Fiergs critica novo tarifaço dos EUA e alerta para impacto sobre exportações gaúchas

 


A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) lamentou o anúncio de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e projetou dificuldades para setores estratégicos do Estado.

Em nota divulgada na noite desta quarta-feira, 15, a entidade afirmou que a medida "amplia as barreiras ao comércio bilateral e traz novos desafios para a indústria gaúcha, especialmente para segmentos com forte presença nas exportações ao mercado norte-americano, como armas e munições, madeira, calçados e tabaco".

Para o presidente do Sistema Fiergs, Cláudio Bier, a decisão afeta diretamente a competitividade. "É um retrocesso nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e impõe mais um desafio à indústria brasileira e gaúcha", declarou. Segundo ele, a medida reduz a previsibilidade dos negócios e pode ter reflexos sobre investimentos, emprego e renda.

Bier defendeu que o governo brasileiro mantenha negociações com Washington para tentar reverter as tarifas e ampliar a lista de produtos com isenção. Em caso de manutenção das taxas, cobrou medidas compensatórias, como linhas especiais de financiamento e ações de apoio às empresas mais afetadas, nos moldes do que foi adotado no ano passado.

"O momento exige uma atuação coordenada, técnica e diplomática para preservar a capacidade competitiva da indústria brasileira e minimizar os efeitos sobre a economia e o emprego", completou.

O anúncio do novo tarifaço foi feito pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), Jamieson Greer, em entrevista coletiva na noite de quarta. Segundo ele, o governo americano tentou negociar para "mitigar políticas do governo do Brasil". Os detalhes e a lista oficial de produtos afetados devem ser publicados nas próximas horas no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial dos EUA.

As sobretaxas têm como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar países por práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. Na investigação, o USTR cita pontos como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - incluindo o Pix -, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, além de benefícios concedidos pelo Brasil a parceiros como Índia e México que não se estenderiam a produtos norte-americanos.

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