Uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros, que vinha sendo articulada desde meados de março em Santos (SP), foi oficialmente descartada pela categoria nesta quarta-feira (25). A decisão ocorreu após a publicação da Medida Provisória 1.343/2026 e de duas resoluções da ANTT, que blindam o valor do frete contra a alta do diesel e garantem maior rigor na fiscalização.
As medidas atendem a reivindicações históricas que remontam à greve de 2018 e visam assegurar a dignidade dos transportadores autônomos diante da instabilidade econômica.
🛠️ O "Pacote de Proteção" ao Caminhoneiro
O governo federal e a ANTT implementaram três instrumentos principais para operacionalizar o piso mínimo:
Resolução 6.077 (Punindo o Abuso): Estabelece sanções progressivas e pesadas para empresas e contratantes que pagarem fretes abaixo do valor legal.
Resolução 6.078 (Bloqueio Digital): Impede a emissão do Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte) se o valor estiver abaixo do piso. Sem esse código, a viagem é considerada ilegal e o caminhão não pode circular.
Gatilho do Diesel: O governo reafirmou que o piso será reajustado automaticamente sempre que o preço do diesel variar 5% ou mais.
🛡️ Fiscalização 2.000% mais Rígida
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, destacou um aumento de 20 vezes no número de operações nas estradas. A estratégia agora une inteligência financeira e logística:
Rastreio de Carga e Dinheiro: A fiscalização vai além do frete, buscando identificar sonegação de impostos e lavagem de dinheiro por parte de grandes transportadoras.
Diálogo Direto: O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) reforçou que os caminhoneiros são essenciais para o abastecimento de comida e combustível, comprometendo-se a evitar retrocessos na MP durante a tramitação no Congresso.
🗓️ Prazo de Validade
A MP 1.343 já está em vigor, mas precisa ser votada pela Câmara e pelo Senado até a segunda metade de julho. Caso contrário, a medida "caduca" e as regras perdem a validade. O governo prometeu mobilizar sua base parlamentar para garantir a aprovação definitiva.
"O caminhoneiro quer trabalhar, mas precisa de regra sendo cumprida. O piso mínimo é vida", afirmou Luciano Santos, liderança sindical da Baixada Santista.
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