Teerã, 29 de março de 2026 – O bloqueio da internet no Irã, imposto após o início da guerra contra Israel e Estados Unidos, chega nesta segunda-feira ao 30º dia consecutivo. A censura nacional à rede global já dura cinco semanas (696 horas), segundo a organização especializada em cibersegurança Netblocks.Embora a rede interna continue funcionando, permitindo o acesso a plataformas locais de mensagens e serviços bancários, o acesso à internet mundial está severamente restringido. A medida afeta milhões de iranianos, que relatam viver em “estresse constante”.Arshia, uma profissional de marketing de 37 anos, descreveu a situação como “realmente difícil”. “Viver sem internet é um estresse constante”, afirmou.Impacto no cotidianoMuitos cidadãos dependem agora de aplicativos controlados pelo Estado ou de soluções caras para se comunicar com familiares. Mariam, de 33 anos, que trabalha no setor privado, contou que, nas primeiras semanas, ficou sem contato com a família que mora em outra cidade, exceto por telefone. “Agora usamos um aplicativo iraniano de mensagens e conseguimos fazer chamadas de vídeo”, disse.Jornalistas da AFP conseguiram conversar com iranianos no país por meio de WhatsApp e Telegram, em breves janelas de conexão obtidas com o uso de VPNs (redes privadas virtuais).Milad, vendedor de 27 anos que tem familiares na Turquia, relatou dificuldades para manter contato: “Tenho que telefonar, o que é muito caro”. As restrições também limitam o acesso a informações independentes, deixando a população exposta apenas a narrativas veiculadas por meios controlados pelo governo.O Irã já havia imposto bloqueios semelhantes em momentos de crise, como durante os protestos do início deste ano e na guerra de 12 dias contra Israel em junho de 2025.Arshia expressou o temor de muitos: “Nosso maior medo é que não restabeleçam o acesso à internet e acabemos como a Coreia do Norte. É muito difícil manter a esperança”.A situação reforça o isolamento digital do país em meio ao conflito em curso.

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