A GLORIOSA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (XIV)
No texto anterior, abordamososinfaustos naufrágios de 34 navios mer-cantesbrasileirose4naviosdaMarinhade Guerra do Brasil, no Mediterrâneo,no Atlântico Norte e em nosso litoral,atingindo o expressivo número de 972mortos (470 tripulantes e 502 passagei-ros). Sofremos ataques de 19 submari-nos alemães e 1 italiano, sendo que osubmarino alemão de prefixo U-507ceifou a vida de 607 pessoas, em diver-sos torpedeamentos, o que ocasionouuma revoltante comoção nacional, prin-cipal razão que levou o Brasil à guerra.O U-507 torpedeou, na costa da Bahia,em 17 de agosto de 1942, chamado de“agosto sangrento”, o navio Itagiba -que transportava parte do 7° Grupo deArtilharia de Dorso para Recife, a fimdereforçaradefesadomuitovulnerá-vel “saliente nordestino”. No bárbaroafundamento, houve 36 vítimas (10 tripu-lantese26passageiros),destacando-seoheroísmo e o desprendimento, com osacrifício da própria vida, do jovem 1°tenente Alípio Napoleão de Andrada Serpa.TambémressaltamosapresençanaFEB,de indígenas da etnia ‘terena’, de MS,caracterizando, destarte, a perfeitaintegração nacional no hercúleo esforçode guerra. Outrossim, rememoramos aentradaemcombatedo“Destacamento
FEB”,quandofoiconstruídaa“PonteSetedeSetembro”(cujoiníciosedeuem5de setembro de 1944) pela 1ª Companhia do 9° Batalhão de Engenharia de Combate,de Aquidauana (MS), ao comando do capitão Floriano Moeller.
Ao término da guerra, o comandante da FEB, marechal João BaptistaMascarenhas de Moraes, cognominado por conspícuos historiadores, de “HeróiMaiordoSéculoXX”,fezquestãodeirpessoalmenteaosMontesGuararapes,paradepositar, simbolicamente, os louros das vitórias da FEB naquelas elevaçõeshistóricas. Lá, em 9 de julho de 1945, proferiu uma alocução patriótica, simples,
Nestacolinasa-*ManoelSorianoNetograda,nabatalhavitoriosacontraoinva-sor,aforçaarmadadoBrasilseforjouealicerçou para sempre a base da NaçãoBrasileira.Daquielapartiuejáatravessamaisdetrêsséculos,passandovitoriosa-mentepeloPassodoRosário,porMonteCaseros, lançando-se de Lomas ValentinasaMonteCastello,Castelnuovo,Montesee Fornovo.
Na qualidade de comandante daForça Expedicionária Brasileira, depo-nhonocampodebatalhadeGuararapesos louros que os soldados de Caxiasalcançaram contra tropas germânicas,nos campos de batalha do Serchio, dosApeninos e do vale do Pó.
Estes feitos d’armas,incorpora-dos à tradição militar brasileira, irãosobrevivercomoExércitoNacionaleamemória dos expedicionários mortosunir-se-á à daqueles que, no passado,tombaram pela soberania do Brasil”.
A “Oração” ou “Discurso” é umapeçaoratóriaderaríssimamemorabília,que evidencia, à saciedade, a notávelsensibilidadedomarechalMascarenhasde Moraes, nosso mui digno comandantedaFEB,constantementepreocupadocomanobrepráticado“beaugeste”(do‘belogesto’).Muitaspalmas!!Porilustração,recordemosdainstituiçãodoDiadoExér-
cito,peloDecretoPresidencialde24demarçode1994,alusivoàdatade19deabrilde 1648, a da primeira batalha dos montes Guararapes, por sugestão do ministrogeneral Zenildo de Lucena. Como chefe do Centro de Documentação do Exército(CDocEx) tivemos o privilégio e a honra de elaborar o Estudo acerca do assuntoecunhamosafrasequeébemconhecidaeseprotraiunotempo:“Guararapes
-BerçodaNacionalidadeedoExércitoBrasileiro”.
ParafinalizarmosmaisumescritoreferenteànossagloriosaFEB,desejamostrazeralumeainvulgarpersonagemdomarechalWaldemarLevyCardoso,
clara,precisaeconcisa,deindiscutívelememo-rávelhistoricidade,quepassouaosanaisdaHis-tória como “0ração a Guararapes” ou “DiscursodeMonteGuararapes”(títuloestequeconstadolivro “A F.E.B. pelo seu Comandante”). Eis, naíntegra, o documento histórico:
“Há um ano, o primeiro contingente daForça Expedicionária Brasileira atravessouoAtlântico,elogodepoisoutrosaelesejuntaramno Teatro de Operações da Itália. As tropas doBrasilseempenharamen-
tão,doArnoaoPó,ombroa ombro com asbravastropasnorte-americanasebritânicas,naguerracon-tra a Alemanha.
Nestemomento,al-guns milhares de nossossoldadosjádeixaramoMe-diterrâneoemdemandado
FotografiasdeMaricéliaPorto
comandante na guerra, quando te-nente-coronel,do1°GO(I/ROAR),ou seja (1° Grupo de Obuses do 1°RegimentodeObusesAuto-Reboca-do).Deorigemjudaicaeportuguesa,projetou-seexponencialmentenacar-reira militar e, já na Reserva, foipresidentedaPetrobras.Pormuitosanos,porseroúltimomarechalvivoemaisantigofebiano,foiodetentordosimbólico“BastãodaFEB”.Elenasceuem4dedezembrode1900
(séculoXIX),nacidadedoRiodeJaneiro,viveudurantetodooséculoXXefaleceuemsuacidadenatal,nodia13demaiode2009,comalongevaidadede108anos(noatualséculoXXI).Assim,odenominamosde“OMare-chal de Três Séculos”, caso talvez único, ímpar, naHistória Militar Universal. Eia, pois: Viva o marechalWaldemar Levy Cardoso! Viva o glorioso ExércitoBrasileiro!VivaoBrasil!
RiodeJaneiro,trazendo
bandeiras vitoriosas e tro-féusarrancadosaoinimi-go, batido em combate.
ColégioMilitardeBrasília:Majestoso“MonumentoaGuararapes”,deautoriadoescultorSérgioMunaretto,comaorientaçãohistóricadosaudosogeneralArnaldoSerafimedocoronelSoriano
“Nemteme,quemteadora,aprópriamorte!”
(continua)
*Coronel,HistoriadorMilitareAdvogado-
msorianoneto@hotmail.com
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