Crise em Ceuta: Espanha envia Exército após entrada de milhares de imigrantes do Marrocos
Espanha envia Exército a Ceuta para conter maior entrada de imigrantes desde 2021
O governo da Espanha enviou o Exército a Ceuta nesta quinta-feira, 30 de julho, para conter uma entrada massiva de imigrantes vindos do Marrocos e garantir a segurança na "emergência humanitária". É a maior chegada ao enclave desde maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em dois dias.
Centenas entraram nesta quinta pulando a cerca ou a nado, somando-se a 1,5 mil que chegaram nos últimos dias em ritmo de 200 por dia. Outros estavam concentrados na cidade marroquina de Fnideq tentando entrar.
O Ministério do Interior espanhol anunciou que "as Forças Armadas vão reforçar a Guarda Civil para manter a segurança na cidade de Ceuta".
Mortes, colapso e devolução
Autoridades espanholas resgataram nove corpos de imigrantes que morreram tentando chegar a nado, segundo a delegação do governo em Ceuta. Em uma praia, boias e roupas foram abandonadas.
O prefeito-presidente Juan Vivas alertou: "Estamos em situação de absoluta emergência humanitária e social" e os centros de acolhimento estão colapsados e superlotados.
Madri definiu com Rabat medidas para devolver "o quanto antes" ao Marrocos todos que entraram ilegalmente. O premiê Pedro Sánchez viaja nesta sexta a Ceuta com o ministro do Interior Fernando Grande-Marlaska.
Crise diplomática e Schengen
A migração para Ceuta e Melilla é tema sensível entre Espanha e Marrocos. O Interior destacou "colaboração exemplar" e culpou redes de tráfico de pessoas.
A Itália pediu a suspensão da Espanha do espaço Schengen. "As imagens que chegam de Ceuta mostram o quanto a decisão de Madri de conceder cidadania a imigrantes irregulares é profundamente equivocada e fomenta o tráfico", escreveu o chanceler Antonio Tajani no X.
A principal rota migratória para a Espanha segue sendo as Ilhas Canárias.

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