PT faz ofensiva para pressionar Alcolumbre a pautar PEC do fim da escala 6x1 antes do recesso
Partido mira votação até dia 16 no Senado, mas relação do Planalto com Congresso se desgasta após operações da PF sobre emendas
A cúpula do PT iniciou nesta segunda-feira, 13, uma ofensiva nas redes sociais para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar a PEC que prevê o fim da escala 6x1 até o dia 16 de julho, antes do recesso parlamentar. A campanha ocorre em meio ao desgaste da relação do Palácio do Planalto com o Congresso após duas operações da Polícia Federal que miraram o orçamento secreto das emendas.
Anunciada por líderes do governo como praticamente certa, uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre ainda não foi marcada. Segundo relato de bastidores, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliam que Lula estaria por trás do bloqueio de emendas determinado pelo ministro do STF Flávio Dino.
A decisão de Dino atingiu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), padrinho político de Motta. O ministro determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar e a suspensão de R$ 6 milhões em emendas que, segundo a PF, teriam sido desviadas por Cunha. Dino foi indicado por Lula ao STF.
Nos bastidores, senadores afirmam que as investigações podem chegar ao Senado. Até petistas admitem, reservadamente, que votações consideradas bandeiras da campanha de Lula ao quarto mandato, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, podem ficar para depois das eleições de outubro.
Campanha #AprovaSenado
O presidente do PT, Edinho Silva, gravou áudio para o grupo "Porta-Vozes do Lula" convocando mobilização digital com a hashtag #AprovaSenado.
"Estaremos dando início a uma grande campanha de mobilização nas redes sociais para que a gente possa pressionar o Senado a votar o fim da jornada 6x1. A PEC já foi aprovada na Câmara. Precisamos fazer com que a PEC seja aprovada também no Senado Federal", disse.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também publicou vídeo: "Esta semana é importantíssima, é a última semana antes do recesso. Então, vamos nos mobilizar, vamos botar pressão total. Aprova, Senado, o fim da escala 6 por 1!".
A ex-ministra Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado por São Paulo, aderiu à campanha. "A Câmara já aprovou, graças à grande mobilização da sociedade brasileira e dos parlamentares que defendem os direitos dos trabalhadores. Agora é a vez do Senado fazer a sua parte", afirmou.
Clima no Senado
Alcolumbre já reclamou publicamente de pressões para pautar a PEC e reagiu a declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que disseram que ele seria "responsabilizado" por engavetar o tema. Para Alcolumbre, "ameaça não será tolerada".
O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), tentou conter a crise e criticou ataques na linha "Congresso, inimigo do povo", afirmando que é preciso dialogar.
Alcolumbre também não pautou ainda a Medida Provisória do Frete, que endurece a fiscalização do piso do frete da ANTT. Editada em março, a MP foi aprovada na Câmara, mas perde a validade na próxima quinta-feira. Sem aprovação, caminhoneiros ameaçam nova paralisação.
O recesso parlamentar começa oficialmente no sábado, 18, e vai até o dia 31 de julho.
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