O Brasil alcançou uma marca preocupante no último mês: 81,7 milhões de CPFs negativados. Segundo a Serasa Experian, este é o maior nível já registrado na série histórica, mantendo uma tendência de recordes mensais que vem se repetindo desde janeiro de 2025.
Os dados, apresentados na coletiva sobre os 10 anos do Mapa da Inadimplência, revelam um cenário de asfixia financeira para quase metade da população adulta do país.
💸 Por que o endividamento não para de crescer?
A economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, aponta que a combinação de juros e inflação criou uma "tempestade perfeita":
Selic em Dois Dígitos: Com a taxa básica de juros projetada para terminar 2026 em 12,50%, o crédito segue extremamente caro, dificultando o pagamento de dívidas antigas.
Inflação Persistente: O aumento nos preços de itens básicos corrói o poder de compra, forçando famílias — especialmente as que ganham até um salário mínimo — a usar o crédito para sobreviver.
Renda Comprometida: Em média, o brasileiro hoje tem 70,5% de sua renda mensal destinada ao pagamento de dívidas, deixando pouca margem para o consumo.
📊 O Raio-X da Inadimplência (2016 vs. 2026)
Em uma década, o perfil do devedor brasileiro mudou drasticamente:
| Indicador | 2016 | 2026 | Evolução |
| Total de Inadimplentes | 59 milhões | 81,7 milhões | 📈 +38,1% |
| Volume de Dívidas | 231 milhões | 332 milhões | 📈 +43,7% |
| Dívida Média (Corrigida) | R$ 5.880,02 | R$ 6.598,13 | 📈 +12,2% |
| Gênero Predominante | Homens (50,2%) | Mulheres (50,5%) | 🔄 Inversão |
Fato Relevante: O número de idosos (acima de 60 anos) negativados saltou de 12% para 19% do total, enquanto a participação dos jovens caiu, indicando maior restrição de acesso ao crédito para quem está começando a vida financeira.

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