Dono da Voepass é indiciado pela PF por queda de avião que matou 62 pessoas em Vinhedo
A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira o relatório sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, em 2024, que deixou 62 mortos. Foram indiciados 16 funcionários e ex-funcionários da companhia, sendo 15 por atentado contra a segurança do transporte aéreo e um por falsidade ideológica.
Entre os indiciados está José Luiz Felício Filho, conhecido como Comandante Felício, diretor-presidente e dono da empresa. Ele e os demais são apontados como responsáveis ou como pessoas que contribuíram para o acidente por ação ou omissão. Todos estão proibidos de deixar o país até a análise do Ministério Público Federal, que vai decidir se denuncia os indiciados. Se condenados, as penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão.
O inquérito segue agora para o MPF.
Segundo a PF, Felício Filho era quem "efetivamente" deveria agir para "interromper o cenário de omissões que a companhia aérea vivia quanto à manutenção e operação das aeronaves". O relatório aponta que o executivo "detinha pleno conhecimento dos problemas técnicos graves da frota" e era quem tomava ciência dos ofícios e das não conformidades apontadas pela Anac ao longo dos anos.
Piloto há mais de 30 anos, Felício assumiu a presidência da Voepass em 2004. Diálogos da caixa-preta do voo 2283 mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes não sinalizadas. Em 2023, pilotos chegaram a relatar falha no sistema de degelo e compararam o avião a um "fusquinha".
De acordo com a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo provocada pelo acúmulo de gelo, pela inoperância do sistema pneumático de degelo e pela não execução adequada dos procedimentos previstos para falha no sistema, condições severas de gelo e estol.
Em nota, a Voepass afirmou que "a segurança operacional sempre foi sua prioridade" e que ao longo de mais de 30 anos adotou "rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação" previstos pela Anac, contando desde 2012 com certificação IOSA da IATA. A empresa disse ainda que as tripulações eram orientadas a cumprir os procedimentos para formação de gelo e que a tripulação do voo 2283 era experiente, com mais de 5 mil horas de voo somadas.
A companhia afirmou que colaborou integralmente com as investigações e que o relatório da PF integra a fase investigatória, aguardando os próximos desdobramentos para exercer o direito de defesa.

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