Governo brasileiro diz ver com preocupação plano de Ortega de eliminar eleições na Nicarágua
O governo federal afirmou nesta quinta-feira, 23, que recebeu "com preocupação" o anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, sobre a intenção de eliminar eleições no país para impedir a participação de adversários.
Em comunicado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que "a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso". No texto, Brasília pediu que o governo nicaraguense assegure "ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes".
No poder desde 2007, Ortega, de 80 anos, descartou no domingo a realização de votações que possam permitir a chegada da oposição exilada ao governo. Ele governa ao lado da esposa, Rosario Murillo.
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano, mas uma reforma constitucional aprovada há um ano e meio ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, adiando o pleito para novembro de 2027.
As relações entre Brasil e Nicarágua estão fragilizadas desde 2024, quando o embaixador brasileiro Breno de Souza foi expulso da Nicarágua por não ter comparecido a uma cerimônia do aniversário da Revolução Sandinista. O Brasil adotou medida recíproca e as relações diplomáticas permanecem nesse patamar.
Ortega tem sido criticado por medidas que excluíram rivais de eleições contestadas. Líderes oposicionistas foram presos ou forçados ao exílio, com perda de nacionalidade e bens, além de jornalistas, intelectuais e religiosos críticos ao governo.

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