Após megaincêndios, milhares voltam para casa na Espanha e França sob alerta de nova onda de calor
Dezenas de milhares de evacuados pelos megaincêndios que atingem Espanha e França começaram a voltar para casa nesta quarta-feira, 29, embora as autoridades peçam cautela com a chegada de nova onda de calor.
Os dois países enfrentaram na última semana alguns dos piores incêndios florestais de que se tem memória, que devastaram vastas áreas e forçaram a saída de dezenas de milhares de pessoas.
Na Espanha, as últimas ordens de evacuação foram suspensas em Ávila. Na Comunidade de Madri, restam apenas mil pessoas fora de casa, após o retorno autorizado de mais de 8,5 mil moradores de Valdemaqueda e Robledo de Chavela.
O retorno foi marcado por destruição. "Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa", disse à AFP José Fernández, 74 anos, ao encontrar móveis queimados e cinzas em Pelayos de la Presa, perto de Madri. Em Aldea del Fresno, Susana Barrul, 39, teve mais sorte: "Estamos felizes por voltar. Estamos tentando retomar a normalidade".
As condições mais amenas da noite ajudaram a estabilizar as chamas. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que as próximas horas serão "decisivas".
Na França, o incêndio que devastou 42 mil hectares no sudoeste, perto de Bordeaux, não avançou pelo terceiro dia consecutivo, informou o governo de Gironde. "Foram registrados sete focos relativamente intensos; três continuam ativos, mas permanecem nas áreas já atingidas", disse a representante Sophie Brocas. Dezenas de milhares dos mais de 220 mil evacuados foram autorizados a voltar. Em Lanton, a fumaça espessa ainda cobria a região.
Os bombeiros alertam que, mesmo contido, "o fogo continuará queimando sob a superfície durante semanas, talvez até anos", disse o tenente Cyril Venière.
A dimensão dos incêndios é atribuída às sucessivas ondas de calor e à seca desde junho, fenômenos ligados à mudança climática. A União Europeia alertou que o risco deve se estender ao centro do continente nos próximos dias.
Enquanto isso, a Grécia combate fogo em Paros, com dois bombeiros mortos em Creta e um terceiro em Gítio, no Peloponeso. Na Turquia, centenas foram evacuadas no sul, com 90 focos, 81 já controlados, segundo o presidente Erdogan, e mais de 3 mil bombeiros mobilizados.

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