torno de 170 km/h. Um Porsche que chega a 250 km/h, se for elétrico, terá velocidade máxima em torno de 190 km/h. E, mesmo assim, terá sua autonomia reduzida em, no mínimo, 30%.
O carro elétrico, em seu silêncio absoluto, com suspensão mais macia e ergonomia interna superior, é um veículo destinado ao prazer da condução. Sem excessos.
O proprietário do elétrico sente uma tranquila superioridade por ser um passageiro do futuro. Em relação ao custo de manutenção, um carro elétrico tem 60% menos componentes mecânicos.
A bateria de íon-lítio, item mais caro, tem duração média de 8 anos.
Híbridos plug-in: uma alternativa para viagens longas
Para distâncias acima de 500 quilômetros, é fundamental uma análise prévia do roteiro para saber onde estão os pontos de recarga. Os mapas digitais rodoviários que incluem serviços podem orientar.
Se a angústia elétrica persistir, opte pela compra de um híbrido plug-in. Ele disponibiliza em geral dois motores elétricos e um a combustão. São carros com autonomia que supera os 1.000 quilômetros. Um plug-in híbrido, como o Song da BYD, pode ser utilizado no modo elétrico e a combustão por até 1.200 quilômetros.
São carros utilizados na cidade mais no modo elétrico do que a combustão.

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