Em 1ª visita de um chefe da ONU à Síria desde 2009, Guterres pede apoio à transição e fim de violações de Israel

 


O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste sábado (25) o fim das violações cometidas por Israel em território sírio e que a comunidade internacional apoie a transição política na Síria após mais de 13 anos de guerra civil.

Guterres é o primeiro chefe da ONU a visitar o país desde a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, derrubado por uma coalizão de rebeldes islamistas. A última visita de um secretário-geral havia sido de Ban Ki-moon, em 2009, dois anos antes do início do conflito que matou mais de meio milhão de pessoas.

"Ressaltamos a importância de respeitar plenamente a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial da Síria", afirmou Guterres em coletiva de imprensa em Damasco.

Ele criticou a presença israelense na região das Colinas de Golã, ocupada por Israel desde 1974 e anexada unilateralmente em 1981. "O que está acontecendo na região ao redor das Colinas de Golã é totalmente inaceitável. É território sírio", declarou.

Ao seu lado, o ministro sírio das Relações Exteriores, Assad al Shaibani, exigiu uma "retirada imediata e incondicional" das forças israelenses, que avançaram para a zona-tampão patrulhada pela ONU após a queda de Assad. Israel afirma que pretende manter uma "zona de segurança" no sul da Síria.

Apesar da tensão, os dois países mantiveram rodadas de negociações diretas e acordaram criar um mecanismo de intercâmbio de inteligência.

Segundo a mídia estatal síria, Guterres também se reuniu com o presidente Ahmed al-Sharaa, após visitar a Cidade Velha de Damasco. O chefe da ONU visitou ainda uma força de paz da ONU estacionada nas Colinas de Golã.

"Estamos prontos para apoiar sua transição política, incluindo seus esforços para garantir a justiça de transição, redigir uma Constituição permanente e realizar eleições livres e justas", disse Guterres, classificando o momento como "crucial".

Desde que al-Sharaa assumiu, a comunidade internacional tem pressionado por um modelo de governança que inclua todos os segmentos da sociedade síria, multiétnica e multirreligiosa.

A guerra destruiu a infraestrutura do país e provocou uma grave crise humanitária. Segundo a ONU, desde a deposição de Assad, 1,9 milhão de deslocados internos e 1,7 milhão de refugiados retornaram, mas ainda há cerca de 5,5 milhões de deslocados dentro da Síria e 6 milhões no exterior. Cerca de 15,6 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária para sobreviver.

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