Novo rumo para Cuba

 Os EUA, sob Trump, adotaram uma estratégia agressiva visando a uma mudança de regime até o final deste ano

Por Jurandir Soares


A ilha caribenha, que desde 1959 está sob regime comunista, atravessa um dos piores momentos de sua história, com apagões constantes, falta de alimentos e de medicamentos e insegurança. A presente crise decorre da impossibilidade de chegada de petróleo a seu território, em consequência da ação do governo de Donald Trump junto à Venezuela, último abastecedor do regime.


Um regime que nunca teve autonomia. Tornou-se uma ilha da fantasia para a esquerda latino-americana em decorrência da substancial ajuda que sempre recebeu. Desde o início e até 1991, da União Soviética. A partir dos anos 2000, da bolivariana Venezuela. O grande achado do regime foi o turismo, desenvolvido a partir de parceria com grandes redes hoteleiras internacionais.


DECADÊNCIA


Veio a pandemia, e esse setor ficou profundamente abalado. Um abalo que se intensificou a partir da falta de petróleo. Fatores que têm levado o governo de Donald Trump a pressionar o governo cubano, em busca de uma troca de regime. O objetivo, segundo consta, é promover uma reforma gradual, como está acontecendo na Venezuela. A propósito desse país, Trump – como negociador que é – já está usufruindo dos negócios com o petróleo. No caso de Cuba, o objetivo é o turismo. A ideia seria resgatar o período de esplendor vivido antes da revolução comunista liderada por Fidel Castro. E, para isso, já há até um projeto, a ser verdade o que acaba de revelar o site Oxford Newsletter.


BOLA DA VEZ


Sob o título de “Cuba, a bola da vez”, a publicação diz que “de acordo com nosso Departamento de Geoestratégia, haverá uma mudança na configuração econômica de Cuba, com a implantação de uma solução ‘venezuelana’. Com isso, haverá grandes oportunidades para empresários e consumidores, propiciando grandes exportações para a ilha.


Com uma população de 11 milhões de habitantes e uma localização estratégica no Caribe, a ilha representa um mercado de grande relevância geográfica, logística e comercial. Em um eventual cenário de abertura econômica mais ampla, Cuba poderá se transformar em uma das operações de abastecimento e reconstrução mais importantes do hemisfério.”


BRASILEIROS


O estudo da Oxford continua dizendo que: “Em processos de reconstrução econômica, é comum que grande parte do financiamento, das garantias e da contratação de fornecedores esteja ligada a empresas com presença local e infraestrutura operacional no mercado americano. Isso significa que empresas estabelecidas nos EUA tendem a sair na frente, em setores como alimentos, materiais de construção, energia, transporte, tecnologia e bens de consumo.


Nesse contexto, abre-se uma oportunidade estratégica para o empresariado brasileiro. Se efetivamente quiser participar dessa oportunidade, ele terá que construir presença nos EUA. Mais do que pensar em exportar diretamente para Cuba, o momento é de construir presença nos Estados Unidos, desenvolver operação local, adequar produtos às normas regulatórias americanas e consolidar canais de distribuição.”


MUDANÇA


Bem, o estudo já está fazendo projeções para o futuro, sem detalhar como se dará a transição da situação atual para esse cenário promissor. No entanto, com base em informações recentes, os EUA, sob Trump, adotaram uma estratégia agressiva visando a uma mudança de regime em Cuba até o final de 2026. A abordagem foca na asfixia econômica para forçar uma transição política, evitando, no entanto, uma intervenção militar direta.


Relatos mencionam a possibilidade de uma “tomada de controle amigável” ou estudos para forçar o governo cubano a aceitar acordos, focando na dependência de combustíveis norte-americanos. A estratégia busca intensificar a escassez de alimentos e remédios, com a expectativa de que a população responsabilize o governo cubano, pressionando por mudanças internas. Embora haja menção a conversas os EUA exigem reformas profundas e democracia, rejeitando a manutenção do atual sistema de partido único. O objetivo é a mudança de regime, com sugestões de que o “colapso” do sistema poderia ocorrer em breve.


Correio do Povo

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