Tribunal na Síria condena ex-ditador Bashar al-Assad à morte por assassinatos e tortura
Um tribunal na Síria condenou nesta terça-feira (11) o ex-ditador Bashar al-Assad à pena de morte. A decisão, proferida à revelia, o considerou culpado por crimes cometidos durante os quase 14 anos de guerra civil, incluindo assassinatos, tortura sistemática e prisões arbitrárias.
É o primeiro processo formal contra o ex-presidente desde a queda de seu regime, em dezembro de 2024, que encerrou décadas de comando da família Assad.
Além de Assad, Atef Najib, figura central do aparato de segurança do antigo governo, também foi sentenciado à morte.
Assad deixou Damasco após a ofensiva rebelde que derrubou seu governo e hoje vive sob asilo político na Rússia, em Moscou. A condenação abre precedente para pedidos de extradição, embora a viabilidade política seja considerada incerta.
Bashar al-Assad assumiu o poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad. Em 24 anos de governo, manteve controle da elite alauíta sobre um país de maioria sunita, com alianças com o Irã e repressão severa à oposição.
A crise se agravou a partir de 2011, quando o regime respondeu com força letal a manifestações inspiradas na Primavera Árabe, o que transformou protestos em conflito armado prolongado com centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.
O caso repercute no Brasil porque, em 2010, durante visita oficial, Assad foi condecorado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, uma das maiores honrarias diplomáticas brasileiras, concedida pouco antes do início da guerra civil como gesto de aproximação entre os dois governos.
O julgamento desta terça-feira marca o esforço da nova liderança síria em buscar responsabilização do antigo regime e é visto por especialistas como um passo simbólico para expor atrocidades e abrir caminho para que outros integrantes da administração Assad sejam levados a tribunal.

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