Consórcio ou financiamento: o que vale mais a pena com a Selic alta?
De janeiro a abril de 2025, as vendas de cotas de consórcios cresceram 19,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Foram 1,61 milhão de adesões, com destaque para eletroeletrônicos e bens duráveis (+119,5%) e imóveis (+41%).
Para Paulo Roberto Rossi, presidente da ABAC, o desempenho se explica pelo aumento da renda familiar e por mais educação financeira. No crédito tradicional, a Febraban projeta crescimento de 8,5% até o fim do ano, com foco nas famílias — levemente abaixo dos 9% estimados no final de 2024.
Com a Selic em patamar elevado, o consórcio aparece como alternativa mais econômica para compra planejada. A avaliação é de Márcio Massani, diretor comercial da Âncora Consórcios. Segundo ele, a taxa de administração do consórcio é significativamente menor que os juros do financiamento, o que reduz o custo final.
Mas a escolha não é só financeira.
Quando o consórcio vale a pena?
Além do custo menor, o consórcio não exige entrada e tem análise de crédito menos burocrática que o financiamento.
O ponto de atenção é o prazo para ter o bem. Não há contemplação garantida na data que o consorciado quer. É possível tentar antecipar com lances, mas, como alerta Massani, "não há garantia de que, a cada lance adicional, ocorra a contemplação esperada".
Outro detalhe: no consórcio não há desconto por antecipação de parcelas. "Mesmo que o consorciado antecipe parcelas, o valor da taxa de administração permanece o mesmo, pois ela não está atrelada ao tempo restante do contrato ou ao saldo devedor, como ocorre nos financiamentos com juros. Por isso, não há desconto por antecipação", explica. Antecipar serve para reduzir o tempo de pagamento ou para ofertar lance, mas não para economizar como na amortização de um financiamento.
Quando o financiamento vale a pena?
O principal benefício é a aquisição imediata, ideal para quem tem urgência. Há também grande oferta de linhas de crédito com condições variadas.
Por outro lado, os juros altos podem fazer o custo final ficar muito acima do valor original, e a exigência de entrada aumenta o comprometimento da renda.
Dúvidas comuns
Qual a taxa média de administração hoje?
Varia por segmento e prazo, definida por cada administradora. A média atual é de 23% para imóveis, 20% para veículos leves e 15% para pesados, como máquinas e implementos rodoviários.
O prazo do consórcio é tão longo quanto o do financiamento?
Sim. Para imóveis, há planos de até 240 meses (20 anos). Para veículos leves e pesados, até 80 meses, conforme o grupo.
Quem tem imóvel financiado pode usar consórcio para quitar?
Sim. Após contemplado, o consorciado apresenta o contrato do financiamento com o saldo atualizado e a administradora paga a instituição credora. O imóvel quitado pode ficar como garantia do consórcio até o fim do plano. Alguns grupos permitem lance embutido — parte da própria carta de crédito é usada como lance — o que ajuda quem não tem reserva extra.

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