Os Correios anunciaram nesta terça-feira (24) que passarão a adotar, de forma gradual, a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso (12x36) em setores estratégicos. A medida faz parte de um amplo Plano de Reestruturação que tenta estancar uma crise financeira profunda na estatal.
Segundo a empresa, a nova escala não será automática, mas aplicada conforme a necessidade, especialmente em áreas de fluxo contínuo e logística de comércio eletrônico, visando maior competitividade frente aos players privados de encomendas.
📉 O Cenário de Crise na Estatal
A mudança na jornada de trabalho é apenas uma peça de um quebra-cabeça financeiro delicado. O diagnóstico atual da empresa revela:
Prejuízo Acumulado: Mais de R$ 6 bilhões até setembro de 2025.
Patrimônio Líquido: Negativo em R$ 10,4 bilhões.
Déficit Anual: Superior a R$ 4 bilhões.
Para tentar estabilizar a operação, os Correios já captaram R$ 12 bilhões em crédito e estão executando o fechamento de mil agências, além de um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) com meta de adesão de até 15 mil funcionários.
⚠️ Mobilização e Críticas dos Trabalhadores
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios (Fentect) reagiu duramente ao anúncio. A entidade orientou os funcionários a não assinarem acordos individuais e denunciou o que chama de "precarização".
Saúde: A federação alega que a escala 12x36 pode sobrecarregar e adoecer os profissionais.
Resistência: "Não há negociação com retirada de direitos. Estamos construindo uma grande reação nacional", afirmou a Fentect em nota.
🏠 Venda de Imóveis
Como parte da busca por liquidez, a estatal também iniciou o leilão de ativos ociosos. O primeiro lote conta com 21 imóveis espalhados por 11 estados brasileiros, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

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