Barcelona impõe teto de 16 milhões de turistas por ano para conter turismo excessivo
Depois de quase uma década tentando frear o turismo de massa, Barcelona decidiu impor um limite: não receber mais do que 16 milhões de visitantes por ano.
Em 2025, a cidade recebeu 15,7 milhões de turistas. A ideia agora é estabilizar esse número e não crescer mais. "A mensagem da cidade agora é: nem um turista a mais. Não queremos crescer mais. Dezesseis milhões é o máximo", afirmou José Antonio Donaire, comissário de Turismo Sustentável da cidade, em entrevista ao The New York Times.
A Espanha é o segundo país mais visitado do mundo e Barcelona concentra alguns dos pontos mais disputados, como a Sagrada Família - que recebeu quase 5 milhões de visitantes em 2025 e se tornou a igreja mais alta do mundo, com 172,5 metros -, o Parque Güell, La Rambla, o Mercado de La Boqueria e o Museu Picasso.
Mudança de perfil
Hoje, cerca de dois terços dos visitantes vão a lazer. A prefeitura quer equilibrar o perfil para que, no futuro, um terço seja de negócios, um terço de cultura e um terço de lazer.
"Não adotamos uma postura contrária ao turismo. O que precisamos é administrar a atividade de forma organizada", disse Donaire.
Segundo ele, a própria oferta de hospedagem vai limitar o crescimento. "Já neste verão estamos vendo pessoas que não conseguem vir porque não encontram onde ficar. Não vamos atender ao aumento da demanda."
As medidas já adotadas
O teto faz parte de um pacote mais amplo:
Desde 2017, há moratória para construção de novos hotéis;
As licenças para apartamentos de temporada no Airbnb acabam em 2028 - no ano passado, o governo espanhol bloqueou 65 mil anúncios;
Aumento da taxa turística para que os visitantes paguem pelos serviços que usam, como segurança, limpeza e transporte;
Imposto mais alto para cruzeiros que fazem escala de apenas um dia na cidade.
A prefeitura também quer devolver espaços aos moradores, como a La Boqueria, com mais bancas de produtos do dia a dia e menos comida pronta para turistas, e a La Rambla, com comércio mais diversificado.
"É importante que qualquer morador possa comprar um pão, um livro ou um parafuso no seu bairro", afirmou o comissário.
A decisão ocorre em meio ao debate sobre o "overtourism", quando um destino recebe mais turistas do que suporta, gerando alta nos aluguéis, no custo de vida, no lixo e perda de identidade dos bairros - fenômeno acelerado pelas plataformas de aluguel por temporada e pelas redes sociais.

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