⚖️ Moraes impõe limites ao Coaf e proíbe "pesca de provas" em relatórios financeiros

 Na decisão, Moraes afirmou que os relatórios de inteligência financeira não são documentos comuns nem

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu nesta sexta-feira (27) uma decisão liminar que altera significativamente a forma como o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) compartilha dados com autoridades. A medida estabelece critérios rigorosos para o fornecimento de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e invalida documentos já entregues que não cumpram as novas exigências.

Para Moraes, embora o RIF não seja uma quebra direta de sigilo bancário, ele impacta a privacidade e a "autodeterminação informacional", não podendo ser usado para devassas genéricas ou relatórios "sob encomenda".


📝 Os Novos Requisitos para o Coaf

A partir de agora, para que o Coaf forneça informações, é obrigatório que:

  • Investigação Formal: Exista um inquérito criminal ou processo administrativo sancionador formalmente aberto.

  • Alvo Identificado: Haja uma declaração expressa de que a pessoa (física ou jurídica) é formalmente investigada.

  • Pertinência Temática: O conteúdo do relatório deve ter relação direta e estrita com o objeto da apuração.

  • Fim do Fishing Expedition: Fica proibida a "pesca probatória", prática onde autoridades buscam dados aleatórios na esperança de encontrar algum crime sem indícios prévios.


🏛️ Impacto em CPIs e Processos em Curso

A decisão de Moraes é abrangente e atinge inclusive o Poder Legislativo:

  1. CPIs e CPMIs: Os pedidos de acesso ou validação de relatórios por comissões parlamentares deverão seguir, obrigatoriamente, as mesmas regras.

  2. Anulação de Provas: Relatórios que já constam em investigações, mas que foram obtidos sem observar esses critérios, perdem sua legitimidade constitucional e podem ser anulados.

"Tal atividade não se presta a devassas genéricas; não se destina à coleta prospectiva de dados patrimoniais", frisou o ministro na liminar.


🔍 O Contexto Jurídico

Moraes é o relator de um recurso que discute uma decisão anterior do STJ. O objetivo central é equilibrar a eficiência no combate à lavagem de dinheiro com o direito fundamental à privacidade, evitando que órgãos de controle sejam usados para perseguições sem embasamento jurídico sólido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário