Lula participa de convenção de Haddad em SP e defende soberania nas eleições

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (25), em Campinas (SP), do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo.

No discurso, Lula defendeu que as eleições brasileiras sejam decididas apenas pelos eleitores do país e criticou interferências externas.

"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Quem vai decidir o destino desse País são os 157 milhões de eleitores", afirmou. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente disse que "o aviso está dado" e que o Brasil é soberano e quer manter relações com todos os países.

Lula também comentou a disputa estadual. Elogiou a chapa formada por quatro ex-ministros - com Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ao Senado e Márcio França como vice - e disse que precisará das candidatas no Congresso. "Porque a gente vai ter muito problema. A política está apodrecida", declarou.

Disputa em São Paulo

Haddad vai disputar o governo paulista pela segunda vez. Embora reconheçam o favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, petistas afirmam que o objetivo é desconstruir a gestão atual e garantir palanque para Lula no maior colégio eleitoral do país.

No discurso, Haddad citou dados econômicos do governo federal, como o baixo desemprego, e afirmou que São Paulo cresceu abaixo da média nacional nos últimos 12 meses. Criticou as privatizações da Sabesp e das linhas de metrô e trem, afirmando que foram feitas "a toque de caixa" e entregues "a empresas sem a menor experiência". Segundo ele, após a venda da Sabesp houve aumento na conta e falta de água. "Quando a água chega, chega suja", disse.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deve ter papel ativo na campanha, chamou a gestão de Tarcísio de "bolsonarismo envergonhado" e disse que "essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do Estado", em referência aos leilões de privatização.

Márcio França, candidato a vice, chamou Tarcísio de "político ingrato" e disse que "nem a família Bolsonaro" acredita nele, em referência ao fato de Tarcísio ter sido preterido na disputa presidencial pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido.

Simone Tebet, que transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, criticou a relação de Tarcísio com o interior e com prefeitos e afirmou que o governador não dialoga com os municípios. Marina Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro por articulações nos EUA.

A convenção também teve exibição de vídeos do encontro entre Lula e Trump e distribuição de material que criticava Tarcísio por ter comemorado a vitória de Trump com boné "Make America Great Again" e citava os impactos do tarifaço americano. Peças publicitárias exibidas no evento criticavam a privatização da Sabesp e o aumento de casos de feminicídio no Estado.

A escolha de Campinas para a oficialização, segundo o PT paulista, simboliza a prioridade de avançar no interior, região historicamente mais resistente ao PT. Em 2022, Haddad venceu Tarcísio na capital por 54,5% a 45,5%, mas perdeu no interior. A aposta do partido é que Tebet e Alckmin façam agendas no interior para ampliar o alcance.

Tarcísio, por sua vez, reuniu em torno de sua candidatura partidos que apoiaram Rodrigo Garcia em 2022, incluindo o PSDB.

A disputa pelo governo de São Paulo deve ter apenas Tarcísio e Haddad como principais candidatos, além de legendas menores sem representação no Congresso.

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