Alan Patrick divide a torcida do Inter e volta ao time titular contra o Flamengo
Fenômeno no Beira-Rio, Alan Patrick é sempre assunto entre colorados. Retornou ao time titular na quarta-feira contra o Flamengo, após ser bancado por Paulo Pezzolano, e voltou a dividir opiniões.
"Ele sabe muito bem o seu papel no vestiário e está fazendo muito bem seu trabalho. É um jogador de qualidade tremenda e que vamos necessitar muito, jogando pouco ou não", defendeu Pezzolano, o único dos últimos técnicos a bancar o camisa 10. Antes, Mano Menezes, Eduardo Coudet, Roger Machado e Ramón Díaz nunca abriram mão do capitão.
A saída ocorreu a partir da 7ª rodada do Brasileirão, na primeira vitória contra o Santos na Vila. Pezzolano recuou de seu modelo propositivo para um mais conservador.
"Futebol é cada vez com menos espaço e menos tempo. Ele não encaixa na dinâmica do futebol de hoje. Quando saiu, houve progresso. O Inter precisa de um modelo que não seja baseado no Alan Patrick", aponta Rogério Amaral, da Rádio Guaíba.
Trajetória de idolatria sem títulos grandes
Poucas camisas na carreira: Santos, Shakhtar Donetsk por seis temporadas, Flamengo, Palmeiras e Inter, onde retornou em abril de 2022. No currículo no clube, só dois Gauchões e uma Recopa.
"Quando um clube tem dificuldade para conquistar títulos maiores, bons jogadores com liderança acabam marcados. Como foi o Tcheco no Grêmio e agora o Alan Patrick. Dividem o torcedor entre quem exige conquistas e quem os enxerga como ídolos. O baixo rendimento recente tem arranhado essa imagem", avalia Gutiéri Sanchez, da Guaíba.
Os números sustentam
Foram 81 minutos contra o Flamengo antes do gol de empate, suficientes para reacender o debate. As eliminações na Sul-Americana 2022 e 2024, Libertadores 2023 e 2025, Copa do Brasil 2022 a 2025, Gauchão 2023, 2024 e 2026 e nenhum título no Brasileirão pesam menos para parte da torcida que sua presença.
"Os números explicam por que continua indispensável. Desde 2022 são 216 jogos, 59 gols e 41 assistências. Como Jair, o Príncipe, nos anos 70, é vítima do preconceito contra o 'falso lento'. Parece jogar em outra velocidade, mas é sua inteligência que acelera o time", argumenta Nando Gross.
Opinião oposta tem Fabiano Baldasso: "Representa uma liderança flácida comparada ao D'Alessandro. Depois da renovação com aumento, foi perdendo competitividade e intensidade. Hoje não é mais fundamental. O ciclo deveria ser encerrado. Jogador lembrado é o que ganha títulos".
No Beira-Rio, na quarta, o termômetro foi claro. "Ele ainda é referência técnica, mas foi vaiado quando saiu para entrada de Calebe. Logo depois os aplausos abafaram as vaias", contou Thalia de Castro, repórter de torcida da Guaíba.
A psicologia por trás
Débora de Oliveira, jornalista e psicóloga do esporte, fala em 'contrato invisível':
"Quando o jogador deixa de corresponder à imagem idealizada, a admiração pode cair bruscamente. Ele deixa de ser percebido em sua complexidade e passa a ser avaliado só pelo desempenho do momento. Quando o valor fica condicionado ao desempenho ou à aprovação externa, um fracasso pontual gera reação desproporcional".
A partir de domingo, contra o Corinthians pelas oitavas da Copa do Brasil, Alan Patrick terá nova chance de buscar um título relevante. O vínculo vai até o final de 2027.

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