Quem foi Erasmo de Roterdã, o príncipe dos humanistas

 


Desidério Erasmo de Roterdã (1466 - 1536) foi um dos pensadores mais importantes da história da Europa. Teólogo, filósofo, filólogo, padre e autor de 444 livros, ele é considerado o maior representante do humanismo renascentista e um precursor do Iluminismo.

Origem humilde

Erasmo nasceu em Roterdã, nos Países Baixos, entre 1464 e 1469, como filho ilegítimo de um padre católico e de uma filha de médico. Ficou órfão ainda jovem. Estudou na escola dos Irmãos da Vida Comum em Deventer, onde teve contato com a literatura clássica.

Em 1487 entrou para o mosteiro agostiniano de Stein, perto de Gouda, e foi ordenado padre em 1492. Pouco depois deixou a vida monástica para trabalhar como secretário do Bispo de Cambrai e, mais tarde, para estudar Teologia na Sorbonne, em Paris.

Viveu entre a Inglaterra, onde se tornou amigo de Thomas More, a Itália, onde se doutorou em Teologia em Turim em 1506 e trabalhou com o editor Aldo Manúcio em Veneza, e a Basileia, na Suíça, onde imprimiu a maior parte de sua obra com Johann Froben.

A obra principal

Sua obra mais famosa até hoje é Elogio da Loucura, de 1509, uma sátira dedicada a Thomas More, em que critica com ironia os abusos da Igreja e da sociedade.

Sua contribuição mais importante para a Igreja foi a nova tradução do Novo Testamento diretamente do grego para o latim, publicada em 1516 como Novum Instrumentum omne. Foi a base para várias traduções da Bíblia, incluindo a de Martinho Lutero. O texto ficou conhecido como Textus Receptus e teve tiragem de mais de 100 mil exemplares ainda em vida.

Erasmo também editou as obras completas de grandes Padres da Igreja, como Jerônimo, Agostinho e Orígenes, e criou a coleção de provérbios Adágios, com mais de 4.250 citações, um dos livros mais lidos por séculos.

O conflito com Lutero e a defesa da paz

Embora defendesse uma reforma interna da Igreja e criticasse a venda de indulgências e o clero corrupto, Erasmo rejeitou a ruptura proposta por Martinho Lutero. Os dois nunca se encontraram, mas trocaram cartas. O rompimento definitivo ocorreu em 1524, quando Erasmo publicou De libero arbitrio (Sobre o Livre-Arbítrio), defendendo a liberdade humana, ao que Lutero respondeu com De servo arbitrio (Sobre o Arbítrio Escravizado).

Erasmo é considerado o fundador da ciência da paz. Escreveu 15 textos pacifistas, entre eles A Queixa da Paz (1517), onde defendia que a guerra só seria legítima se aprovada por todo o povo e propunha uma espécie de Liga das Nações.

Morte e legado

Morreu em 12 de julho de 1536, em Basileia, e mesmo sendo padre católico, foi sepultado com honras na catedral da cidade, que já era protestante.

Deixou sua fortuna para uma fundação que deu mais de 9 mil bolsas de estudo até 1869.

Em 1559 todas as suas obras foram colocadas no Index dos Livros Proibidos pela Igreja Católica, onde ficaram até 1966.

Hoje, seu nome batiza a Universidade Erasmus de Roterdã, a Ponte Erasmus, o Programa Erasmus de intercâmbio da União Europeia - que já levou 12 milhões de jovens a estudar fora e gerou cerca de 1 milhão de "bebês Erasmus" - e o Prêmio Erasmus. A maior coleção sobre ele, com mais de 5 mil livros, está na Biblioteca de Roterdã e foi incluída pela UNESCO em 2023 no Registro Memória do Mundo.

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