Os dois Rolex de presente do Catar que custaram R$ 1,5 milhão a Rummenigge
Uma história de Rolex que virou lição de justiça na Alemanha.
Em 2013, Karl-Heinz Rummenigge, lenda do futebol e então presidente do Bayern de Munique, voltou de uma reunião da associação de clubes no Catar e desembarcou no aeroporto de Munique.
Na alfândega, a pergunta padrão: "Tem alguma mercadoria a declarar?"
"Não", respondeu ele.
Mandaram abrir a mala. Afinal, era a Alemanha.
Lá dentro, dois relógios Rolex, avaliados em 50 mil euros cada.
Rummenigge foi detido por contrabando. A pedido da alfândega de Augsburg, o caso foi julgado no tribunal de Landshut. Condenado a 140 dias.
Na Alemanha funciona assim: você pode escolher entre cumprir a pena ou pagar multa. Ele escolheu pagar.
"Qual é a sua renda diária?", perguntaram.
Ele declarou: 1.785 euros por dia.
O cálculo é simples: 1.785 x 140 dias = 249.990 euros de multa.
Os relógios custavam 100 mil. A multa, 250 mil.
No sistema alemão, quanto maior a renda, maior a multa. Se o infrator é rico, paga mais que um pobre pelo mesmo crime. Não importa o valor do bem contrabandeado, e sim a condição de quem cometeu o delito. Se a renda diária dele fosse o dobro, a multa seria de 500 mil euros.
Ele pagou. Pediu para ir embora.
"Espere um minuto", disseram. "Quanto pagou por esses relógios? Tem recibo?"
Não tinha. "Foi um presente do xeique do Catar", explicou.
Na Alemanha, presentes acima de 20 mil euros pagam 30% de imposto.
Resultado: mais 30 mil euros na conta.
E ainda tinha mais: na Alemanha, quem é condenado a mais de 90 dias vira oficialmente "criminoso". O registro não se apaga. Fica na ficha para sempre.
No fim, devolveram os relógios: "Aqui estão, use com saúde."
Dois Rolex de presente do Catar custaram a Rummenigge 280 mil euros, uma condenação por contrabando e uma mancha vitalícia no currículo.

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