Agro sob pressão: pedidos de recuperação judicial crescem 21,9% no 1º trimestre de 2026
O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quarta-feira (12). O número representa alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025 e mostra o agravamento da crise financeira no campo.
A recuperação judicial é o recurso legal usado por produtores e empresas endividadas para renegociar débitos com credores e evitar a falência, mantendo a atividade em operação. O avanço dos pedidos indica que, para parte do setor, a venda da safra e a renegociação direta com bancos e fornecedores já não têm sido suficientes.
De acordo com a Serasa, o movimento é resultado da combinação de três fatores: crédito mais restrito, custos de produção ainda elevados e aumento do endividamento.
O crescimento foi puxado pelos produtores que atuam como pessoa jurídica. Foram 196 pedidos de CNPJs rurais, alta de 73,5% na comparação anual. Empresas da cadeia do agro — como agroindústrias e prestadoras de serviços — somaram 96 pedidos. Já os produtores pessoa física registraram 182 solicitações, com queda de 6,7%.
Por cultura, a soja liderou com 137 pedidos, seguida pela criação de bovinos, com 42. O resultado reflete o peso dessas duas atividades no agronegócio nacional.
No recorte por estados, Mato Grosso concentrou o maior volume, com 135 pedidos. Goiás aparece em seguida, com 73, depois Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38) — todos polos importantes de grãos e pecuária.
Para a Serasa Experian, a evolução do setor nos próximos meses vai depender menos do volume produzido e mais da capacidade de gerar receita, preservar margens e renegociar dívidas em condições sustentáveis para o caixa do produtor.

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