De olho nas 55 cadeiras da Assembleia, partidos do RS recalculam forças para 2026
A disputa pelas 55 vagas da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul já movimenta os bastidores dos partidos, mesmo antes das convenções. O cálculo vai além da chapa majoritária para governador e Senado: envolve como manter, ampliar ou simplesmente garantir a sobrevivência das bancadas.
No tabuleiro estão a influência da eleição presidencial, o desempenho dos pré-candidatos ao Piratini e ao Senado, a janela partidária do início do ano e a aposta em novos perfis.
A janela mudou o mapa. O PSD saiu como um dos que mais cresceu no Estado, enquanto siglas tradicionais como PSDB e PCdoB perderam espaço e praticamente desapareceram da Assembleia.
Para o professor do Departamento de Ciência Política da UFRGS, Rodrigo Stumpf González, ouvido pelo Correio do Povo, já não dá mais para analisar a Assembleia apenas pelas legendas. Com a fragmentação partidária, os partidos funcionam mais como "frentes ideológicas" ou "frentes de interesses". Nesse cenário, o perfil do candidato pesa mais que a sigla.
Segundo ele, duas estratégias se destacam: o localismo, de candidatos com base forte em prefeituras e regiões, e o mobilismo de categorias ou de causas ideológicas. Ganham espaço ainda os "influencers" políticos, outsiders críticos da política tradicional com grande alcance nas redes sociais, que costumam ter votação expressiva, mas podem ter dificuldade para se manter sem base local.
Outro fator é o comportamento do eleitor na proporcional. Pesquisas pós-eleição mostram que, um mês depois do voto, muita gente não lembra em quem votou para deputado, além do alto índice de decisão de última hora. Poucos deputados se elegem apenas com os próprios votos, a maioria depende dos puxadores de votos e do quociente partidário.
Com renovação média de cerca de 50% nas últimas quatro legislaturas, a projeção para outubro é de uma disputa entre voto de legenda e nominatas reforçadas, onde cada cálculo do quociente eleitoral pode definir quem fica e quem sai do plenário gaúcho.
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