Pressionada por sanções, Cuba abre postos, farmácias e energia à iniciativa privada
Em uma virada histórica, Cuba anunciou nesta quarta-feira, 29, a abertura de amplos setores da economia à iniciativa privada. Sob máxima pressão dos Estados Unidos e à beira do colapso econômico, o governo comunista reduziu drasticamente a lista de atividades proibidas ao setor privado.
Passam a ser permitidos a empreendedores privados, entre outros: distribuição de combustíveis, serviços farmacêuticos e ópticos, casas de repouso para idosos, terminais de passageiros e cargas, instalações portuárias, importação de veículos, energias renováveis e operações de petróleo e mineração sob condições.
A medida vem semanas depois de o Parlamento aprovar, em 18 de junho, um pacote de 176 medidas pró-mercado. Segundo a imprensa estatal, o campo de atuação de empreendedores foi ampliado "de maneira considerável".
Para a população, que enfrenta escassez de alimentos, remédios, água e combustível, a abertura é vista com alívio. "Acho muito bom, porque na farmácia estatal quase nunca há medicamentos", disse à AFP María Luisa Pérez, 77 anos. "Estamos sobrevivendo graças às mipymes", afirmou Ana Diego, 66, que precisou voltar a trabalhar após se aposentar.
O governo ressaltou que saúde e educação continuam sob responsabilidade do Estado, com serviços hospitalares gratuitos mantidos. Também seguem sob controle estatal os meios de comunicação, telecomunicações, segurança, defesa e a indústria do tabaco.
Na agricultura, a propriedade estatal da terra será mantida, mas com ampliação do usufruto para agricultores, cooperativas e empresas privadas, nacionais e estrangeiras. Na habitação, os cubanos poderão ter duas casas nas cidades - antes só uma - e hipotecas imobiliárias serão permitidas.
Mais de 15 mil pequenas e médias empresas, autorizadas desde 2021, já operam na ilha e empregam mais de um terço da população ativa. O governo prometeu acelerar novas autorizações.
O anúncio ocorre em meio a uma crise aguda agravada pelas sanções de Washington. Além do embargo vigente desde 1962, o presidente Donald Trump impôs em janeiro um bloqueio ao petróleo e sanções a empresas e dirigentes. O país de 9,4 milhões de habitantes sofreu cinco apagões gerais só neste ano. Trump classifica Cuba como "ameaça extraordinária" à segurança dos EUA e já ameaçou "assumir o controle" da ilha, a 150 km da Flórida. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel acusou Washington no domingo de tentar "se apropriar do país" com uma "política genocida".

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