Espanha e França correm contra o tempo para conter incêndios históricos antes de nova onda de calor de 40ºC
Espanha e França enfrentam dias decisivos para controlar incêndios de grandes proporções antes da chegada de uma nova onda de calor extremo, que deve elevar o risco de fogo a níveis críticos. As chamas já devastaram dezenas de milhares de hectares nos arredores de Madri e no sudoeste francês.
Na Espanha, as autoridades informaram nesta segunda-feira, 27, que o avanço do fogo desacelerou, mas o incêndio segue ativo e ainda não está estabilizado. O objetivo é conter o perímetro até quarta-feira, quando uma nova onda de calor deve elevar as temperaturas a até 40ºC e durar pelo menos até domingo.
O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, viajou nesta segunda para a província de Castellón, no leste do país, onde há outro foco ativo. "São horas difíceis, horas complexas, vamos ter um aumento das temperaturas", afirmou.
O incêndio que começou em Ávila e se espalhou para a região de Madri é considerado pelo governo espanhol o "maior incêndio florestal da história recente" do país, com quase 50 mil hectares atingidos. A rápida propagação foi favorecida pela vegetação seca após sucessivas ondas de calor desde maio e pela falta de chuvas. Milhares de pessoas precisaram deixar casas e áreas de veraneio.
Em Cenicientos, a cerca de 100 km de Madri, moradores que retornaram encontraram plantações destruídas e fumaça ainda no ar. "Eu já perdi muitas oliveiras e pistacheiros queimados. Agora é limpar tudo, voltar a plantar e pronto", relatou David Sánchez, de 48 anos. Em Navaluenga, voluntários relataram animais mortos na mata. "É desolador", disse Karim Benali.
Sánchez atribuiu a emergência às mudanças climáticas. "Não é uma sucessão de episódios isolados, e sim a expressão mais dolorosa de uma emergência climática. Não é mais uma exceção, é a regra em si", afirmou.
Situação na França
Na França, o fogo já consumiu 42 mil hectares perto de Bordeaux, no sudoeste. Uma chuva fraca e o orvalho da manhã deram alívio momentâneo aos bombeiros, mas o fogo ainda não está controlado.
"O fogo não avançou durante a noite, mas ainda não está controlado", afirmou o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Ele pediu prudência, já que a nova onda de calor chega a partir de terça-feira.
No município de Le Porge, estradas mostram quilômetros de floresta queimada, fumaça e casas destruídas. Com ventos secos e até 40ºC previstos para a costa atlântica, "estão reunidas todas as condições para que o incêndio volte a se intensificar", alertou Philippe de Gonneville, prefeito de Lège-Cap-Ferret.
Desde o início do ano, a França já teve 116 mil hectares consumidos pelo fogo. "A temporada está longe de ter terminado", advertiu Nuñez.

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