A indignação da Europa contra o futebol da Argentina
Descobrimos com a Copa do Mundo que havia uma América do Sul ainda não descortinada pela Europa.
Hiltor Mombach
Descobrimos com a Copa do Mundo que havia uma América do Sul ainda não descortinada pela Europa. Uma insurreição feroz invadiu França, Inglaterra e Espanha e arredores. Unidos, rosnam contra a renúncia do fair play (jogo limpo) e a brutalidade dos argentinos.
A Europa deve reter na memória o Brasil de 70, fino, requintado, de um futebol sedutor, fascinante, imaginando ser este o futebol sul-americano. Não é. Aqui abro um parêntese: jamais veremos um escrete como aquele. Este Brasil atual não faz mal a uma mosca, não fede nem cheira.
A Europa, amigos, não conhece a Libertadores, mais precisamente a Argentina. Não conhecia a Argentina. Foi apresentada a ela nesta Copa. Estou falando da verdadeira Argentina. "Sujos, antidesportivos e vergonhosos" disparou um jornal" espanhol depois da conquista do título mundial.
Isso que a Argentina da final contra a Espanha foi de um angelicalismo sem igual. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. A Fifa abriu um processo disciplinar para investigar as agressões após Espanha x Argentina na final. Até os quero-queros de Garibaldi sabem que vai acabam em pizza.
Paredes e Nahuel Molina partiram para cima de Eric García e Borja Iglesia. Nada demais. Não teve um sopapo que lembrasse Mike Tyson. Los hermanos estão ficando frouxos.
Em 1971, Boca Juniors x Sporting Cristal terminou com 19 expulsos, 3 hospitalizados e os dois times presos Foi a maior briga da Libertadores.
Em 1983, o Grêmio imaginou que iria jogar futebol na Argentina diante do Estudiantes. O confronto, marcado por um clima de extrema hostilidade, barbárie e covardia, ficou conhecido como a "Batalha de La Plata".
O zagueiro argentino Desábato, do Quilmes, foi preso em flagrante em 2005 no Morumbi, em São Paulo, após partida contra o São Paulo pela Libertadores. Ele foi acusado pelo atacante Grafite de cometer injúria racial. Não caberia numa enciclopédia as narrativas dando conta das aberrações cometidas pelos argentinos quando o assunto é futebol.
É preciso separar os fato. Uma coisa é apreciar e elogiar a garra, o empenho. Outra, bem distinta, é ser condescendente ou até estar em sintonia com a violência, arruaça e falta de respeito, como dar as costas para a Espanha na hora em que a seleção levantava a taça.
Esta é a Argentina. Agora, a Europa também conhece.
Correio do Povo

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