Operação Saturno revela esquema de R$ 49 bilhões e liga doleiro sancionado pelos EUA ao PCC e ao Banco Master
O Denarc da Polícia Civil de São Paulo descobriu, em julho de 2025, durante a Operação Saturno, um esquema de lavagem de dinheiro do PCC no qual são citados o doleiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, o primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por suposta ligação com a facção, e o Banco Master.
Segundo os investigadores, o Banco Master teria servido de plataforma para escoamento de recursos do crime organizado. Shimada está foragido desde a Operação Exchange, da Polícia Federal, deflagrada dois dias após o governo de Donald Trump impor sanções contra ele por supostamente ser o principal operador financeiro do PCC no exterior. A defesa dele nega vínculo com organizações criminosas.
A investigação da 2ª Dise resultou em um relatório de 255 páginas. O documento aponta que a empresa de Shimada, a Victory Trading Inter de Negócios, Cobranças e Tecno, atuava como um "bolsão de recebimento e escoamento de recursos" do PCC. É nesse núcleo que os investigadores citam o suposto envolvimento do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que à época ainda não havia sido liquidado pelo Banco Central.
Como a investigação começou
A apuração começou com a prisão em flagrante de Alexsandro Freitas Faria, o "Leko", apontado como integrante do PCC e operador do tráfico interestadual de cocaína. Com ele foram apreendidos drogas e cerca de R$ 100 mil. A análise dos celulares levou aos supostos fornecedores: Jean Carlos Guimar de Araújo, o "Mogli", Pedro Paulo Takahashi Santana, o "Pedroca", e Paulo Henrique Bergamaschi Bernardes, o "PH", apontados como líderes do esquema que abastecia o tráfico com grandes quantidades de cocaína.
Movimentação de R$ 49 bilhões
Pela dimensão da trama, a polícia solicitou um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que, segundo o Denarc, revelou um "grandioso esquema de lavagem de dinheiro, arquitetado por líderes faccionados para lavar o dinheiro e dar velocidade em suas negociações por meio de empresas reais". A movimentação total superou R$ 49 bilhões.
De acordo com os investigadores, a estrutura era composta por empresas reais e "empresas fantasmas" que funcionavam como "bancos descentralizados" para pagamentos do tráfico, suporte logístico e de pessoas ligadas à organização. Elas atuavam como bolsões acumuladores, recebendo valores do tráfico, fazendo múltiplas transações e transferindo para outras empresas, incluindo fundos de investimento, empresas de capital aberto, ONGs e institutos, além de converter valores em criptomoedas por meio de empresas de pagamento.
Segundo o relatório, algumas dessas empresas permaneciam em operação por curto período apenas para ocultar valores por meio de inúmeras transações. "Essa prática está se tornando uma modalidade de lavagem de dinheiro que agiliza e facilita os pagamentos aos verdadeiros barões do tráfico", diz o documento.
Os investigadores apontam ainda que "recentes investigações apontam fundos de investimentos atrelados ao tráfico de drogas e ao PCC, que de maneira oportuna penetraram nas grandes companhias por meio de agentes de investimentos e que atuariam como operadores da lavagem".

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