Guiana busca 66 desaparecidos após naufrágio de balsa com 133 pessoas a bordo
Operação de resgate segue neste domingo após balsa virar na costa do país
As autoridades da Guiana seguem, neste domingo, dia 19, com as buscas por 66 pessoas desaparecidas após o naufrágio de uma balsa na costa do país. A embarcação levava 133 pessoas e 67 foram resgatadas com vida, informou o governo.
A balsa MV Barima havia saído de Georgetown, a capital, na noite de sábado, e faria um trajeto pelo mar antes de subir um rio até Port Kaituma, no interior da selva.
"Ao meio-dia, o Centro de Coordenação continua supervisionando uma operação de busca e resgate em grande escala. Foram resgatadas 67 pessoas: 41 homens, 11 mulheres e 15 crianças. Entre os pequenos, seis são meninos e nove são meninas", diz o comunicado oficial.
A área de buscas foi ampliada de 400 km² para 1.070 km². Segundo o governo, pescadores locais que conhecem bem a região também se juntaram à operação. Até o momento, as autoridades não relataram mortes.
De acordo com o ministro de Obras Públicas, Juan Edghill, "foi uma grande onda que virou" a embarcação. O pedido de socorro foi emitido por volta das 23h de sábado, horário local, 0h em Brasília. "Mantemos a esperança de encontrar todos", afirmou o ministro.
Um dos sobreviventes, Wayne Kitson, de 18 anos, contou que todos dormiam no momento do acidente. Com ferimentos leves no braço, perna e pescoço, ele relatou que nadou das 22h até as 4h da manhã até ser resgatado e teme que a esposa e a filha tenham morrido. As vítimas resgatadas foram levadas para a costa noroeste do país.
Segundo o governo, a balsa transportava 116 passageiros e 17 tripulantes e não estava com excesso de peso. A capacidade é de mais de 300 pessoas e carga de 284 toneladas — no momento do naufrágio, levava 268 toneladas. Construído em 1939, o Barima passou pela última revisão em dique seco em 2024 e opera com motores novos, fazendo de três a quatro viagens mensais a Kaituma.
O caso representa uma grande tragédia para a Guiana, país com menos de um milhão de habitantes. Port Kaituma fica na região de Essequibo, território de 160 mil km² rico em petróleo e alvo de disputa com a Venezuela pela demarcação da fronteira.

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