Estudos sobre o El Niño e possíveis impactos na região são apresentados em audiência pública em São Leopoldo

 O encontro também propôs a discussão de estratégias voltadas à redução de riscos, ao fortalecimento da capacidade de resposta e à proteção da população

Debate ocorreu em um contexto de preocupação com os fenômenos climáticos que vêm afetando o RS Foto : Pedro Selistre / Prefeitura de São Leopoldo / CP

Uma audiência pública que discutiu os estudos climáticos do fenômeno El Niño, as previsões e os possíveis impactos para região, foi realizada na Câmara de Vereadores de São Leopoldo no início da semana. Além disso, foram apresentadas estratégias voltadas à redução de riscos, ao fortalecimento da capacidade de resposta do município e à proteção da população, especialmente das comunidades mais vulneráveis. O encontro, proposto pelo vereador e líder do governo, Daniel Daudt, que trouxe como palestrantes convidados o pesquisador e pós-doutor em Direito Ambiental e dos Desastres pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Delton Carvalho, e a mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo e sócia-diretora da Metsul, Estael Sias.


A audiência ganhou expressiva adesão do público, reunindo autoridades, especialistas, representantes da Defesa Civil, entidades da sociedade civil, setor produtivo e comunidade, com o objetivo de fortalecer as ações de prevenção e preparação do município diante de possíveis eventos extremos. O debate ocorreu em um contexto de crescente preocupação com os fenômenos climáticos que vêm afetando o Rio Grande do Sul nos últimos anos. Enchentes, alagamentos, estiagens têm provocado impactos significativos na vida da população, exigindo planejamento, integração entre os órgãos públicos e ações preventivas cada vez mais qualificadas.


A meteorologista, Estael Dias, apresentou dados sobre a influência do El Niño nos últimos anos e o atual cenário. Segundo ela, as projeções para os próximos meses apontam que a intensidade do El Niño deve superar o de 1997, o que não se relaciona diretamente às consequências que o fenômeno trará. "A previsão para São Leopoldo nos próximos 45 dias é que as janelas de tempo seco diminuam em julho e a chuva se torne mais frequente. A previsão é de cerca de 136 mm por mês, dentro da média. Já na projeção para os próximos seis meses, a tendência é que haja mais precipitações de setembro a novembro. A média total prevista para o segundo semestre é de mil milímetros", declarou.


O professor Delton Carvalho trouxe reflexões sobre a influência humana em eventos extremos. "Não existem desastres naturais. Para que eles ocorram, além do risco climático, são necessários fatores humanos. Por isso, os governos e autoridades têm um papel fundamental para mitigar e prevenir esses cenários." Para o pesquisador, o desastre é consequência de dois fatores: risco e vulnerabilidade, sendo o último frequentemente ignorado em planos e ações de prevenção. "Certos grupos e localidades estão mais propensos e expostos a sofrerem um desastre. Isso precisa ser levado em consideração quando pensamos em medidas de prevenção e atuação nestes cenários", pontuou.


O prefeito Heliomar Franco apresentou um panorama das ações desenvolvidas pela administração para ampliar a proteção da cidade diante dos eventos climáticos extremos. Ele destacou os investimentos em obras de drenagem, limpeza e desassoreamento de arroios, manutenção e reforço do sistema de proteção contra cheias, monitoramento permanente das áreas de risco, fortalecimento da Defesa Civil e os projetos voltados à ampliação da resiliência urbana. O prefeito ressaltou a importância do planejamento preventivo e da integração entre os órgãos públicos para minimizar os impactos de futuras enchentes e garantir mais segurança à população.


PLANO DE CONTINGÊNCIA DE PROTEÇÃO DO MUNICÍPIO


Por fim, o superintendente da Defesa Civil, Coronel Uberti Moreira, apresentou o Plano de Contingência de Proteção do município, documento que foi atualizado em 2025 e, desde então, passa por constantes ajustes, conforme novas observações e estudos. A nova versão do plano amplia a abrangência de situações de emergência, incorporando cinco grupos de cenários, locais de abrigo e fuga. Esta inclusão visa aprimorar a capacidade de resposta do município diante de diferentes tipos de desastres, garantindo maior segurança à população.


Segundo o vereador Daniel Daudt, a iniciativa teve como propósito aproximar conhecimento técnico e tomada de decisões. "Precisamos transformar informação em prevenção e compreender os cenários que podem se apresentar e preparar São Leopoldo para enfrentar possíveis adversidades climáticas com mais segurança, eficiência e responsabilidade."


Correio do Povo

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