Alvarez & Marsal aponta recuperação judicial como saída para crise financeira do Inter e cobra ação imediata
Um estudo encomendado pelo Inter para diagnosticar a situação financeira do clube aponta que a recuperação judicial é o caminho mais viável para estancar o crescimento da dívida e evitar um colapso no fluxo de caixa. O relatório, elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e revelado pelo Correio do Povo nesta semana, defende que o saneamento das contas é pré-requisito para qualquer discussão sobre transformação em SAF.
No documento, a consultoria avaliou três modelos de reestruturação: a recuperação judicial (RJ), a recuperação extrajudicial (RE) e o Regime Centralizado de Execuções (RCE).
Para a Alvarez & Marsal, a RJ é a que oferece mais instrumentos de proteção. Entre os benefícios citados estão a suspensão de ações e execuções por pelo menos 180 dias, o congelamento de juros e multas e a possibilidade de buscar novos recursos no mercado. A abrangência também pesou na análise, já que a RJ permitiria renegociar praticamente todo o passivo - incluindo dívidas trabalhistas, bancárias, com fornecedores e com outros clubes. Como pontos negativos, a consultoria cita o desgaste de imagem e a maior dificuldade de acesso a crédito no curto e médio prazo.
A recuperação extrajudicial foi classificada como mais ágil, porém com alcance limitado, sem contemplar contingências relevantes e com condições menos favoráveis de prazo e descontos. Já o Regime Centralizado de Execuções, embora de tramitação rápida, esbarra em questões legais: por ter sido criado para SAFs, pode não abranger todas as dívidas do Inter, que ainda é uma associação, e há dúvidas sobre a homologação na Justiça.
O relatório trata a SAF como uma segunda etapa. Na visão da consultoria, o clube só deveria avançar nesse debate depois de encaminhar a solução para o endividamento.
O senso de urgência é justificado pelos números. Segundo o estudo, a dívida total do Colorado chegou a perto de R$ 900 milhões no final de 2025. Desse total, R$ 226 milhões já estão vencidos, R$ 300 milhões vencem ainda em 2026 e outros R$ 285 milhões em 2027. A projeção é que o caixa não será suficiente para cobrir os compromissos, o que provocaria um aumento exponencial do passivo.
"O caixa projetado para o período é insuficiente para pagar os vencimentos. Desta forma, incorrerá no aumento exponencial do passivo (dívida) por juros e multas", alerta a Alvarez & Marsal no documento.
A consultoria recomenda que o Conselho Deliberativo analise o relatório ainda em julho e que as primeiras medidas comecem a ser implementadas já em agosto, sob o risco de que o adiamento reduza as alternativas de recuperação do clube.

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